Cidades

De Caracol para a Copa 2014

MS fornecerá produtos derivados do leite para hotéis e restaurantes

MS fornecerá produtos derivados do leite para hotéis e restaurantes

Montezuma Cruz

27/02/2011 - 18h36
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Mato Grosso do Sul terá o privilégio de fornecer leite pasteurizado, iogurte, bebida láctea, achocolatados, queijo mussarela e hortaliças para hotéis e restaurantes que hospedarem atletas, dirigentes de futebol e turistas na Copa do Mundo de 2014. Isso é fruto da união de 650 famílias de pequenos agricultores filiados à Associação Comunitária de Desenvolvimento Artístico e Cultural de Caracol (Acodecol), a 389 quilômetros de Campo Grande, no Sudoeste do Estado, fronteira brasileira com o Paraguai.
A escolha feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) tira do isolamento essas pessoas responsáveis pelo êxito de um laticínio comunitário numa cidade com 5,4 mil habitantes, cuja área de 2,9 mil Km2 abriga 40 grandes proprietários rurais e 113 pequenos e médios produtores de leite, milho, feijão, mandioca, abóbora e frutíferas.
Na pré-seleção da chamada pública do Projeto Talentos do Brasil Rural – Agricultura Familiar, em outubro do ano passado, MDS analisou o potencial de diversas associações e cooperativas nacionais, desclassificando 126, das quais, cinco em Mato Grosso do Sul, a Acodecol foi aprovada com mérito em primeira convocação. A organização do projeto é do Serviço de Apoio a Micros e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul.
O laticínio recebe diariamente cinco mil litros de leite de vacas girolanda, cruzadas e holandesas que desembarcam em sua plataforma trazidos por motos, bicicletas e no lombo do burro.
Pelo jeito, a indústria terá que triplicar brevemente esse volume, a fim de atender o restante da clientela estadual. “Temos uma marca que começa a ficar conhecida. Não podemos nos contentar somente com a Copa do Mundo”, diz a prefeita Maria Odeth Constância Leite dos Santos (PR), que confiou no projeto desde o início. “Nossa obrigação é crescer, e crescer bem, com bases sólidas e apoio político”, propõe.
O Sebrae-MS cuidará da logística de transporte e da nova rotulagem, mas a saída dessa produção para fora do município ainda preocupa: o prometido caminhão-frigorífico até agora não chegou. “Houve um problema burocrático na compra, que esperamos solucionar dentro de dois meses”, comenta o presidente da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), José Antonio Roldão, um entusiasta do projeto.
Para quem estranha o nome da entidade, a vice-presidente, Liziane Bomfim Silva, explica que ela nada tinha a ver com a produção de laticínios: “Nosso negócio era outro (leia matéria nesta página), mas entramos com o firme pensamento de que o pequeno também pode ganhar com a Copa do Mundo, colocando produtos saudáveis nas mesas dos atletas, dos empresários e do público em geral.”
Um diagnóstico feito pela Agraer prevê que o MDS vai adquirir na Copa de 2014, via Ministério do Turismo e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 70 mil litros de iogurte integral da marca Caracolac, 150 mil litros de bebida láctea, 200 mil litros de leite, 50 mil litros de achocolatados, 20 toneladas de queijo mussarela e 90 toneladas de mandioca congelada.
A Acodecol antecipou a planilha de preços ao superintendente adjunto estadual da Conab, Samuel Alves: o litro do leite pasteurizado custa R$ 1,30; o litro do iogurte com polpa de frutas, R$ 4; a bebida láctea sabor frutas, R$ 2; o litro do achocolatado, R$ 2,50; o quilo do queijo mussarela, R$ 15; o aipim (mandioca), R$ 1,50; e o maço de hortaliças, R$ 1,50. Esse volume de compras movimentará cerca de R$ 2 milhões.
Por essa razão, a prefeita Maria Odeth criou alguns incentivos. Ela pediu ao presidente da Câmara Municipal, Dilvar da Silva Leite, a aprovação de um terreno para instalar neste semestre a inspeção da vigilância sanitária e a certificação de polpas, frutas e doces; ao mesmo tempo, ofereceu horas-máquina de tratores para apoiar a mandiocultura, a fruticultura e a melhoria das pastagens.
A diretoria da Acodecol, que incentivou a Escolinha de Futebol, levando o time a disputar a 2ª divisão profissional, tem um trunfo para ampliar suas ações de marketing: o associado Lucas Pezim, ninguém mais que o meio de campo titular da seleção brasileira. Fazendeiro em Caracol, ele é sobrinho do técnico veterinário Luiz Miguel Pezim. “Ele tem meios para divulgar a associação no Brasil e no Exterior”, acredita a prefeita.

SAÚDE

SUS vai vacinar profissionais de saúde contra dengue em fevereiro

Vacina será a de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan

18/01/2026 22h00

Profissionais que atuam na atenção primária à saúde de todo o país poderão ser imunizados, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV

Profissionais que atuam na atenção primária à saúde de todo o país poderão ser imunizados, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV Walterson Rosa/MS

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste domingo (18) que cerca de 1,1 milhão de profissionais que atuam na atenção primária à saúde de todo o país poderão ser imunizados, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV, com tecnologia 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante contra a arbovirose é o primeiro de dose única do mundo.

“São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue", anunciou o ministro da Saúde.

"Os primeiros cuidados são feitos pelos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais e equipes multifuncionais que estão cadastrados nas unidades básicas de saúde”, complementou.

O ministro explicou que a vacinação deste público será possível com a chegada de mais doses da Butantan-DV. O Instituto Butantan deve produzir e entregar até 31 de janeiro cerca de 1,1 milhão de doses adicionais desta vacina nacional contra a dengue, para garantir a imunização dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os anticorpos da Butantan-DV oferecem proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74% da vacina brasileira, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Produção de mais doses

O governo federal quer ampliar gradualmente a vacinação em dose única para todo o país, para pessoas de 15 a 59 anos, o que depende da disponibilidade de novas unidades da vacina Butantan-DV, que foram encomendadas no mês passado pelo Ministério da Saúde.

Para acelerar a fabricação em larga escala do imunizante, o ministro divulgou que o Instituto Butantan firmou uma parceria de transferência de tecnologia à empresa WuXi Vaccines, da China.

Com a parceria, a expectativa do Ministério da Saúde é que a produção chinesa da vacina com tecnologia brasileira seja ampliada em até 30 vezes.

“Eles [diretores da WuXi Vaccines] se comprometeram com um cronograma de produção e de entrega. Nossa expectativa é de termos, neste ano ainda, em torno de 25 a 30 milhões de doses [da vacina Butantan-DV]”, estimou o ministro da Saúde.

O titular da pasta prevê que à medida que cheguem as novas doses importadas, o próximo passo do governo brasileiro será realizar a vacinação nacional do público de 15 a 59 anos, começando pela população mais velha (59 anos) e avançando até o público mais jovem (15 anos).

“Na medida que a gente começa a ter uma grande produção, isso vai entrar no calendário oficial [de vacinação] de forma permanente”, projeta o ministro.

Para acompanhar a produção das doses da vacina desenvolvida pelo Butantã, em março deste ano, técnicos do Ministério da Saúde devem viajar à China. “A gente quer ver essas doses de vacinas o mais rápido possível aqui do Brasil”.

Alexandre Padilha explicou também que o Instituto Butantan já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fazer a avaliação da vacina Butantan-DV no público com mais de 60 anos e já começou o recrutamento de voluntários deste público.

“Nós estamos otimistas que também seja uma vacina segura para quem tem mais de 60 anos de idade, o que vai ser muito importante para o combate à dengue”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A declaração foi dada pelo ministro em Botucatu (SP), no início da campanha de vacinação em massa da população de 15 a 59 anos deste município. A iniciativa piloto ocorre também nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), desde o último sábado (17). O objetivo é avaliar o impacto da imunização com o novo imunizante.

“Não tenho dúvida nenhuma que essa vacina 100% do Butantan pode ser uma grande arma internacional para combater a dengue em outros países no mundo”, disse Alexandre Padilha.

QDenga em todo o país

Para o público de 10 a 14 anos, o SUS oferece gratuitamente o imunizante internacional QDenga, com esquema vacinal de duas doses. 

O Ministério da Saúde afirma que o Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público de saúde.

Neste domingo (18), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha anunciou a ampliação para todo o país da aplicação da vacina japonesa para esta mesma faixa etária. A expansão ocorre a partir da aquisição de mais estoques da farmacêutica japonesa Takeda.

"A gente comprou 9 milhões de doses, para 2026; mais 9 milhões de doses, para 2027. Ao todo 18 milhões [de doses]. O que permite que a gente possa distribuí-la em todos os municípios brasileiros.”

Aprovada em 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a QDenga foi inicialmente disponibilizada em 2024 às crianças e adolescentes de 2,1 mil municípios considerados prioritários pelo governo do Brasil.

Com o aumento dos estoques, a vacinação da QDenga será feita em unidades básicas de saúde (UBS) do SUS dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros, exclusivamente ao público de 10 a 14 anos.

O ministro contabiliza que foram distribuídos e aplicados no Brasil, em 2024 e 2025, cerca de 10 milhões de doses da QDenga para o público infanto-juvenil.

INTERNACIONAL

Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

Afirmações estão no jornal The New York Times deste domingo

18/01/2026 21h00

Afirmações estão no jornal The New York Times deste domingo

Afirmações estão no jornal The New York Times deste domingo Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a "captura" do presidente do país, ocorridos no início de janeiro, representam “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.

No texto, Lula critica o que classifica como ataques recorrentes de grandes potências à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Segundo o presidente, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.

Lula afirma ainda que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o sistema global.

“Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, escreveu.

Para o presidente, “sem regras coletivamente acordadas, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas”.

Democracia

No artigo, Lula reconhece que chefes de Estado ou de governo, “de qualquer país”, podem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais.

No entanto, ressalta que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”. Segundo ele, “ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.

O presidente afirma ser “particularmente preocupante” que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe.

Segundo Lula, elas levam “violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”.

Ele destaca que, “em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos”.

Ao tratar da região, Lula afirma que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, “têm seus próprios interesses e sonhos a defender”. Em um mundo multipolar, “nenhum país deveria ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade”.

"Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos” e defende que “construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que nos serve”.

Agenda regional

Lula também defende, no artigo, a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas.

“Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comércio dentro da região e com países de fora dela”, afirma. Segundo o presidente, “a cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas”.

Sobre a Venezuela, Lula afirma que “o futuro do país, assim como o de qualquer outro, deve permanecer nas mãos de seu povo”.

"Apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”.

Cooperação

No texto, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para “proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada” e aprofundar a cooperação bilateral.

Ao tratar da relação com os Estados Unidos, o presidente afirma que Brasil e EUA são “as duas democracias mais populosas do continente americano”. Segundo Lula, “unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir”.

“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.”

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