Cidades

TESTEMUNHO

Músico da Capital relata momentos com família em Teresópolis

Músico da Capital relata momentos com família em Teresópolis

VIVIANNE NUNES

17/01/2011 - 10h47
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O músico Rafael Augusto Coudzi de Farias, 24 anos, mora em Campo Grande e está na casa da família em Teresópolis, cidade na região serrana do Rio de Janeiro afetada pelas enchentes e desmoronamentos de terra dos últimos dias, relatou por telefone ao Portal Correio do Estado os dias de pavor que tem vivido ao presenciar os fatos ocorridos. “Estamos em um local seguro, estável, mas eu me sinto bem abalado com tudo. São oito dias aqui, oito dias de chuva constante e mortes. O clima é bem pesado, mas estamos bem”, afirmou.

Rafael não visitava o local onde moram a mãe, a irmã, o cunhado e o sobrinho há três anos e as tragédias começaram a ocorrer ainda na madrugada do dia em que chegou. “O local onde estamos fica no alto do morro, mas é seguro. Apesar disso, a preocupação é uma constante. Não tem como dormir tranquilo. Há pessoas que moravam perto de nós e que perderam tudo, inclusive a família”, explica.

O músico diz que as histórias se misturam e acabam sendo comum à todos. “Um amigo nosso perdeu a família toda, esposa, dois filhos (…) Parece que estamos vivendo numa guerra”, desabafa.

Enterrados em valas comuns, os mortos da maior catástrofe ocorrida em toda a história do Rio de Janeiro já somam mais de 600 vítimas. “As coisas não aconteceram em um dia só. Elas vêm acontecendo todos os dias e até ontem não tinha parado de desmoronar ainda”, relata Rafael, que pretende voltar à Capital na quinta-feira. “Eu vou se tudo estiver normalizado. Hoje parece que o dia está calmo aqui, parou de chover, mas só volto para casa se tiver tudo bem mesmo”, argumentou.

De onde está, no alto do morro da Vila Muqui, Rafael diz que dá para observar bem os estragos provocados. “Aqui de cima dá pra ver algumas ruas que foram interditadas lá em baixo, casas destelhadas ou que não existem mais, ruas que sumiram em meio a toda lama. Nas ruas há pessoas chorando o tempo todo, procurando crianças desaparecidas em meio a água, ao lamaçal. É um verdadeiro terror o que estão passando”, lamenta o músico.

Ele relata ainda que esteve no centro da cidade, no ginásio onde estão desabrigados e voluntários fazendo doações. “Ajudamos durante toda a semana e também fomos até o bairro da Tijuca onde tem uma outra central de voluntariado, mas há muitas pessoas ajudando. O problema principal é o racionamento de água. A previsão era voltar hoje ou amanhã, mas por enquanto não voltou. A luz também oscila muito mas diante da catastrofe que presenciamos ficar sem água ou luz é o de menos”, explicou.

Rafael diz que sempre esteve preocupado com a estrutura do local. “Mas agora que eu estou aqui vejo que é seguro”, afirma referindo-se a casa onde mora a irmã e a família”. O fato, segundo ele, despertou de uma maneira muito forte a solidariedade nas pessoas. “As casas parecem albergues”, conta.

Sobre deixar a família e retomar a vida na Capital onde mora, Rafael diz que não vai ser fácil, mas que também não tem como simplesmente tirar a família toda de lá. “A casa onde minha irmã vive é dela, não é porque aconteceu uma vez que as pessoas precisam parar as vidas, temos que continuar adiante. Eu não posso entrar em desespero se não piora a situação”, afirmou. A casa onde mora a mãe de Rafael fica há três quadras do endereço da irmã e está em área interditada pela Defesa Civil por ser considerada área de risco, mas ela diz que pretende voltar logo que o risco chegar ao fim, enquanto isso passa os dias na casa da filha.

A comunicação pode ser feita apenas pelo telefone celular e mesmo assim as ligações falham o tempo todo por conta dos helicópteros que sobrevoam constantemente a região. “A cidade toda parou. Não tem comércio, não tem nada. Um dia antes de tudo acontecer a gente tinha ido ao mercado, mas o estoque de comida já está chegando ao fim e estamos racionando tudo. Água, comida e até roupa, porque não tem como lavar. Vivemos como se fosse uma guerra. O terror, o pavor é o mesmo”, finalizou.

Cidades

Criança de 2 anos é resgatada pela PRF andando sozinha às margens da BR-060

Pai procurava pelo filho nos arredores da fazenda da família; criança foi entregue em segurança

20/06/2024 10h15

Bruno Henrique/Arquivo Correio do Estado

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou uma criança de 2 anos que andava sozinha na BR-060, em Sidrolândia, município 70 km distante de Campo Grande.

Segundo a PRF, um homem se apresentou na Unidade Operacional relatando ter visto a criança sozinha, caminhando às margens da rodovia. Os agentes saíram então em busca da criança, que foi prontamente resgatada.

Todos os cuidados foram tomados, e o Conselho Tutelar e a Polícia Civil de Sidrolândia informados.

A equipe decidiu retornar então ao local onde a criança foi encontrada, levando-a na viatura. Durante a ronda na região, em uma estrada vicinal, um homem avistou a viatura e foi correndo ao encontro dela para informar os policiais sobre o desaparecimento do filho.

"Ao descobrir que a criança estava na viatura, o pai ficou emocionado e abraçou o filho", diz nota da PRF.

Os policiais acompanharam o homem, com o filho, até a fazenda onde ele morava com a esposa. No local, uma equipe do Corpo de Bombeiros aguardava. Mãe e filho foram encaminhados para a realização de exames.

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MEIO AMBIENTE

Incêndios no Pantanal podem ultrapassar recorde de 2020

Projeção feita pelo Lasa/UFRJ mostra que há chance de área devastada neste ano se igular ou ser superior a 3,6 milhões de hectares, valor recorde do bioma

20/06/2024 09h45

Bombeiros atuam para apagar incêndios em várias regiões do Pantanal de Mato Grosso do Sul

Bombeiros atuam para apagar incêndios em várias regiões do Pantanal de Mato Grosso do Sul Foto: Divulgação / Corpo de bombeiros

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Modelo apresentado pelo Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais (Lasa), do departamento de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em reunião com membros do governo do Estado e governo federal, mostra que vários fatores podem colaborar para que o Pantanal tenha neste ano uma área afetada pelos incêndios igual ou superior a que foi devastada em 2020, de 3,6 milhões de hectares.

Os incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso este ano já ultrapassaram o dobro de área afetada em comparação com os seis primeiros meses de 2020. Até a última segunda-feira (17) haviam  sido consumidos pelo fogo 502.650 hectares, valor 101,7% superior a do mesmo período do ano recorde, quando foram 249.125 hectares.

O alerta foi apresentado na terça-feira ao Secretário Extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima, ao titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) Jaime Verruck, ao secretário-executivo da Pasta de MS, Artur Falcette, e aos outros membros da Centro Integrado de Prevenção e Combate do Estado.

De acordo com Falcette, os modelos foram construídos através de dados meteorológicos e acúmulo de matéria seca no bioma e também leva em conta uma possível inércia do poder público, o que não deve acontecer.

“Esses modelos apresentam alguns cenários de possibilidades, e o pior deles, levando como referência o ano de 2020, que é o pior de todos, e contando que este ano a gente tem condiçoes de seca piores que naquele ano, mostra que a gente pode ter uma iguldade ou superioridade de área queimada em relação a 2020”, explica o secretário-executivo.

“Mas esses modelos eles não olham para as a estrutura atual e para o avanço do uso da tecnologia, nem  para o número de homens empregados, nisso todo houve grandes avanços, então, se a gente não fizer nada,  pode ser pior. Então nós discutimos nessa reunião o tamanho do desafio que temos, pensando em um plano de controle, mas não só para este ano, mas para os próximos também”, completou Falcette.

Entre as condições que fazem de 2024 um ano mais suscetível aos incêndios está a seca prolongada e a escassez hídrica na bacia do Rio Paraguai, decretada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

“Apesar de termos evoluído bastante em investimentos, temos alguns pontos de dificuldade diferentes de 2020. Estamos vindo de uma seca prolongada, são mais de 30 dias sem chuvas na região, o nível dos recursos hídricos estão muito baixos, o Rio Paraguai tem o nível mais baixo da última década e isso dificulta até chegar de barco em alguns pontos onde há queimadas”, contou o secretário-executivo. 

Até a captaçaõ de água com o avião Air Tractor do governo do Estado, em alguns pontos do rio, está impossibilitado pelo baixo nível de navegabilidade do Paraguai.

PONTOS POSITIVOS

Após os incêndios de 2020, que consumiram 3.632.675 hectares no Pantanal, valor recorde até hoje no bioma, o governo do Estado tomou diversas medidas para tentar evitar que novas situações como essa fossem registradas.

Além do aumento no valor do repasse para essa finalidade, a criação de 13 bases do Corpo de Bombeiros no inteiror do Pantanal tem surtido efeito, conforme o secretário-executivo da Semadesc.

“O plano do Corpo de Bombeiros está em prática e as 13 bases avançadas estão em operação e identificamos que em nenhuma das localidades onde estão essas bases houve foco de incêndio”, relatou Falcette.
Com o avanço das queimadas no bioma, que segundo o Secretário Extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, são em sua maioria causadas por ação humana, o governo do Estado pediu colaboração tanto do governo federal, como de outros atores que possam colaborar com as forças empregadas no momento.

“Já fizemos o pedido de ajuda ao governo federal e aguardamos a resposta, mas também ainda não chegou a ajuda do Exército e da Marinha, que foi solicitado ao Ministério da Defesa. Também estamos levantando quais são as necessidades para entrar em contato com outros estados”, disse Falcette, lembrando que em 2020 vários estados brasileiros ajudaram no controle das chamas.

MULTAS

Segundo o governo do Estado, desde 2020 até agora foram aplicadas 94 autos de infração feitos pelos órgãos de fiscalização ambiental do Estado por incêndios florestais considerados criminosos no Pantanal, que resultaram em R$ 53,8 milhões de multa. Cada auto representa uma área queimada, que pode compreender milhares de hectares.

O valor da multa depende da área queimada. Em 2020, quando cerca de 45 mil km² foram atingidos, 11 infrações que somaram R$ 24,2 milhões foram aplicadas. Já em 2024, até este mês de junho, são 21 autos de infração, somando R$ 10 milhões em multas, conforme a Polícia Militar Ambiental (PMA).

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