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MANANCIAIS

Enquanto Lageado agoniza, Águas Guarirobas sobrevive graças à preservação

Decisão sobre atividades permitidas ou abolidas ao longo da área de preservação do córrego está em revisão, e texto final deve ser mais duro que o em vigor
05/10/2020 11:00 - Daiany Albuquerque


A situação da microbacia do Lageado tem preocupado as autoridades de proteção ambiental. 

Segundo Sérgio Luiz Ferreira Júnior, coordenador do programa Manancial Vivo – criado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur) com o objetivo de restaurar o potencial hídrico e de controle da poluição – a pasta, junto da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), está revendo o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da região.

O motivo: a redução na produção de água da região em razão de problemas externos, além da seca que atinge a cidade. 

A microbacia é uma das fontes de água potável de onde a concessionária de abastecimento de Campo Grande, Águas Guariroba, retira o produto para tratá-lo e distribuí-lo para a população.

“O problema lá é que regularmente começou a atingir níveis que o pessoal tem que parar de captar. Está descendo muita areia, o pessoal está tendo que fazer dragagem lá a cada 6 ou 7 meses; até 5 anos atrás era a cada 3 anos. Mas a gente está discutindo para ver o que fazer para melhorar essa situação”, contou Ferreira.  

Nos últimos meses já é possível ver grandes bancos de areia na represa. Conforme o coordenador do programa, essa situação se dá por conta da enorme quantidade de sedimentos que desce para o córrego durante as chuvas.

“No Lageado, o sistema é menor, ele tem muito mais coisa ali, muito mais gente. Até o custo de tratamento dessa água é muito mais elevado. Está descendo muita terra. A gente está tendo problemas, muito mais na cabeceira, na região do [Maria Aparecida] Pedrossian, que já sentiu bastante na represa. Nessa época de seca, qualquer coisinha já vai lá para baixo”, explicou.

FISCALIZAÇÕES

Várias fiscalizações têm sido feitas na região para conter o avanço de sedimentos e evitar que o córrego assoreie. Em uma delas foram flagrados barramentos que não são permitidos para captação de água para tanques de propriedades rurais. 

O proprietário foi autuado e precisou desfazer o barramento para que o nível do córrego fluísse normalmente.  

“A gente vai intensificar a fiscalização; da parte rural não está ruim. Foi feito todo o trabalho de pedir para o pessoal fazer a cerca, isolar a APA [Área de Proteção Ambiental]. 

Foi feito todo um pente fino e o pessoal contribuiu bastante. O problema maior é na parte urbana: você tem muita ligação clandestina, tem muito esgoto ligado na drenagem, que vai direto para o córrego, mas tem muita gente que liga o esgoto direto nessa drenagem e acaba aumentando o aporto para o córrego”, disse.