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PANDEMIA

Ministério da Saúde investiga 20 casos de reinfecção em Mato Grosso do Sul

Segundo infectologista, casos de nova infecção devem ter intervalo de 90 dias entre 1º e 2º contágio
11/01/2021 11:00 - Ana Karla Flores


Ministério da Saúde investiga 20 casos suspeitos de reinfecção por coronavírus em Mato Grosso do Sul. Especialista explica que o teste para coronavírus deve dar positivo após 90 dias da primeira contaminação para ser considerado um caso de reinfecção.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), do total de 20 suspeitos, Campo Grande tem 10 casos, Corumbá tem quatro e Antônio João, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Ivinhema e Naviraí tem um caso cada.

A infectologista, Priscila Alexandrino, explica que é considerado reinfecção quando os testes RT-PCR dão positivos após o período médio de imunidade transitória, que é de 90 dias. 

“É considerado reinfecção quando a pessoa ficou boa, melhora dos sintomas e apresenta novamente os sintomas, febre, coriza, mal estar, tosse e ela faz um novo RT-PCR depois desse período e verifica que novamente está positivo”.

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De acordo com o Ministério da Saúde, a investigação para confirmar a reinfecção pela Covid-19 é feita a partir do sequenciamento do genoma completo viral, que pode identificar duas linhagens distintas em caso de uma segunda contaminação pelo vírus.

Para a confirmação da segunda infecção é necessário a análise do genoma, pois muitas vezes o teste identifica o mesmo vírus que permaneceu no organismo do paciente por mais tempo, mesmo que com uma baixa quantidade.

A estudante de biomedicina, Geiza Thais Monje, 21 anos, explica que teve resultado positivo para vírus da Covid-19 duas vezes em um período de três meses. Na primeira infecção, Monje apresentou sintomas como febre, tosse seca e forte dor de cabeça. 

“Fui ao médico, fiz o teste e deu positivo e os médicos passaram um coquetel para Covid-19. Eu tomei anti-inflamatório, remédio para garganta, antibiótico, que é o coquetel que os médicos da cidade decidiram dar”.

 
 

Após 10 dias do resultado positivo, os sintomas de Monje pioraram e ela retornou ao hospital. 

“Comecei a sentir dor de cabeça, falta de ar e perdi o paladar. Eles me passaram outros remédios, acabaram me dando outro coquetel de remédio. No 15º dia eu tive enjoo, tontura, minha pressão baixou e eu não conseguia comer e nem beber nada. Foram 15 dias que os sintomas foram oscilando”.

O segundo resultado foi uma surpresa, já que ela não sentiu nenhum sintoma e ficou mais atenta às medidas de biossegurança após o primeiro contágio. Monje fez o teste em dezembro como precaução, para encontrar a família para festas de fim de ano. 

Entretanto, seu caso não foi considerado reinfecção por conta da memória imunológica do organismo, que produziu células para combater o vírus infeccioso.

“Os médicos que avaliaram meu exame falaram que ele mostrou que eu tive contato com o vírus, mas por não ter apresentado nenhum sintoma eu não tive reinfecção do vírus, não tive capacidade de transmitir e não senti nada por conta do meu organismo ter combatido isso”, detalha.

Monje relata que foi bom ter feito o segundo teste e ficou aliviada com o resultado negativo para reinfecção. 

“Se eu não tivesse essa memória imunológica é provável que eu poderia ter tido uma reinfecção pelo que os médicos falaram. Antes eu já estava evitando tudo, realmente eu não saía de casa por medo de colocar as pessoas da minha família em risco e por medo de mim mesmo”.

Diagnóstico

O primeiro caso de reinfecção por Covid-19 ocorreu em uma profissional da área de saúde, na cidade de Natal. Ela teve a doença em junho, curou-se e teve o resultado positivo novamente diagnosticado em outubro, 116 dias após o primeiro diagnóstico.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que recebeu, no dia 9 de dezembro, um relatório do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz/RJ), com os resultados laboratoriais de duas amostras clínicas de, até então, um caso suspeito de reinfecção da doença pelo coronavírus.

Após análise das duas amostras enviadas ao laboratório houve a confirmação dos resultados via metodologia de RT-PCR em tempo real. O ministério disse ainda que o resultado reforça a necessidade da adoção do uso contínuo de máscaras, higienização constante das mãos e o uso de álcool gel.

Também foi confirmada a reinfecção de uma paciente baiana pelo novo coronavírus. A diferença deste, para os outros casos, é que se trata de uma reinfecção com a mutação do vírus, denominada E484K.

O diagnóstico foi repassado por pesquisadores do Instituto D’Or. Este é o primeiro caso do mundo de alguém infectado novamente, porém com a mutação. A paciente tem 45 anos e foi infectada uma vez em maio e outra em outubro. 

Nos dois episódios não apresentou evolução para quadros mais graves. A reinfecção foi confirmada por meio de teste laboratorial RT-PCR.

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