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GAFANHOTOS

Nuvem de gafanhotos: origem, riscos e como se proteger deste fenômeno

Formação com milhões de insetos tem colocado em alerta governos dos países latinos
05/08/2020 14:00 - Fábio Oruê


E se no meio de uma pandemia mundial alguns países também tivessem que enfrentar uma nuvem de gafanhotos que está causando destruição e prejuízos em plantações? 

Alguns países da América Latina estão de fato enfrentando uma nuvem de gafanhotos, que podem viajar até 150 quilômetros por dia. 

Países como Argentina, Paraguai, Uruguai e até o Brasil tiveram que prontamente combater o fenômeno, que chega a ser formado por milhões de insetos, para minimizar os danos ou prevenir possíveis prejuízos aos produtores. 

Esse fenômeno já é conhecido, mas nem sempre atinge proporções como as que repercutiram no noticiário este ano. Informações do Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) trazem relatos de nuvens com cerca de 400 milhões de insetos.

“Algumas espécies de gafanhotos possuem naturalmente a capacidade de formar nuvens, seja em ambiente alterado ou não pelo homem. No caso da espécie Schistocerca cancellata esse aumento exponencial no número de indivíduos é conhecido e cíclico, mas nem toda às vezes atinge as proporções que noticiamos recentemente e que causaram tanto alerta por parte das autoridades governamentais competentes”, disse o biólogo e mestre em Biologia Animal, Renan Olivier. 

Apesar de ainda não ter chegado ao Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina devido ao risco de surto da praga.

A portaria foi publicada no Diário Oficial da União no dia 25 de junho deste ano e tem validade de um ano, para caso os gafanhotos atravessem a fronteira com o país, as autoridades tenham respaldo para o combate. 

Entenda porque este fenômeno ocorre, onde os insetos surgiram, seus potenciais estragos, formas de se proteger e tudo que é conhecido sobre essa nuvem de gafanhotos. 

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Como se forma a nuvem de gafanhotos?

Segundo Olivier, essa espécie de gafanhoto possui a capacidade de mudança de comportamento, podendo passar da fase solitária para fase gregária, quando se agrupam (e vice-versa) entre as gerações. Essa transição acontece devido a mudanças fisiológicas estimuladas por fatores como baixa umidade e elevada temperatura. 

“Após um aumento exponencial no número de indivíduos em uma mesma localidade, esses têm a tendência de se agruparem e como é esperado, essa grande população de gafanhotos necessita de uma quantidade considerável de alimento”, explicou ele ao Correio do Estado

Depois destas duas etapas eles começaram a migração e neste momento formam as conhecidas “nuvens”. 

Na fase em que os gafanhotos estão agrupados, esta espécie desenvolve uma série de adaptações favoráveis ao seu deslocamento pelo ar, ou seja, voando. 

Em seu ciclo de vida, esses gafanhotos passam pela fase de ovo, ninfas (ou imaturos) e, por fim, gafanhotos adultos.