Clique aqui e veja as últimas notícias!

MEIO AMBIENTE

Menos chuva e mais calor: como pode ser o futuro com aquecimento global

Pesquisa sugere clima severo no hemisfério sul se emissão de poluentes não parar
27/12/2020 11:30 - Ricardo Campos Jr


Dados de um estudo feito na Universidade de São Paulo mostram que o Brasil pode ter redução de até 30% no volume de chuvas nos próximos 30 anos graças a um aumento médio de 3°C na temperatura do planeta. Os cientistas apontam as mudanças climáticas como a causa do fenômeno, que segundo eles ainda pode ser revertido.

A análise se baseou na comparação com o período chamado de Piloceno médio, que aconteceu há cerca de três milhões de anos. A era é considerada a mais recente da história do planeta em que a evolução do calor global pode ser comparada aos cenários futuros. A diferença é que naquela época, ainda não havia registo do Homo sapiens caminhando pelo planeta. 

Dessa forma, os cientistas acreditam que é possível calcular as variações naturais esperadas no clima e diferenciá-las daquelas que são causadas pelo ser humano. 

É como se as variações no planeta fossem um grande ciclo que se repete de milhões em milhões de anos, embora o rumo dessa “lógica” seja alterado pelas atitudes da sociedade.

O artigo Drier tropical and subtropical Southern Hemisphere in the mid-Pliocene Warm Period foi publicado na Scientific Reports.

Conforme a análise, durante o Piloceno, as temperaturas ficaram entre 2°C e 3°C mais altas do que na era pré-industrial (por volta dos anos 1850). Já as temperaturas da superfície do mar em alta latitude aumentaram até 9°C no hemisfério Norte e mais 4°C no Sul. As concentrações atmosféricas de CO2 também eram semelhantes às de hoje, em cerca de 400 partes por milhão (ppm).

As simulações revelaram que há cerca de três milhões de anos, houve mudanças significativas que resultaram em pontos mais quentes e secos que o normal. A avaliação período histórico adiciona uma restrição a possíveis cenários futuros com mais calor associados a diferentes taxas de aquecimento entre os hemisférios.

Vale lembrar que no Piloceno as matas, como a Floresta Amazônica, eram muito mais extensas e ajudavam a controlar a umidade, balanceando o tempo seco em suas regiões. Hoje, além das áreas desmatadas, a quantidade crescente de queimadas só piora as projeções e as fazem cada vez mais perto da realidade.