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COVID-19

No epicentro da doença, indígenas já são 18% dos casos de Dourados

A cidade ultrapassou Campo Grande e agora é o município com maior número de testes positivos de MS
03/06/2020 08:00 - Daiany Albuquerque


 

O município de Dourados e toda sua região é a que mais preocupa no momento o Governo do Estado em função da quantidade crescente de casos confirmados do novo coronavírus. Somente a cidade tinha, até a manhã desta terça-feira (2), 339 episódios da doença, sendo que desses, 18% eram entre índios.

Conforme boletim divulgado pela própria secretaria, 62 casos foram confirmados em reservas indígenas da cidade, mas a administração, porém, não informa em seus boletins quantos são os casos suspeitos nesses locais.

Dourados tem a maior reserva indígena de Mato Grosso do Sul, com cerca de 15 mil índios (conforme dados de 2014 da Secretaria Especial de Saúde Indígena – Sesai). Vivendo em um espaço pequeno, essa população é considerada de grande risco, por conta da possibilidade de proliferação rápida da doença.

Segundo o médico Ricardo do Carmo, que faz parte do Comitê de Combate ao coronavírus em Dourados, a administração tem colaborado com a Sesai nas ações para combater a Covid-19 nessas localidades. “Temos auxiliado no afastamento imediato de indígenas que trabalham em empresas com casos. Trabalhamos para a implementação de 21 leitos no Hospital da Missão, pelo isolamento dos mais vulneráveis na casa do cursilho”, comentou o profissional.

O primeiro caso confirmado na Reserva de Dourados, a maior do país foi constatado no dia 13 de maio, e rapidamente esse número cresceu e atingiu os 62 no dia 21 do mesmo mês, ou seja, média de três casos confirmados por dia. Nesses dois dias de junho não houve novos casos confirmados entre os índios.

Para o infectologista Rivaldo Venâncio, que atua na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o mais prudente a se fazer é aumentar a testagem. “Não se encontra o que não procura. Ficamos numa sensação de que está sob controle, quando não está”.

Conforme dados mais recentes do Ministério da Saúde, ao todo no Estado são 76 indígenas infectados pela doença e outros 15 casos suspeitos. Em todo o Brasil são 1371 episódios da Covid-19 e outros 387 sem resultado dos exames.

Por conta dessa crescente em Dourados e no Estado, o Ministério Público Federal chegou a ingressão com ação na Justiça Federal pedindo que a União seja obrigada a adquirir e distribuir equipamentos de proteção individual (EPIs) ao Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (Dsei-MS). O órgão pedia ainda multa diária de R$ 50 mil, em caso de descumprimento de eventual ordem judicial.  

A Justiça de Dourados, entretanto, negou liminar e afirmou que irá ouvir o Governo Federal para decidir sobre ação.  

Casos

A quantidade de casos em Dourados ultrapassou nesta terça-feira os episódios em Campo Grande, que tem 324 confirmações, segundo dados da tarde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Essa mudança impressiona pela diferença na quantidade de habitantes de cada cidade. Enquanto a Capital tem 895.982 pessoas, a cidade do interior contabilizar 222.949 habitantes. Isso significa uma taxa de incidência muito maior.

Enquanto Campo Grande tem incidência de 36 casos a cada 100 mil habitantes, Dourados ficou com 152 de taxa. Sendo a oitava maior entre todas as cidades do Estado. A Capital é a 21ª.

Para a secretária de Saúde de Dourados, Berenice Machado, isso não significa que a cidade seja o novo epicentro da doença em Mato Grosso do Sul. “Estamos tentando mais que Campo Grande”, argumentou. Entretanto, a cidade tem menos testes disponíveis da Covid-19. A média diária lá são de 100 exames, enquanto a Capital realiza, pelos menos, 140 por dia.

Conforme o membro do Comitê, essa discrepância pode ser explicada pela forma com que eles estão fazendo os exames na cidade. “Nós montamos uma estrutura de atenção primária, que atende apenas síndromes gripais e faz com que tenhamos uma listagem mais efetiva. O que estamos fazendo aqui talvez se assemelhe com o modelo alemão de testagem”, acredita Carmo.

Porém, para Venâncio, a situação de Dourados é “preocupante”. “Quando você tem quase cinco vezes mais incidência de casos numa cidade pequena, é grave. Temos que ter cautela, calma e olhar os números, porque pode ter coisa muito mais grave por vir”, diz.

 

DOAÇÃO DE MÁSCARA

Os indígenas residentes nas aldeias de Dourados vão receber essa semana um novo lote de 10,4 mil máscaras, doadas pela Energisa. Na semana passada, o secretário estadual de Saúde Geraldo Resende, entregou no Polo Base de Saúde Indígena douradense, outras 10 mil unidades, totalizando 20.450, de um total de 65 mil compromissados pela empresa de energia.

 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!