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SAÚDE

Três meses após decreto, população ainda se recusa a usar máscara em Campo Grande

Apesar dos casos de coronavírus e das exigências da prefeitura para o funcionamento do comércio, empresários ainda têm dificuldade de convencer a população
28/09/2020 10:00 - Carol Alencar Cozzatti


A máscara e o álcool em gel se tornaram itens indispensáveis para o funcionamento de estabelecimentos comerciais em Mato Grosso do Sul.

 Porém, mesmo após três meses da publicação dos últimos decretos regulamentando as medidas de biossegurança ainda há cliente que se recusa a usar máscara, criando uma saia justa entre os comerciantes, que podem receber multa de até R$ 15 mil pelo descumprimento das orientações.

A microempresária Jéssica Espínola, proprietária do Orgânicos da Jé, reabriu o estabelecimento há duas semanas para atendimento ao público e já se deparou com um cliente negacionista. 

“Bem quando reabrimos, um cliente se negou a usar máscara dizendo que era desnecessário. Eu insisti dizendo que era obrigatório e que além de ser meu trabalho aqui também é a minha casa”, conta.

Obrigatoriedade

A máscara é um item de segurança obrigatório em todo o Estado de Mato Grosso do Sul, regulamentado por meio de decreto publicado em junho deste ano. 

Em Campo Grande, também foi determinado o uso do item de segurança em todos os espaços públicos e privados, ou seja, não tem como o empresário fugir da exigência.  

Para evitar o desconhecimento do decreto, o estabelecimento deve afixar cartazes informativos sobre a obrigatoriedade e a forma adequada de uso da máscara. 

Caso algum desses itens seja desrespeitado, o local corre o risco de perder o alvará de funcionamento como punição.  

Aqueles que se negarem a utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) poderão sofrer sanções da administração municipal, conforme a Lei Complementar nº 148, que instituiu o Código Sanitário Municipal, no qual estão previstas advertência e multa, que pode variar de R$ 100 (para casos leves) até R$ 15 mil (para gravíssimos).  

Para as áreas de alimentação, como restaurantes, cafés, bares, praças de alimentação e similares, “a utilização de máscaras não será exigida durante o consumo de alimentos e bebidas”.  

Para Jéssica, além de seguir o decreto, a máscara é importante para proteger os funcionários e o proprietário do estabelecimento, que depende da saúde para continuar a trabalhar. 

“Eu priorizo a vida, tanto a minha e de meus familiares quanto a dos meus clientes, não tem como permitir algo que vá nos prejudicar depois”, acredita. 

 
 

Abordagem delicada

O cuidado na abordagem com os clientes tem sido uma das preocupações dos proprietários de lojas desde a publicação do uso obrigatório de máscaras em estabelecimentos comerciais.  

No Brasil, por exemplo, foram registrados diversos desentendimentos e agressões físicas iniciados pela obrigação do uso de item de segurança.

Especialista em consumo e clientes secretos, a paulistana Stella Kochen Susskind revela que o assunto de consumidores negacionistas pede delicadeza. 

“Em vez de ser rude no primeiro momento, vamos abordar de maneira delicada esse cliente e tentar contornar a situação; tudo para não gerar nenhum ruído entre empresa e cliente e deixar ambos satisfeitos e seguros”, explica.

Stella cita como exemplo a postura adotada por uma empresa norte-americana em que um dos funcionários foi escalado para ser o “embaixador da saúde”, treinado especialmente para orientar os consumidores.

“Com uma comunicação eficiente, seguindo os protocolos básicos, avisos esclarecedores, informações baseadas em dados concretos, aos poucos, vamos modificando o comportamento desse cliente negacionista, sempre com gentileza, educação e empatia”, pontua.

Sobre episódios singulares, a especialista em consumidor finaliza: “caso a abordagem cautelosa não resolva, chamar a polícia é o último dos casos”.

 
 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!