Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

VÍRUS AVANÇA

"Muito pouco", dizem médicos sobre novo decreto de Dourados

Após receber ‘ultimato’ do Ministério Público, prefeitura publicou decreto com novas medidas
16/06/2020 10:00 - Daiany Albuquerque


A prefeitura de Dourados publicou nesta segunda-feira (15) o decreto 2.664, que estabeleceu “medidas restritivas às atividades e serviços essenciais e não essenciais”, por conta do avanço da pandemia da Covid-19 na cidade, que se tornou o epicentro da doença em Mato Grosso do Sul. A determinação, entretanto, fecha apenas igrejas e mantém o comércio funcionamento. Para médicos e autoridades em saúde, isso não basta para conter o avanço do novo coronavírus.

O decreto, além de determinar o fechamento das igrejas, torna obrigatório para todos a utilização de máscaras em Dourados “nos passeios e espaços públicos e em todos os estabelecimentos comerciais, sob pena de infração ao art. 268 do Código Penal”.

Entretanto, para o médico infectologista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Julio Croda, essas medidas não impacto na curva de crescimento dos contaminados na cidade, que tem dobrado de tamanho a cada semana.

“É muito pouco, a cidade precisa de mais medidas. Essas vão impactar muito pouco na quantidade de casos, até porque a prefeitura não tem capacidade de fiscalizar se todas pessoas estão usando máscara ou não e se depender da colaboração da população a gente já viu não vai conseguir”, avaliou o também pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para o médico, como o crescimento da doença já chegou em um grau. avançado de contágio, apelas a quarentena seria eficaz. “O mais recomendado é o lockdown, se não daqui a alguns dias já não vai ter mais UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e o efeito só será sentido daqui duas semanas dessas medidas tomadas. Tem que fechar comércio não essencial, ou fecha ou não vai ter leitos”.

A mesma posição tem um infectologista de Dourados, que preferiu não se identificar. “Dourados precisa ser feito algum distanciamento social e esse decreto que foi publicado é muito fraco. Tirar as igrejas e manter o resto não vai aumentar o isolamento”, afirma.

O médico lembra que um parecer da Sociedade de Infectologia foi feito e encaminhado ao Ministério Público. No documento, a entidade pedida medidas “mais agressivas” no enfrentamento a Covid-19, como o fechamento do comércio por 15 dias. “Daqui 10 dias nós vamos ver impacto dessas medidas tomadas agora, mas vai ser pequeno, o melhor seria o fechamento da cidade por 15 dias, enquanto as coisas estão abertas as pessoas saem. Para que manter academias abertas? Não é serviço essencial, quem vai fiscalizar se estão cumprindo os 30%?”, indaga o profissional.

De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, as medidas aplicadas pela prefeitura de Dourados podem contribuir, mas ele faz ressalvas. “As medidas isoladamente podem dar contribuição, mas não para o controle do surto epidêmico. Outras medidas que vão ser discutidas internamente devem ser tomadas para evitar que haja descontrole na região e consequentemente colapso no sistema de saúde nos próximos dias”.

Perguntado sobre quais medidas seriam essas, o secretário afirmou apenas que elas serão conversadas internamente primeiro e não por meio da imprensa, mas salientou que governo do Estado e prefeitura tem trabalhado junto durante a pandemia.

“Nossa equipe técnica está em contato diariamente com a secretaria das cidades, e precisamos que eles nos digam quais necessidades reais que eles tem para que possamos atender. O Estado já cedeu servidores para ajudar o município e queremos que a Vigilância Epidemiológica e a Atenção Primária em Saúde façam o monitoramento dos casos e contatos, mas não é só isso que irá conter a curva, necessitamos de medidas restritivas que tem que tomar nessa situação, mas a gente respeita a autoridade do município”, declarou Resende.

Medidas

Além da obrigatoriedade no uso de máscaras e do fechamento das igrejas, o decreto também traz limitação para o funcionamento de academias e hotéis. No caso das academias, elas poderão funcionar com 30% de sua capacidade, já os hotéis deverão funcionar com até 50%.

O decreto também veda aglomeração de pessoas “em qualquer recinto, inclusive em suas residências, sob pena de infração ao art. 268 do Código Penal. Parágrafo único: Entende-se por aglomeração quando houver reunião com número maior de pessoas do que os residentes no local”, diz trecho do documento.

A Guarda Municipal também foi autorizada a fechar os estabelecimentos que desobedecerem o decreto. “O descumprimento das medidas complementares acarretará na suspensão dos alvarás conforme art. 186 da sem prejuízo das multas aplicadas que de acordo com o art. 186, da Lei Complementar nº 205, de 19 de outubro de 2012”.  

Outra determinação é a ampliação para quatro a quantidade de barreiras sanitárias nas entradas da cidade de Dourados, como forma de prevenir o contágio pelo novo coronavírus.

O comércio, entretanto, continua funcionamento normalmente na cidade e não há previsão de novo fechamento.

A medida é válida por 15 dias e foi publicada porque na semana passada o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu 48 horas para que a prefeitura do município apresentasse as medidas tomadas no combate à Covid-19 na cidade. Na manifestação do promotor Ricardo Rotunno, ele deixa entendido que os dados podem ser usadas para possível ação civil pública na Justiça caso veja necessidade e que, caso eles não fossem fornecidos, a prefeita Délia Razuk (PTB) poderia até ser presa pela omissão.  

FLEXIBILIZAÇÃO

O comércio de Dourados foi reaberto no dia 7 de maio deste ano, após passar alguns dias fechado. Depois desse flexibilização, a cidade passou de 19 casos no dia 11 daquele mês para 64 confirmados e vem dobrando os dados a cada semana desde então.

 

Felpuda


Mesmo sem ter, até onde se sabe, combinado com o eleitor, candidato a prefeito começou a apresentar nomes do seu ainda hipotético secretariado, pois parece estar convicto de que conseguirá vencer a disputa.

Os adversários dizem por aí que ele está muito distante de “ser um Jair Bolsonaro”, que, ainda na campanha eleitoral para presidente da República, já falava em Paulo Guedes para ser seu ministro de Economia. Como sonhar é permitido