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Mães trocam carteira assinada por trabalho informal e mais tempo com os filhos

Mudança é oportunidade para mulheres ganharem mais e cuidarem das crianças

VÂNYA SANTOS

20/12/2015 - 10h00
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Junto com a importante decisão de ser mãe, muitas mulheres decidem também trocar a rotina do emprego e certa estabilidade proporcionada pela carteira assinada por um emprego informal e que proporcione mais tempo livre com os filhos. A mudança, que no começo causa insegurança, pode ser o primeiro passo para que essas mulheres tenham a oportunidade de ganhar mais e se encontrem na vida profissional.

Foi exatamente assim que aconteceu com a administradora Michele Padilha Melo Silva, 26 anos, e com a publicitária Camila Leiria Souza, 32 anos. Ambas saíram do emprego depois da maternidade e, agora, se dizem realizadas trabalhando com vendas, em casa, sempre ao lado dos filhos.

Michele é casada com Rogério Mariano há cinco anos e é mãe do pequeno Pedro, de 1 ano e 11 meses. Quando conheceu o marido, a administradora era bancária e depois de cinco anos trabalhando no banco, e dois de casada, engravidou. A gravidez estava nos planos do casal.

Com o fim da licença maternidade, Michele conseguiu trabalhar apenas dois dias porque não parava de pensar e se preocupar com o filho, queria saber se estava chorando, se queria mamar.

“Eu saí porque não tinha com quem deixar o Pedro. Eu não queria deixá-lo na escola com 5 meses, era muito bebê. Saía chorando do trabalho porque queria cuidar do meu filho. Sou super protetora e também não achava justo planejar um filho para deixá-lo o dia inteiro na escola”, explicou a administradora.

Desempregada, Michele ficou um mês e meio em casa. Foi então que o marido lembrou que nas férias do banco ela viajava para São Paulo e trazia bolsas para vender. Ela viajou, trouxe bolsas, mas logo sentiu a necessidade de ampliar o segmento para roupas femininas, até mesmo porque mulher não compra bolsa todo mês, mas roupa sim.

BOUTIQUE DA MI

O casal fez do quarto de hóspedes da residência um espaço todo especial para atender as mulheres. Foi então que surgiu a Boutique da Mi. Com horário marcado e num ambiente climatizado, com araras de diversos modelos de roupas, expositores de cintos, bolsas, brincos e outros acessórios, Michele monta modelito personalizado para cada cliente.

Boutique da Mi funciona na casa da administradora, que atende clientes enquanto cuida do filho

Também faz visitas nas casas das clientes e mantém sempre atualizadas as redes sociais e grupos no WhatsApp. Ela atende pelo menos cinco mulheres por dia, de domingo a domingo, a qualquer hora do dia ou da noite.

“Hoje eu trabalho mais do que quando estava no banco, a diferença é que o Pedro está sempre comigo. Mas estou muito mais feliz porque estou trabalhando pra mim, tenho flexibilidade de horário. Me encontrei com o trabalho de vendas, estou realizada e ainda posso cuidar do meu filho”, ressaltou.

SEMPRE AO LADO DOS FILHOS

A publicitária Camila também passou a trabalhar em casa, por conta própria e na companhia dos filhos, o Pedro de 4 anos e a Alice de 2 aninhos.

Ela trabalhava com carteira assinada na loja de roupas da sua mãe Valfrida. Depois de 5 anos de casada com André de Souza, Camila engravidou do Pedro. Na mesma época sua mãe fechou a loja e mudou-se para Manaus. Dois anos depois veio a pequena Alice.

“Com o tempo senti a necessidade de voltar a trabalhar para ter condições de comprar as coisas. Primeiro uma amiga me apresentou brechós pelo Facebook que estavam vendendo muito. Eu peguei roupas e calçados do meu filho e vendi pela internet. Eu anunciava e as pessoas iam buscar na minha casa, vendi tudo muito rápido. Com o dinheiro eu comprei coisas para o Pedro mesmo”, contou a publicitária.

Depois de vender as peças nos brechós, Camila passou a comprar roupas novas direto da fábrica e vender em casa. Em seguida, criou uma página no Facebook, a Milla Mimoss, que hoje tem 3,4 mil curtidas e quase 8,5 mil seguidores no Instagram.

“Há seis meses vendo pela internet para todo o Brasil. Em campo Grande consigo atender por indicação, mas é difícil fazer visitas por causa das crianças. Já pelo WhatsApp, mando medidas das peças, tiro dúvidas, faço atendimento personalizado. A pessoa escolhe as roupas, faz o pagamento, eu confirmo e envio a mercadoria pelos Correios”, explicou Camila.

O atendimento da publicitária hoje é personalizado, mas ela pretende criar sua loja virtual, passando assim a se dedicar na divulgação do site e marketing nas redes sociais.

“Realmente não tenho vontade de passar o dia todo fora de casa, conversei muito com meu marido e a gente acha que não compensa eu trabalhar fora. Por enquanto é melhor assim, por mais que as vezes eu possa me ocupar um pouco, meus filhos estão sempre comigo”, justificou.

TRADIÇÃO

Fieis fazem mutirão para montagem de 15 mil 'bolos' de Santo Antônio

Tradicional bolo que chegou a ter 25 metros em 2019, agora é servido distribuído em potes

12/06/2024 14h00

Catedral Nossa Senhora da Abadia produziu 15 mil potes para serem distribuídos

Catedral Nossa Senhora da Abadia produziu 15 mil potes para serem distribuídos Foto: Marcelo Victor

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A famosa entrega do bolo de Santo Antônio acontece amanhã, dia 13 de junho, na Paróquia Catedral Nossa Senhora da Abadia e Santo Antônio, em Campo Grande. Com 15 mil potes preparados e 2 mil alianças distribuídas entre eles, a tradição promete atrair muitos fiéis.

A tradição do bolo de Santo Antônio é uma celebração anual histórica em Campo Grande.

A igreja utiliza de uma receita criada há mais de duas décadas e distribui no dia do santo casamenteiro milhares de bolos de pote, que atraem fiéis de todos os cantos da cidade em busca de alianças escondidas no bolo, acreditando que encontrar uma trará sorte no amor e a bênção de um casamento próximo. 

Casada há 12 anos, Deise Helena Vieira, de 40 anos, foi uma das beneficiadas pela tradição. Em 2009, após um retiro da igreja, ela pediu a intercessão de Santo Antônio para conhecer alguém especial. 

“Eu pedi que, se fosse da vontade de Deus e pela intercessão de Santo Antônio, eu conhecesse uma pessoa, e nesse mesmo ano, em 2009, no Rio de Santo Antônio, aqui na paróquia, na nossa quermesse, eu conheci meu marido.” relatou a fiel que hoje, ajuda na produção do bolo de Santo Antônio. 

Produção e Preparação

Neste ano, a cozinha da paróquia se prepara para produzir 15 mil potes que serão distribuídos amanhã para quem comprou o convite, que está à venda na paróquia.

Cerca de 100 voluntários, divididos em três turnos, participam da produção do famoso bolo. E, para atender toda a demanda, a cozinha toma conta de cerca de 200kg de trigo, 250 kg de açúcar e mais de 5 mil ovos. 

Antigamente, o tradicional bolo era produzido para ser cortado em fatias e distribuído no local.

No entanto, o formato de bolo em pote foi adotado durante a pandemia e mantido pela praticidade e higiene, além de permitir melhor controle da quantidade.”

"Antigamente, as pessoas saíam daqui reclamando que acabava muito rápido, dava briga”, comenta Fernanda Corrêa, coordenadora da produção. 

Informações Gerais

A entrega dos bolos será amanhã, dia 13 de junho, no sistema drive thru das 06h30 às 13h, por R$ 10,00 cada. Se ainda sobrarem pedaços do bolo, eles serão disponibilizados a partir das 17h no Arraial de Santo Antônio da Prefeitura. 

Local: Paróquia/Catedral Nossa Senhora da Abadia
Entrega: 13 de junho, das 06h30 às 13h
Valor: R$10,00 por pote

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'EMBATE RELIGIOSO'

Cristã, prefeita se esquiva sobre criação do Dia do Preto Velho

Após aprovado na Câmara, com 12 votos favoráveis e oito contrários, Adriane Lopes ignorou projeto no Executivo até prazo de ser promulgado pelo presidente da Casa, Carlos Augusto Borges

12/06/2024 13h29

Na ausência de manifestação do chefe do Executivo, o projeto é retornado para o chefe do Legislativo, que tem uma só atitude, promulgar a lei

Na ausência de manifestação do chefe do Executivo, o projeto é retornado para o chefe do Legislativo, que tem uma só atitude, promulgar a lei Reprodução e Marcelo Victor/Correio do Estado

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Campo Grande mais recente aderiu também ao 13 de maio em seu calendário municipal como "Dia do Preto Velho", projeto que precisou ser promulgado pelo presidente da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges, já que, após passar na Casa de Leis, a prefeita Adriane Lopes ignorou a proposta que se tornou lei sem receber a sanção ou veto do Executivo.

Como bem detalha a autora da proposta, vereadora Luíza Ribeiro, a construção de uma legilsção é feita com a participação de ambos os poderes, Legislativo e Executivo, que possuem representantes nas mais variadas instâncias, federal; estadual e municipal. 

Luíza é categórica em dizer que o projeto não foi sancionado, porém, também não foi vetado, detalhando ainda quais seriam as três opções da atual chefe do Executivo municipal: 

  1. Sancionar/aprovar
  2. Vetar/rejeitar ou 
  3. Silenciar no prazo de 15 dias

"No silêncio, na ausência de manifestação do chefe do Executivo, o projeto é retornado para o chefe do Legislativo, que tem uma só atitude, promulgar a lei em nome da sociedade que representa, que é o povo de Campo Grande", cita a parlamentar. 

Respeito às religiões

Para Luíza, houve a recusa da prefeita em tomar atitude de aprovação da lei, uma vez que, por outro lado, não tinha também razões legais para vetar a proposta, cita a vereadora, que agradece ao presidente da Casa pela "sensibilidade". 

"De reconhecer, porque é uma formulação simples, mas tem muito valor e conteúdo humano, porque toca numa das coisas mais importantes das pessoas, a sua liberdade, o seu direito de professar a sua religião, sua crença e sua fé", complementa.

Ainda, ela ressalta a importância quando o reconhecimento vem por parte do poder público, pois valoriza o direito das pessoas de terem a fé de Umbanda, expressa também pela figura do Preto Velho. 

"Além disso, estamos trabalhando contra o racismo ao povo negro, escravizado durante quase 300 anos aqui no Brasil. Foram sequestrados em seus países, trazidos à força e essa escravização do povo negro repercute até hoje em comportamentos racistas", diz. 

Por fim, ela complementa que, ao homenagear essa figura de pessoa com negra detentora de sabedoria, o Dia do Preto Velho torna-se também uma forma de combate ao racismo. 

"Um negro velho, aposentado, que orienta as suas pessoas, que protege, que dá as bênçãos, quando fazemos isso, nós estamos combatendo o racismo e promovendo uma sociedade mais humana", pontua.

Fé da prefeita

Nesse meio tempo, a prefeita esteve inclusive esteve no "café do conselho de pastores" para Lançamento da Marcha para Jesus 2024 - marcada para acontecer em 26 de agosto -, ocasião também em que Adriane recebeu uma "oração poderosa, direta do Trono de Deus", segundo a chefe do Executivo. 

Declaradamente "cristã, evangélica e conservadora", a atual prefeita de Campo Grande faz questão de deixar a posição permear as ações de seu mandato, como exemplo do último lançamento da Semana da Criança, que tinha organizadores também os Conselhos de Pastores de Mato Grosso do Sul e Campo Grande (Consepams e Consepacg).

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