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DIA DO ENFERMEIRO

Medo, solidão e esperança: os relatos de enfermeiros curados da Covid

Na data em que se comemora do Dia do Enfermeiro, profissionais da linha de frente narram as dificuldades da quarentena e o retorno ao trabalho em MS
12/05/2020 16:31 - Glaucea Vaccari


Na linha de frente da pandemia de coronavírus, profissionais de saúde estão mais pré-dispostos a infecção, devido ao contato muito próximo com pacientes confirmados ou com suspeita de Covid-19. 

Nesta terça-feira (12), dia em que se comemora o Dia do Enfermeiro, profissionais que tiveram Covid-19, cumpriram a quarentena e, depois de curados, retornaram ao trabalho, relatam a rotina de medo, ansiedade e discriminação com as quais convivem diretamente no front da pandemia.  

Segundo dados do Observatório da Enfermagem, ferramenta lançada pelo Conselho Nacional de Enfermagem (Cofen), que monitora os casos de infecções pelo coronavírus em enfermeiros, Mato Grosso do Sul tem até o momento 16 registros de profissionais que foram infectados ou notificados como suspeitos. 

Desse total, quase todos já cumpriram a quarentena e são considerados curados. Estado não tem nenhuma morte de profissionais de enfermagem.

Os curados já começaram a voltar aos trabalhos e, entre os relatos da quarentena, há descrição de momentos difíceis a partir do diagnóstico da doença, além do medo e discriminação, mas também há relatos positivos, como apoio da família, amigos e esperança de que tudo vai passar e vai ficar bem. 

Confira os relatos de profissionais de enfermagem curados em Mato Grosso do Sul:

 
 

“A GENTE SE SENTE UM NADA”

Técnica de Enfermagem, Driele Torres da Silva, 32 anos, trabalha em uma unidade de saúde de Batayporã e acredita ter contraído o vírus ao ter contato com uma colega de trabalho, que por sua vez teve contato com paciente positivo para a Covid-19.

Apresentei sintomas considerados leves e fiquei em quarentena. Eu no quarto e meu esposo no resto da casa. O pior sintoma que senti foi o medo, que consome a gente, não deixa dormir direito. Tinha medo de dormir e acordar com alguma piora. Me imaginava acordando no hospital no outro dia. Perdi a minha avó materna durante a quarentena e não pude sair de casa para abraçar ninguém. Não dei um último adeus à ela e nem pude ver minha mãe depois dessa perda. É deprimente, a doença abala demais o psicológico, a gente se sente 'um nada'. Agora estou me recuperando e bem fisicamente, embora ainda com o emocional abalado. A vida segue”.

Após o fim do isolamento, Driele sentiu mudanças ne relação com pessoas da comunidade e pede que as pessoas cumpram o isolamento social.  

“Discriminação pela comunidade teve um pouco, como sempre teve. O profissional da saúde já era visto como 'meio de transmissão', isso ficou mais evidente agora. Senti como a doença pode desestruturar uma família. Somos fortes e vamos passar por essa fase. Vai ficar tudo bem.

Que as pessoas cumpram o que as autoridades estão pedindo, o tão importante isolamento social. Se puderem ficar em casa, fiquem em casa. O vírus não é brincadeira, ele existe”.

 
 

"CHOREI MUITO POR CULPA"

Rosângela da Silva Moutinho, 48 anos, é enfermeira e trabalha em uma unidade de saúde em Campo Grande e testou positivo para o coronavírus dias após retornar de uma viagem que fez com a mãe ao Rio de Janeiro.  

“Tive falta de ar, muita náusea e perdi quase 5 quilos. Meu marido cuidou de mim durante o isolamento, mas fiquei preocupada com minha família, principalmente com minha mãe, que teve Covid-19 confirmada também e mora em Dourados. O pior de tudo foi não poder estar com eles. Chorei muito por culpa. A impressão que eu tinha é que todos pensavam que contraí a doença durante a viagem e não estava me preocupando se ia ou não transmitir para os outros. Eu não sabia que estava doente! Depois que procurei os especialistas do Apoio em Saúde Mental do Cofen, me senti melhor e parei de me culpar. É um suporte maravilhoso que indico a todos os profissionais.

Voltei a trabalhar. Ainda sinto que estão me culpando, mas eu realmente não sabia que estava doente.  

O atendimento [do Cofen] foi ótimo e me ajudou a ver as coisas sob outra perspectiva. O profissional que me atendeu falou que eu não sou culpada, que isso poderia acontecer com qualquer pessoa, e era para eu focar em outras coisas e não naquele sentimento. Foi um alívio para mim. Eu reforço a todos que a doença é real. Que façam isolamento social, se puderem, e procurem usar máscara sempre.  

A mãe de Rosângela, citada por ela na entrevista, tem 70 anos e chegou a ficar internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Dourados, mas também está curada, tendo recebido alta no dia 29 de abril.

 
 

"RECEBI MUITAS MENSAGENS DE CARINHO"

Keity Marielle, 30 anos, é enfermeira, trabalha em hospital de Nova Andradina e foi infectada em contato com uma paciente doente.

"Sou uma pessoa ansiosa e senti um misto de emoções, imagine. O que mais me doía era ouvir meu filho de 3 anos dizer: 'Mamãe, me dá um beijo? Mamãe, me dá um abraço?' e eu não poder tocá-lo para absolutamente nada. Recebi muitas mensagens de carinho, de gente de todo o lado. Foram muitas correntes de orações em vários lugares, me senti especial, coisa que jamais pensei. Muita gente agradecendo o carinho que recebeu de mim nos locais onde trabalhei e trabalho hoje. Resgataram momentos que eu nem recordava quando vieram falar comigo. Foi muito bacana todo esse contato a distância. Nos dias de isolamento eu ficava no meu quarto, meu filho e esposo nos outros cômodos da casa. Chorei muito naqueles dias. Depois de curada, pude agradecer a Deus e à mãezinha do céu, depois ao meu esposo, que foi excepcional em ter a postura de ter calma e cuidar muito bem do nosso tesouro.  

Não senti diferença [no relacionamento com outras pessoas]. Me deparei com muita gente curiosa, querendo saber como foi. Continuo recebendo muitas mensagens de carinho. Estou de volta ao trabalho, e tudo voltou a ser como era. 

A Enfermagem tem um papel de suma importância e é uma peça fundamental nisso tudo. Temos capacidade de diagnosticar, tratar e ainda estamos 24 horas ao lado do paciente".

 
 

"RESPEITEM OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE"

Profissional de enfermagem, que preferiu não ser identificada, afirmou que havia um caso suspeito na unidade de saúde onde trabalha, mas não tem certeza de como contraiu o vírus, porque sempre usou todos os paramentos recomendados e tomou todos os cuidados necessários.

"Tive muito apoio da minha família, que levou o que eu precisava para ficar em casa. Meus colegas de trabalho enviaram várias mensagens para me tranquilizar. De qualquer forma, não foi fácil lidar com a doença e com a discriminação das pessoas. Meu marido trabalha em outra cidade, e a população de lá acusou ele de estar contaminado e transmitindo a doença, mas ele não apresentou sintomas. Um dia, precisei levar o lixo da minha casa e vi que os vizinhos ficaram me encarando. Soube de outros que fizeram comentários maldosos. O que mais me machucou foi essa reação negativa por parte de algumas pessoas.  

Que as pessoas respeitem os profissionais de saúde e realmente os valorizem mais. Vemos em todo o lugar, pessoas nos agradecendo por estarmos na linha de frente no combate à doença, mas alguns, nos crucificam quando ficam sabendo que fomos infectados".

O índice de contaminação entre auxiliares e técnicos de enfermagem e enfermeiros, hoje, é baixo em Mato Grosso do Sul. Conselho Regional de Enfermagem (Core-MS), têm adotado diversas medidas de apoios aos profissionais de enfermagem no Estado, para que permaneçam fortes e seguros no exercício de suas funções durante a pandemia. 

 

Felpuda


Mesmo sem ter, até onde se sabe, combinado com o eleitor, candidato a prefeito começou a apresentar nomes do seu ainda hipotético secretariado, pois parece estar convicto de que conseguirá vencer a disputa.

Os adversários dizem por aí que ele está muito distante de “ser um Jair Bolsonaro”, que, ainda na campanha eleitoral para presidente da República, já falava em Paulo Guedes para ser seu ministro de Economia. Como sonhar é permitido