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HOSPITAL DE CÂNCER

Mutirão de radioterapia é alívio mesmo para quem ainda não começou as sessões

Havia pacientes que esperavam há meses pelo procedimento
09/02/2020 15:59 - Ricardo Campos Jr


 

Quem ficou meses esperando na fila da radioterapia encontrou alívio neste fim de semana no Hospital de Câncer Alfredo Abrão. Neste sábado (8) e domingo (9) começou o mutirão para desafogar a fila de 239 pacientes que aguardavam o procedimento.

Nem todos passaram pela sessão de imediato. Alguns tiveram consulta para definir todo o cronograma de tratamento. Joyce Carvalho de Oliveira Souza acompanhava o pai Antônio Carlos de Souza, 68 anos, que luta contra um câncer na boca. Desde outubro eles aguardam o início da radioterapia recomendada pelos médicos.

“Na própria consulta o médico estava dando até seis meses para o início do tratamento, tamanha era a fila. Hoje vamos passar pela avaliação inicial e saber quantas sessões ele vai precisar, que só são feitas em Campo Grande. Existe transporte gratuito da nossa cidade para levar os pacientes que necessitam desse tipo de tratamento”, disse ao Correio do Estado.

Os atendimentos estavam marcados para a manhã deste domingo, mas durante a tarde ainda havia algumas poucas pessoas aguardando as consultas. Em alguns casos, os médicos pediam exames complementares que eram feitos de imediato.

Christian Cremonezi Flávio Simões, 25 anos, luta desde 2015 contra um câncer perto dos rins. Ele chegou a fazer cirurgia para remoção, mas o crescimento anormal das células voltou a ser identificado no fim de 2019. A quimioterapia já reduziu mais da metade do tumor, porém na semana passada o médico disse que seria necessário partir para a radioterapia.

Ele teve medo de ficar meses na fila, já que o caso é considerado urgente, e procurou a Defensoria Pública Estadual na sexta-feira passada já prevendo que seria necessário abrir uma ação para obrigar o poder público a garantir o atendimento.

“Nem sabia que seria tão rápido. Logo me ligaram e informaram sobre esse mutirão, agendando o horário para o atendimento”, explicou.

 
 

A secretária Geosinalda da Conceição, 27 anos, tem um sarcoma na coxa direita. Ela removeu o tumor e o médico recomendou radioterapia para garantir a eficácia do tratamento. O encaminhamento para essa consulta inicial foi dado no dia 21 de janeiro e ela também conseguiu resposta rápida com esse mutirão.

Neste fim de semana a previsão dos organizadores do mutirão era atender aproximadamente 70 pacientes da Capital. O maior volume de consultas transcorre no período da manhã, ficando para tarde poucos pacientes. A programação deverá se repetir na semana seguinte (15 e 16 de fevereiro), com pacientes do interior do Estado, embora algumas pessoas de outros municípios já tenham sido atendidas hoje.

Nesse primeiro mutirão, atuarão quatro médicos radiologistas e dois oncologistas, que estarão em contato direto com os pacientes, acompanhando-os de perto.

O programa atuará em três frentes. Além de zerar a fila, prevê a disponibilização de consultas, cirurgias, exames e diagnósticos aos pacientes com suspeita de câncer, para que seja averiguada a necessidade de radioterapia.

Ano passado, a Justiça julgou parcialmente procedente ação civil pública movida pela Defensoria Pública, determinando que o governo do Estado e a prefeitura mantenham pacientes na fila de espera para tratamento de radioterapia pelo prazo máximo de 60 dias, sendo indenizados os que esperassem além do tempo estipulado.

O valor da indenização poderia chegar até R$ 60 mil por danos morais, em razão da sentença proferida na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Capital. Não há informações se de fato a prefeitura ou o governo pagaram alguma indenização, já que eles poderiam recorrer da decisão judicial.

 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.