Marco Eusébio
Lideranças do PTB de Mato Grosso do Sul contrárias a apoiar a reeleição do governador André Puccinelli (PMDB) ameaçam rebelar-se contra o que classificam de "leilão" promovido pelo presidente regional da legenda, Ivan Louzada. Defensores de aliança com o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos (PT), cuja proposta entendem como "mais política do que financeira" e que pode ajudar no crescimento do partido, petebistas como o produtor rural Zelito Ribeiro, o advogado Antônio Trindade Neto e Eduardo Lopes Miranda prometem, se necessário, acionar a direção nacional, a bancada do PTB no Congresso e até pedir intervenção.
"Estamos convocando lideranças de todo o Estado para vir a Campo Grande, no dia 9, acompanhar a reunião da executiva para decidir sobre o apoio ao André ou ao Zeca (Orcírio)", disse ontem o advogado Antônio Trindade. Zelito Ribeiro, que participou da reunião de Louzada com o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, em Cuiabá (MT), no fim de semana, disse que na ocasião ficou combinado que a decisão em Mato Grosso do Sul teria participação do diretório regional. Entretanto, depois de receber na terça-feira o governador Puccinelli, Louzada anunciou que a decisão será tomada pela executiva, formada por dez integrantes.
Os descontentes alegam que na executiva só existe gente ligada ao presidente, o que pode significar "cartas marcadas" na decisão. "O partido tem de ser ouvido em sua base. O presidente e seu grupo não podem decidir sozinhos", afirmou. "Essa executiva não tem representatividade política, já que nenhuma grande liderança do PTB participa", disse o advogado, citando Zelito Ribeiro, de Aquidauana; o ex-deputado Valdenir Resende, de Dourados; o empresário e suplente de senador Antônio João Hugo Rodrigues, da Capital; e outros nomes que, "apesar da representatividade, são excluídos das decisões".
Proposta política
Trindade, Zelito e outras lideranças consideram a proposta do PT, que ofereceu a vaga de vice da chapa majoritária, duas secretarias num eventual governo, estrutura de campanha e possibilidade de manter a suplência do senador Delcídio do Amaral com o partido, "é uma proposta política" que alavancaria o crescimento do partido. "Eleger um vice-governador é importante e, caso o Delcídio conquiste o governo daqui a quatro anos, o PTB estadual pode ter um representante no Senado", ponderou Trindade Neto. "O PTB não pode se dar o luxo de descartar essa proposta, como faz o presidente Louzada dizendo à imprensa que não interessa a vice, nem secretaria, que só quer dinheiro. A não ser que esteja querendo resolver algum problema pessoal", afirmou.
Trindade Neto admite que a proposta de Puccinelli "é atraente na questão financeira, pois o governador afirmou que estrutura não será problema". Lembrou, porém, que a participação política do PTB será nula com o PMDB. "O governador deixou bem claro que o PTB não terá espaço na sua chapa majoritária nem no primeiro escalão do governo. Isso é desestimulante para um partido que quer se fortalecer", lastimou. "Para piorar, corre em sites de notícia que o presidente do PTB já teria batido o martelo em favor da oferta do governador. O que mais preocupa é que o presidente não veio a público se explicar", reclamou o advogado. "Se Getúlio Vargas estiver vendo o que estão fazendo no Estado com a história do PTB, deve estar se revolvendo no túmulo", emendou.
Em Dourados, o ex-deputado estadual Valdenir Machado disse acreditar que Louzada conduz corretamente as conversações. "Primeiro defendeu candidatura própria, com o Zelito para governador e comigo para o Senado. Como o Zelito desistiu por falta de estrutura, está ouvindo propostas do Zeca e do André", ponderou. Para Valdenir, a decisão do dia 9 será tomada pelo conjunto do partido, com participação do diretório regional. "A maioria do partido tende a apoiar o Zeca, porque entende que a proposta do PT é melhor", disse ontem Machado. Conforme anunciou o presidente Louzada, entretanto, a decisão será tomada pelos dez membros da executiva. O presidente Ivan Louzada foi procurado ontem, mas não respondeu às ligações. (colaborou Fábio Dorta, de Dourados)
Escola Professor Carlos Henrique Schrader, em Campo Grande, foi uma das instituições estaduais repassadas para o Município - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

