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MATO GROSSO DO SUL

Nível do Rio Paraguai continua em queda e chega a 00 cm em Ladário, aponta boletim

Diagnóstico faz parte do boletim do Serviço Geológico do Brasil
12/09/2021 10:44 - Rafaela Moreira


O nível do Rio Paraguai, em Ladário (MS), continua em queda durante esse período de estiagem e na sexta-feira (10) chegou a 00 cm. Esse é o menor valor registrado considerando toda a série histórica de dados, desde 1965, conforme o monitoramento hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).

Pelo segundo ano consecutivo, a cheia do rio Paraguai, que drena a Bacia do Alto Paraguai e o bioma Pantanal,  não ocorreu e não há sinais de melhora significativa nos níveis de água em decorrência da crise hídrica. O local vem apresentando valores de nível d’água significativamente abaixo da média.

Com tendência de declínio de seu nível até o mês de outubro, quando normalmente termina o processo de vazante, o rio Paraguai preocupa em todas as estações monitoradas pelo (SGB-CPRM).

Até a última sexta-feira (10), Porto Murtinho estava com 124 centímetros; Porto Esperança -088 cm e com Forte Coimbra -111 cm. No entanto, a previsão é que no dia 1º de outubro, a régua de Ladário chegue a -40 centímetros. A máxima alcançada neste ano na mediação na região foi em abril, com 1,88 metro.

Na época de inverno e de seca, em julho e agosto, o ideal seria que o rio atingisse a marca dos 4,5 metros. Nos períodos mais abundantes, o nível chega a superar 5 metros próximo de Corumbá. Em 2018, o pico chegou a 5,35 metros.  

De acordo com o boletim, a tendência é que se mantenha assim até o fim do mês. Nas estações em Bela Vista do Norte, Porto São Francisco, Ladário, Forte Coimbra e Porto Murtinho, por exemplo, o nível d’água continuou permanecendo na zona de atenção para mínimas.

Últimas notícias

Na última sexta-feira (10), o secretário de Estado de Infraestrutura, Eduardo Riedel, apontou que as últimas chuvas registradas em Mato Grosso do Sul foram acalentadoras, pois ajudaram a controlar a escassez na disponibilidade de água para abastecimento.

"As chuvas que tivemos essa semana e as que estão previstas para retornar este mês é um acalento no que diz respeito à disponibilidade de água para abastecimento, já é uma mudança importante", destacou o secretário.

Nos últimos sete dias na bacia do rio Paraguai, estimativas de chuvas por satélite, utilizando o modelo MERGE/INPE, indicaram acumulados de 14.5 mm.

De acordo com o levantamento, para as próximas semanas estão previstas pequenas precipitações na área da bacia do rio Paraguai, com a incidência de pequenos acumulados de chuva distribuindo-se aleatoriamente sobre toda a área do rio. 

Nas estações de Bela Vista do Norte, Porto São Francisco, Ladário, Forte Coimbra e Porto Murtinho, o nível d’ água continua permanecendo na zona de atenção para mínimas (abaixo da cota de permanência de 90%).

Impactos da estiagem

A bacia do rio Paraguai abrange uma das maiores extensões de áreas alagadas do planeta: o Pantanal.

A falta de chuva na região traz consequências não apenas ambientais, mas também para a navegação no rio, já que nos próximos dias a régua tende a baixar ainda mais, o que pode inviabilizar o uso da hidrovia para transporte de cargas e prejudicar o escoamento de produções, como antecipou o Correio do Estado em matéria publicada em julho.

Outro problema que ronda a região é o abastecimento de água. Alguns municípios estão planejando captação de água alternativa com o uso de bombas móveis.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou uma “anomalia de precipitação” na região do Pantanal, com deficit de chuva em torno de 40% desde outubro de 2020.  

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