Cidades
COMEMORAÇÃO

Hospital São Julião completa 81 anos nesta sexta (05)

Fundado como um asilo-colônia para pacientes com hanseníase, se tornou um centro de saúde moderno

Bianka Macário

04/08/2022 17:37

 

Nesta sexta-feira (05) o Hospital São Julião completa 81 anos. Fundado em 1941, em Campo Grande, como um asilo-colônia, na época em que o Brasil não tinha armas científicas para lutar contra a hanseníase e a única forma de conter o avanço da doença era o confinamento.

Nessa época o governo viabilizou a construção de cerca de 30 asilos, destinados ao atendimento de pacientes com a doença, atualmente apenas o São Julião e o hospital Lauro de Souza em Bauru (SP), se reinventaram e se tornaram centros de saúde modernos.

Com a chegada da Irmã Silvia Vecellio e seus voluntários, em 1970, foram desenvolvidos diversos trabalhos para que fosse formada uma associação com o apoio de benfeitores para manter as atividades do hospital.

Uma das famílias que apoiaram esse momento foi os Marcondes de Maracaju, famosos por serem responsáveis pela linguiça tradicional da cidade. 

Juntos, passaram a organizar um churrasco para os pacientes anualmente, esse costume se mantém até hoje e já está na terceira geração de colaboradores.

Com o passar do tempo, o tratamento da hanseníase foi apresentando resultados e mudando a vida dos pacientes confinados. 

Boa parte deles conseguiu se reinserir na sociedade e outros, principalmente os mais antigos, mesmo curados, ainda lutam com as sequelas da doença.  

Para todos eles, o 5 de agosto transformou-se em um grande reencontro e a celebração de uma volta por cima. Nessa data, mesmo que seja em dia de semana, o momento é de rever amigos, enfermeiros e médicos. Entre os exemplos, está o da ex-paciente Luciene Rocha dos Santos, de 59 anos. 

“Em 1988 vim de Rondônia para o São Julião. Cheguei muito doente e sem esperança alguma. Só sabia assinar meu nome. Ali me tratei, estudei, depois consegui trabalho na cidade, me aposentei”.  

Atualmente Luciene é voluntária da Missão dos Vicentinos, coordenando o setor de amparo às famílias de ex-hansenianos que moram no Bairro Nova Lima. “Para mim, o 5 de agosto é como se fosse meu aniversário, porque no São Julião eu nasci de novo. Consegui trazer minha família para cá e nesse dia é só gratidão e alegria”, conclui.

O Hospital São Julião é peculiar, por ser um ambiente múltiplo, além da área médica, considerada de excelência, possui escola, desenvolve um trabalho sério quando o assunto é reciclagem e tratamento de resíduos sólidos, procura manter atividades de sustentabilidade e preservar o meio ambiente.

O empresário Carlos Melke, recém-empossado na presidência da Associação do Hospital São Julião, comenta que mesmo depois de novas especialidades, não deixaram de atender pacientes com hanseníase. 

“Este é meu primeiro 5 de agosto e é impossível não ser contagiado pela força que essa data tem dentro do hospital. Mesmo hoje, nos novos tempos, é importante mantermos vivo esse espírito de confraternização por uma história construída com muito sacrifício, humanidade e empreendedorismo. E, não se enganem os que pensam que a hanseníase é uma doença extinta no Brasil. Ela ainda está presente e precisa da atenção constante das autoridades sanitárias. O São Julião está aberto a novas especialidades, mas continua vigilante quando o assunto é hanseníase”.  

Assine o Correio do Estado