Cidades

Pac-Investimento

A+ A-

Hospital Universitário de Dourados vai receber recurso de R$ 44 milhões

Com o recurso de programa do Governo Federal, o HU-UFGD passa por obras que irão impactar diretamente na assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde

Continue lendo...

Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Federal, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), irá receber um aporte de R$ 44 milhões.

A unidade, que é vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), recebeu a visita do presidente da estatal, Arthur Chioro, na terça-feira (02), que participou de reuniões de ainda esteve nas aldeias Jaguapiru e Bororó.

Com o recurso de R$ 44 milhões do Governo Federal, o HU-UFGD passa por obras que irão impactar diretamente na assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), assim como a formação de novos profissionais da saúde. 

 “Estamos escrevendo uma nova história na cidade e na região, com mais qualidade, mais investimentos, mais saúde, mais ensino e mais pesquisas”, apontou  Chioro que comentou as obras:

 “Teremos uma ampliação significativa de leitos no HU-UFGD, além da reforma das enfermarias clínicas. Reconhecemos o papel estratégico do Hospital para o ensino e no atendimento à saúde na região sul do Mato Grosso do Sul”.

Atualmente o hospital possui 168 leitos credenciados, sendo a única referência no atendimento materno e infantil na Macrorregião de Dourados, com a capacidade para oferecer assistência a 33 municípios e cerca de um milhão de habitantes.

Referência 

A Unidade da Mulher e da Criança (UMC) possui maternidade, com equipamentos para atendimento de casos de alto risco, pronto-socorro ginecológico e obstétrico, que chega a realizar cerca de 12 a 15 partos por dia. Veja outros setores da ala pediátrica:

  • UTI Pediátrica;
  • Unidade de Cuidados Intermediários (UCI);
  • Neonatal, entre outros setores;

A segunda fase da reforma na Unidade da Mulher e da Criança, que teve investimento de R$ 31 milhões do Pac, irá ampliar a capacidade.

A UTI pediátrica que atende atualmente dez pacientes passará a contar com 20 leitos, assim como a neonatal de 10 para 20 leitos; e ainda a UCI Neonatal terá um salto nacapacidade de 15 para 40 leitos.

O superintendente do HU-UFGD, Hermeto Macario Amin Paschoalick, qualificou o investimento como relevante por atender à demanda crescente na região sul-matogrossense que por ser única referência nesses atendimentos quase sempre enfrentam superlotação. 

Melhorias

A segunda fase de trabalho será a reforma das Clínicas Médicas, Cirúrgica e Pediátrica, com um valor de cerca de R$ 13 milhões. O ambiente terá melhorias, climatização total e ampliação na capacidade de atendimento com aumento de 14 leitos.

O projeto ainda prevê, a construção e implementação do Serviço de Hemodiálise Ambulatorial, que oferecerá 12 vagas por turno, o que representa 36 atendimentos por dia.

HU-UFGD e população indígena

A visita dos dirigentes da Ebserh e do HU-UFGD nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde vivem quase 20 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena, teve como objetivo entender a realidade da saúde da população indígena.

A equipe também conheceu a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Aldeia Bororó, a Casa de Reza e a escola da Aldeia Jaguapiru.

Com compromisso de melhorar o atendimento, o  HU-UFGD para tornar o ambiente mais acessível para os indígenas, incluiu a instalação de placas com orientações no idioma guarani. 

“O objetivo é facilitar a circulação das pessoas, mas, especialmente, favorecer o sentimento de pertencimento, já que somos o terceiro hospital do Brasil em quantidade de internações indígenas e o primeiro na Rede Ebserh”, destacou o superintendente Hermeto.

Assine o Correio do Estado

 

Cidades

Em Mato Grosso do Sul, 3 mil famílias serão assentadas pelo Incra

Ao todo, 11 mil famílias aguardam por terras em todo o Estado

16/04/2024 18h30

Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA/MS) deu início ao processo de cadastramento para assentar aproximadamente 3 mil famílias de Mato Grosso do Sul. O anúncio acontece no mês em que o Movimento Sem Terra (MST) manifesta o "Abril Vermelho", e realiza a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, organizada em todo o Brasil, para reafirmar a luta por terras no País.

Segundo o Superintendente Regional do Incra de Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto, 11 mil famílias aguardam por terras em todo o Estado. Inicialmente, a expectativa é de que aproximadamente 3 mil sejam cadastradas para garantir vaga nos próximos assentamentos.

Os primeiros acampamentos a receberem o Incra para o cadastro foram os de Dourados, que tiveram 850 famílias cadastradas.

Paulo Roberto ressalta que o trabalho realizado pelo Incra difere do sistema adotado pelo Governo Federal, que disponibiliza a plataforma "SouGov" para o cadastramento de acesso a terras.

"Qualquer cidadão pode ir no SouGov e se cadastrar, esse cadastro do Governo Federal não é igual ao do Incra, porque o do Incra considera que a família está em situação muito vulnerável, acampada na beira de uma rodovia", explicou.

Quanto aos locais para o assentamento, o superintendente explicou que algumas áreas já estão sendo vistoriadas para aquisição. Algumas delas estão localizadas em Campo Grande. No entanto, a compra dos terrenos não é "tão fácil quanto parece".

Todas elas têm um custo, seja por compra ou desapropriação - já que na segunda opção o proprietário também é pago -, a menos que seja uma terra cedida pela União, como é o caso do assentamento de Chapadão do Sul, que tem 700 hectares e capacidade para aproximadamente 50 famílias.

Além disso, o assentamento deverá oferecer às famílias todas as condições básicas de dignidade, para garantir que elas permaneçam no local.

"O assentamento que a gente preconiza é o assentamento que a família tem a condição de permanecer lá. Para ela permanecer, é preciso que ela tenha casa, água, estrada, luz, conectividade, que é um elemento novo na atuação do Incra, estamos acertando isso, porque a gente acha que para o jovem ficar lá precisa de conectividade. É preciso que tenha assistência de saúde, escola para as crianças. Esse conjunto de políticas públicas formam o assentamento modelo", pontuou Paulo Roberto.

Como exemplo, o superintendente mencionou o assentamento Nossa Senhora do Carmo, no município de Caarapó, onde foram tituladas 95% das famílias primitivas, que receberam a terra 20 anos atrás.

"Precisamos colocar esse conjunto de políticas públicas à disposição da família. Os assentamentos na fronteira que eu acompanhei, que tiveram isso, estão todos consolidados. Titulei um assentamento em fevereiro, no município de Caarapó, que nós titulamos 95% das famílias primitivas que receberam essa terra 20 anos atrás. Portanto, é um assentamento de absoluto sucesso. E é simples, você chega lá e é tudo muito simples. Mas as famílias permaneceram lá, produzem, tem qualidade de vida, tem internet, tem tudo", concluiu Roberto.

Assine o Correio do Estado 

Direitos Humanos

Estudos revelam graves violações dos direitos humanos contra indígenas em presídios de MS

Estudo inédito de defensores públicos relata que muitos indígenas cumprem pena sem entender o motivo

16/04/2024 18h18

Fotos: João Gabriel Vilalba

Continue Lendo...

Estudo da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul aponta graves violações de direitos humanos contra indígenas no Presídio Estadual de Dourados, a 220 quilômetros de Campo Grande.  

O aspecto mais alarmante desta pesquisa é que muitos dos indígenas condenados não têm conhecimento do motivo de sua prisão e são incapazes de se defender, pois não podem se expressar em sua língua nativa e muitas vezes não possuem documentos que os identifiquem corretamente.

De acordo com dados da pesquisa realizada pela Defensoria Pública em colaboração com a Secretaria Nacional de Políticas Penais, órgão do Governo Federal, em 2023, constatou-se que 1.226 indígenas estão presos em todo o país. Durante esse mesmo período, em Mato Grosso do Sul, havia 401 indígenas detidos, o que representa praticamente um terço do total de indígenas detidos no estado.

“Estive lá pessoalmente e percebi que os indígenas não são compreendidos. Fiquei me questionando quem são? Quais seus valores? Qual é a sua cultura? Os indígenas não têm proteção nenhuma do sistema judiciário e de quem está do seu lado”, resumiu o defensor público e Coordenador do Sistema Penitenciário, Cahuê Urdiales.

O estudo inédito sobre o encarceramento de indígenas no Estado foi apresentado na tarde de hoje (16), na sede do órgão em Mato Grosso do Sul. Ele aponta violações graves dos direitos e da dignidade humana no sistema prisional.

Defensor público e Coordenador do Sistema Penitenciário, Cahuê Urdiales. Fotos: João Gabriel Vilalba 

MS tem mais presos indígenas no País 

Segundo dados apresentados pela Defensoria Pública, em colaboração com a Secretaria Nacional de Políticas Penais, órgão do Governo Federal, Mato Grosso do Sul continua sendo um destaque entre os estados com maior número de presos autodeclarados indígenas no país, totalizando 401 indígenas.

Língua e documentos

Durante a apresentação dos dados, o defensor público e coordenador do Núcleo Institucional do Sistema Penitenciário, Cahuê Urdiales, relatou que muitos dos indígenas presos não têm consciência de que estão cumprindo pena, devido à falta de compreensão da cultura indígena. Isso revela uma grave violação dos direitos humanos.

O defensor ainda destacou que essa questão poderia ser resolvida com a presença de intérpretes capazes de traduzir do português para as línguas indígenas, ou vice-versa, conforme previsto nas normativas que o judiciário brasileiro deve seguir.

“Muitos deles não sabem porque estão presos. Falta esse conhecimento ou compreensão da cultura indigena.  é chocante. Tivemos um exemplo quando houve um atendimento e um indigena foi condenado a 131 anos de pena [...]. A assessora olha a sentença para ver a quantidade e fala, o que eu faço?", relata
  
O defensor ainda acrescentou que "o indígena, ao receber a pena, não demonstra nenhuma reação, pois não compreende o significado de 131 anos. Ele foi julgado sem a presença de um intérprete e sem garantias de condições humanas adequadas. A maioria deles sequer possui certidão de nascimento como prova de sua existência', concluiu. 

De acordo com os estudos, a maioria dos indígenas em Dourados pertence aos povos Kaiowá (96), Guarani (65) e Terena (26).

Dos 206 indígenas atendidos, 22,3% não possuem nenhum documento civil, como certidão de nascimento, RG e CPF ou título de eleitor e, portanto, estão desassistidos por qualquer política pública ou estadual. 

"A legislação brasileira prevê que todo nascimento no território nacional deverá ser levado a registro, uma vez que este é o primeiro documento de valor jurídico da vida civil de uma pessoa e, consequentemente, assevera a sua existência para o Estado brasileiro", pontua o coordenador do Núcleo de Defesa Indigena e defensor público, Lucas Colares Pimentel.

 Coordenador do Núcleo de Defesa Indigena e defensor público, Lucas Colares Pimentel.Fotos: João Gabriel Vilalba

Quais são as providências

Ambos os defensores admitiram que a instituição não tinha conhecimento do problema, apesar de estar ciente do sistema de encarceramento indígena.

Após a divulgação dos dados, a expectativa é aumentar a visibilidade do problema e reunir-se com outras instituições para tentar encontrar uma solução.

“Acreditamos que os esforços devem ser mútuos, mas podemos amenizar como determina a legislação. A lei precisa imperar e exigimos isto. Que a lei possa ser garantida e reconhecida aos indígenas”, detalhou. 

Assine o Correio do Estado

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).