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ISOLAMENTO SOCIAL

Idosos desrespeitam quarentena e se arriscam no centro de Campo Grande

Eles compõem o grupo de pessoas que são mais suscetíveis a contrair a Covid-19
13/05/2020 12:15 - Gabrielle Tavares


 

Apesar de estarem no grupo de risco de contágio da Covid-19 — doença causada pelo novo coronavírus —, idosos em Campo Grande parecem não estar preocupados. A reportagem flagrou vários circulando no Centro na manhã desta quarta-feira (13).

A Praça Ary Coelho era ponto de encontro de aposentados que se encontravam para jogar xadrez ou damas, ler jornais e conversar com os amigos. Desde o início da quarentena, em março, a praça está fechada, mas os bancos que ficam nas calçadas, no entorno do local, continuam sendo usados pelos idosos. “Venho aqui todos os dias, fico olhando o movimento”, conta Raimundo Fernandes, de 70 anos.

Ele não utilizava máscara de proteção, mas disse tomar cuidado para não se aproximar de outras pessoas. “Não tenho medo de pegar, só se ficar perto que pega, e eu não fico. Não gosto de ficar em casa, se ficar preso lá a cabeça fica 'virando', é ruim”, disse.

Já o aposentado Mario Arruda, de 88 anos, relatou que saiu para apostar na loteria Mega-Sena, cuja sorteio será realizado hoje. Ele usava máscara e comentou que a pandemia é consequência natural. “Essas doenças são coisas da Terra, não tem nada a ver com Deus. Os seres humanos produzem muitas energias negativas, mais do que positivas. Então temos que ter pensamento positivo, pensar em Deus, fazer obras de caridade”.

Ele explicou que não teme a Covid-19. “Não pode ter medo da morte, ela [morte] não existe, é só uma mudança. Se tiver que morrer com o coronavírus, vai morrer”.

Segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social é a melhor prevenção contra a Covid-19, principalmente para as pessoas que compõem o grupo de risco. As saídas devem acontecer apenas em situações de necessidade, como é o caso de Wilson Ribeiro Lopes, de 70 anos. Ele mora em Miranda — cidade no oeste de Mato Grosso do Sul — e vem para Campo Grande regularmente para fazer tratamento contra o câncer. “Já estou bem, praticamente não tenho mais. Mas não posso interromper o tratamento para não voltar”.

O aposentado faz a viagem de ida e volta no mesmo dia, com motorista da prefeitura da cidade. “Parei aqui só para descansar. Estou tomando todos os cuidados, tenho medo de pegar a doença, ela mata né? E não tem remédio”.

 
 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!