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PANDEMIA

Médicos cobram medidas mais enérgicas na Capital

Toque de Recolher, sozinho e em horário reduzido, não resolve, alertam especialistas
23/06/2020 09:00 - Bruna Aquino, Daiany Albuquerque


Prorrogado por pelo menos três vezes em Campo Grande, o toque de recolher, obrigatório por Decreto Municipal, deixa dúvidas quanto a sua eficácia. Com isso, infectologistas defendem que para melhor resultado sanitário, bem como o achatamento da curva do aumento de casos, as medidas impostas precisam ser mais rigorosas.

Para a infectologista Mariana Trindad, manter o toque de recolher não é tão eficaz, uma vez que há um grande volume de pessoas nas ruas durante o dia, e não no período de validade da medida. “A medida é pouco eficaz, se mantiver o toque e não fizer nada durante o dia, isso no máximo vai inibir festas ou aglomerações em bares, por conta do controle efetivo, não tem pessoal suficiente para controlar, mesmo aplicando multa ou prisão, a população não consegue enxergar isso como delito [sanitário], não temos isolamento na cidade, é mera medida educativa”, disse.

À reportagem, a médica explica que, com o aumento do número de casos, bem como da taxa de ocupação de leitos, é preciso um indicativo de medidas mais restritivas. “Medidas que envolvem desde fechamento do comércio não essencial até o toque de recolher mais cedo, para que haja controle, porque o que nos preocupa é o rápido crescimento da doença, e o foco é não aumentar [a ocupação de] leitos para conseguirmos achatar a curva”, explicou.  

A infectologista Rafaeli Cardoso também destaca medidas mais firmes no toque de recolher, como o adiantamento do horário, como era antes. “Geralmente, no horário da meia-noite, quem está nos bares, restaurantes e outras aglomerações já foi embora. Eu acredito que, conforme os casos forem aumentando e as vagas nos hospitais se esgotando, esse horário terá de ser mudado”, contou.

Segundo o boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (22) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), a taxa de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegava a 64% na Capital. Já na rede particular, na semana passada, a Unimed anunciou que estava com 80% dos leitos do setor exclusivo para Covid-19 ocupados, e a Cassems tinha 63% de ocupação.

O Correio do Estado fez um levantamento dos últimos três fins de semana de junho e apurou que, em média, 879 pessoas estão “burlando” o toque de recolher. Isso porque junho foi o mês em que mais pessoas saíram de casa, segundo balanço da Guarda Metropolitana. Bares e lanchonetes, principalmente aqueles com música ao vivo, voltaram a ficar lotados nas ruas da cidade, e as festas que antes eram divulgadas, hoje clandestinas, voltaram a todo vapor.

Entre as três semanas analisadas pela reportagem, em que foram contabilizadas mais de 2,6 mil pessoas nas ruas, a terceira semana, que compreende o período de 19 a 21 de junho, foi a que mais “deu trabalho” para a Guarda durante a fiscalização. Entre os dias citados acima, quase mil pessoas – ao todo, foram 998 – desobedeceram ao decreto durante a madrugada. As outras semanas duas registraram 814 e 825 pessoas, respectivamente.

Um dos estados que endureceu as medidas quanto ao isolamento social neste contexto foi o Paraná. Em vez de toque de recolher na cidade, o governador do Estado, Ratinho Júnior (PSD), decretou a recomendação para restringir a venda de bebidas alcoólicas e consumo nas ruas entre 22h e 6h em toda a unidade da federativa.

Sobre os dados do toque de recolher e se a Administração Municipal pretende medidas mais rigorosas, segundo o prefeito Marcos Trad (PSD) a Comissão que elabora o plano de prevenção a Covid-19 deverá ampliar o horário de restrição, passado de 0h para 22h.

“Em razão dessa grande quantidade de desrespeitos, o toque de recolher deverá ser alterado. A Comissão deve decidir isso até amanhã”, contou o gestor.

Perguntado sobre outras medidas que a administração tomará para frear o avanço da pandemia, o prefeito prometeu que haverá mais rigor durantes as fiscalizações. “São sempre as mesmas pessoas que burlam as leis e insistem em sair às ruas, então a partir de agora terá mais fiscalização e com a cassação de alvarás”. A medida, entretanto, já estava importa por meio do decreto que estabeleceu o toque de recolher.

Trad também prometeu que uma reunião na noite de ontem, entre os membros da Comissão, iriam definir “medidas mais restritivas” em Campo Grande, porém, o prefeito não quis adiantar quais seriam as alternativas discutidas.

AUMENTO DE CASOS

Sem medidas mais restritivas para Campo Grande, a consequência é a ascensão da curva epidemiológica, segundo especialistas. Dados do boletim epidemiológico divulgado pela SES ontem apontam que a Capital já soma 1.212 casos positivos da Covid-19.

Para o secretário da pasta, Geraldo Resende, o isolamento social, principalmente em Campo Grande, é preocupa e incomoda o governo. “Estamos preocupados, no domingo chegaram para nós imagens de bares lotados, apesar da lei do uso obrigatório de máscara, e do não funcionamento de muitas das atividades não essenciais, os bares, estavam lotados, inclusive inauguração em plena pandemia”.

HISTÓRICO 

O toque de recolher foi instituído em Campo Grande no dia 21 de março, passando a vigorar das 22h às 5h. Entretanto, dois dias depois a administração mudou para as 20h, com término às 5h, o que permaneceu até o dia 26 de março. Porém, a partir desta data, o horário foi alterado para as 22h, e no dia 29 de abril passou a vigorar da 0h às 5h, o que continua até então.

 
 

Felpuda


Mesmo sem ter, até onde se sabe, combinado com o eleitor, candidato a prefeito começou a apresentar nomes do seu ainda hipotético secretariado, pois parece estar convicto de que conseguirá vencer a disputa.

Os adversários dizem por aí que ele está muito distante de “ser um Jair Bolsonaro”, que, ainda na campanha eleitoral para presidente da República, já falava em Paulo Guedes para ser seu ministro de Economia. Como sonhar é permitido