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MARIA DA PENHA

Morto ao atacar major da PM violentou primeira esposa por 12 anos, diz polícia

Delegada trabalha com a tese de legítima defesa, já que representante comercial invadiu casa da vítima armado com faca
21/02/2020 13:50 - Ricardo Campos Jr


 

O representante comercial morto depois de atacar a ex-namorada manteve a primeira esposa sob constantes episódios de violência doméstica por cerca de 12 anos. Hilário Bueno Carvalho, 52 anos, não aceitava o fim do relacionamento com uma major da Polícia Militar e invadiu a casa dela armado com uma faca com 30 centímetros de lâmina na tarde de ontem, mas a mulher reagiu e atirou na cabeça dele.

A delegada Fernanda Félix Carvalho Mendes disse, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (21), que a primeira vítima do relacionamento abusivo não chegou a registrar os casos, mas que está disposta a prestar depoimento para reforçar a tese de legítima defesa.

Hilário também tem passagens não relacionadas à violência doméstica. Ele já foi fichado por vias de fato em 2017, lesão corporal em 2016 e ameaça em 2012. Esses casos ajudam a polícia a traçar o perfil violento do agressor.

Além disso, o relacionamento com a major da PM terminou em setembro de 2019 depois que ele a espancou e manteve em cárcere privado por sete horas depois de passar o dia inteiro tendo crises de ciúme durante um churrasco com amigos. A agente levou o caso à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que conseguiu na Justiça medida protetiva.

Os oficiais não conseguiram encontrar Hilário para informá-lo pessoalmente, mas um edital tornou pública as restrições: o representante comercial não poderia manter contato ou ficar a menos de 200 metros da ex.

Isso não o impediu, contudo, de mandar mensagens ameaçadoras para ela, que poderão ser usadas como prova. "Inconformado com o fim do relacionamento, como a maioria dos casos de violência contra a mulher, ele tentava reatar de maneira abusiva e violenta", disse Fernanda.

 
 

O CASO

A major da PM chegou em casa e notou um cheiro estranho e sinais de que havia alguém na casa. Ela mora sozinha com o filho que tem mais de 18 anos, mas o jovem não estava no local. A vítima chegou o primeiro andar do sobrado e ao descer as escadas em caracol, deu de cara com Hilário, que segurava a faca.

O que aconteceu em seguida ainda é obscuro, já que a vítima ficou muito transtornada e está internada em um hospital particular de Campo Grande.

Vizinhos escutaram gritos da mulher e o barulho do disparo. A vítima saiu caminhando em choque pela rua pedindo socorro e entregou a arma, que pertence ao Estado e utiliza durante o serviço como PM, a um vizinho. “Ela mal conseguia falar, ficou muito nervosa”, disse a delegada.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e chegou a encaminhar Hilário para a Santa Casa, mas ele não resistiu.

A DEAM sustenta a tese de legítima defesa diante das evidências. Vizinhos e a própria vítima ainda devem ser ouvidos em momento oportuno.

 

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.