Cidades

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O enem/sisu e a natureza do processo

O enem/sisu e a natureza do processo

Redação

06/04/2010 - 21h29
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No dia 17 de março, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o balanço final da primeira edição do Sistema de Seleção Unificada (SISU), mecanismo que, tendo como base a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), objetivou distribuir 47.913 vagas disponíveis no sistema federal de ensino superior. Como diferenciais vantajosos foram alardeados aos concluintes do ensino médio, a redução do número de provas em vestibulares e a maior mobilidade dos candidatos entre os Estados.

Findo o evento ENEM/SISU/2009, constata-se que cerca de 7.000 ou 15% das vagas não foram preenchidas. O retorno dessas vagas às 51 instituições usuárias da nota do exame nacional está sendo vinculado, pela mídia, às políticas afirmativas do MEC para possíveis ingressantes no segundo semestre letivo de 2010, visto que na maior parte das instituições federais de ensino superior (IFES), inexiste estrutura que permita a implementação de processos seletivos para ingresso imediato.

Desde que foi criado, em 1998, o ENEM é realizado uma vez por ano. Em 2009, mais de quatro milhões de alunos se inscreveram para o exame, mas apenas dois milhões e meio compareceram. As notas obtidas, usadas como critério de seleção, geraram uma lista de 800.000 convocados à inscrição. Após a rodada inicial, constatou-se a sobra de 29.000 vagas, 60% do montante oferecido. No primeiro dia de inscrições, o acesso ao SISU foi uma missão árdua e só possibilitada aos candidatos que dispunham de computadores rápidos, interligação à banda larga, disposição e tempo para repetir tentativas de acesso. Esses levaram enorme vantagem sobre os concorrentes que, com idêntica nota, não dispunham desses recursos. Diante do exposto, não surpreendeu o baixo número inicial de matrículas (18.673).

Tal resultado foi interpretado por interlocutores ministeriais como decorrente do desinteresse; como se plausível fosse aventar a existência de uma massa de competidores só interessados na aprovação.

Plausível é considerar a distância que separa o interesse por uma vaga numa boa instituição federal e a possibilidade de efetivo ingresso nessa, visto que no Brasil, as distâncias são amplas e a possibilidade de subsistência longe de casa é um privilégio de poucos.

A segunda rodada do SISU proporcionou 7.539 novas matrículas e uma sobra superior a 40 % das vagas. O primeiro semestre letivo de 2010 iniciou e, nas salas de aula muitas cadeiras restavam vazias; cenário constatado até nos mais renomados campi federais. Se uma pesquisa levantasse quem são e onde residem os alunos que conseguiram ocupar cadeiras nos mais procurados cursos federais, o resultado descreveria pessoas da classe média ou alta, egressas de boas escolas e cursinhos, em sua maioria, estudantes residentes na região de abrangência da instituição federal de destino. Os inúmeros tropeços do ENEM/SISU/2009 evidenciaram um processo incapaz de dispensar a prestação de inúmeros vestibulares e incompetente para minimizar as barreiras socioeconômicas que separam as vagas dos alunos menos favorecidos. O adiamento do ENEM/2009 por furto das provas gerou transtornos de insegurança, perda de vestibulares por sobreposição de datas e a abstenção inicial de mais de um milhão de estudantes.

Nos últimos anos, as instituições federais de ensino vem sendo estimuladas a aumentar vagas. Para tanto, institutos e universidades ampliaram o número de turmas e a carga de trabalho docente, restando menos tempo para a produção do conhecimento (pesquisa) e a interação com a comunidade (extensão).

O sistema ENEM/SISU foi um campo fértil para expectativas, injustiças, equívocos, falcatruas e decepções; produziu também cadeiras vazias e, no cérebro dos próceres ministeriais, a noção conveniente de que os tropeços do exame nacional foram produtos exclusivos da natureza do processo.

Prof. Dr. José Luiz Lorenz Silva, UFMS/Campus de Três Lagoas

PARALISAÇÃO DOS ÔNIBUS

Audiência termina sem conciliação e greve dos ônibus continua em Campo Grande

Motoristas ficaram indignados com a decisão judicial, a qual determina que 70% da frota volte a funcionar em horários de pico.

16/12/2025 19h22

Muitos motoristas do Consórcio Guaicurus compareceram à audiência no Tribunal Regional do Trabalho

Muitos motoristas do Consórcio Guaicurus compareceram à audiência no Tribunal Regional do Trabalho Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Motoristas do transporte coletivo urbano de Campo Grande lotaram o plenário do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, na tarde desta terça-feira (16), para acompanhar a audiência que debateu sobre a greve que paralisou os ônibus desde segunda-feira (14).

A audiência terminou sem conciliação e possibilidades entre o Consórcio Guaicurus, Município de Campo Grande e os profissionais da categoria. No entanto, o desembargador César Palumbo Fernandes determinou que 70% da frota voltasse a funcionar nos horários de pico.

"Não pode existir greve de 100% dos serviços essenciais. A determinação judicial deve ser cumprida. Amanhã, no primeiro período, a categoria vai estar trabalhando. Amanhã, pela manhã, o sindicato vai garantir que haja no período compreendido entre 6h e 8h30, 70% da frota funcionando. De 8h30 a 17h, 50% da frota atendendo a população. Entre as 17h e as 20h, 70% da frota. E após, 50% da frota no horário normal.", disse o desembargador.

Além disso, a multa, caso os ônibus não voltem a circular na manhã de quarta-feira (17), imposta ao Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande, aumentou de R$ 100 mil para R$ 200 mil por dia de descumprimento da decisão.

Apenas metade da folha salarial de novembro foi paga, sendo que a outra parte não tem previsão de pagamento. Ao todo, a dívida em aberto chega a R$ 1,3 milhão líquidos a serem repassados aos trabalhadores.

Diante da decisão do desembargador, os profissionais da categoria se indignaram, levantaram e saíram da audiência. Demétrio Freitas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STCU-CG), disse que a greve está mantida por decisão dos próprios motoristas.

"A gente tá muito chateado com a Justiça do Trabalho por entender que quem paga a conta é sempre o trabalhador. No nosso entendimento, 70% ele simplesmente acabou com a greve. Infelizmente, vai continuar parado. Não é o que a gente quer, a população tá sofrendo muito, vai para três dias sem ônibus em Campo Grande, mas o trabalhador também precisa receber, todo mundo que trabalha precisa receber seus vencimentos", concluiu Demétrio Freitas.

O que disse o Município?

Na audiência, representando a Prefeitura de Campo Grande, a procuradora-geral do Município Cecília Saad afirmou que os repasses foram feitos pelo Executivo e, devidamente, depositados na conta do Consórcio Guaicurus.  De acordo com a representante, o valor destinado, na última sexta-feira (12), foi de R$  3.074.148,73.

Ela também relatou que, em junho/julho de 2024, foi publicado no Diário Oficial do Estado, que o governo se comprometeu em repassar quatro parcelas em torno de R$ 3 milhões, sendo duas no ano de 2025, e a terceira e a quarta em janeiro e fevereiro de 2026, respectivamente.

Diante destas afirmações, ela solicitou ao juiz o prazo de 24 horas para juntar a documentação e comprovar o pagamento ao Consórcio, o qual foi aceito pela autoridade.

Consórcio afirma que não tem dinheiro

Temis de Oliveira, presidente do Consórcio Guaicurus, confirmou o recebimento por parte da Prefeitura, mas alega que há outras pendências a serem pagas além da folha salarial, como os gastos com manutenção, diesel, mecânico, etc.  

"Hoje, o consórcio não tem caixa para pagar a parcela de 50% de novembro. Desses R$ 3 milhões (recebidos), haviam recursos que eram devidos de meses passados e a gente tinha outros compromissos".

"Sem aporte de alguma dessas verbas (cerca de R$ 4 milhões a serem recebidas pelo Consórcio), não temos mais saúde financeira, crédito nos bancos para poder buscar e resolver esses acordes", disse o prsidente Temis de Oliveira. Ele complementa: "Nós vamos procurar conversar com a Prefeitura para receber o que nós temos a receber ainda e negociar, negociar o tempo inteiro".

O presidente do Consórcio Guaicurus lembra que há o cumprimento do quarto termo aditivo do contrato, que precisa ser apurado mensalmente e um valor a ser recebido, algo que não ocorre desde 2022.

"Tem uma obrigação da AGEREG para, ao final de cada mês, fazer a apuração da diferença da tarifa pública para a tarifa técnica ou tarifa de remuneração e a prefeitura buscar os meios para pagar. Isso não tem sido pago desde 2022. Nós buscamos o recebimento dessas verbas também".

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ALERTA

OMS emite alerta sobre falsificação de medicamento usado no tratamento do câncer de mama

De acordo com a OMS, os medicamentos falsificados foram identificados em países da África, do Mediterrâneo Oriental e da Europa

16/12/2025 19h00

O remédio, apresentado em cápsulas, é utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio avançado

O remédio, apresentado em cápsulas, é utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio avançado Divulgação

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre a circulação de versões falsificadas do medicamento palbociclibe, comercializado sob o nome Ibrance.

O remédio, apresentado em cápsulas, é utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio avançado.

De acordo com a OMS, os medicamentos falsificados foram identificados em países da África, do Mediterrâneo Oriental e da Europa.

Ao todo, nove lotes do produto foram relatados à organização em novembro deste ano, com registros na Costa do Marfim, Egito, Líbano, Líbia e Turquia.

Segundo o comunicado, os produtos falsificados foram oferecidos aos consumidores por meio de plataformas online e também encontrados em farmácias dessas regiões.

Fabricado pela Pfizer, o Ibrance tem alto custo. No Brasil, conforme dados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), a menor dosagem do medicamento pode chegar a R$ 10.182.

Lotes falsificados

Os lotes confirmados como falsificados são: FS5173, GS4328, LV1850 e TS2190.

Já os lotes considerados suspeitos, ou seja, possivelmente falsificados, são: GK2981, GR6491, GT5817, HJ8710 e HJ8715.

A OMS classifica esses medicamentos como falsificados por apresentarem, de forma enganosa, informações sobre identidade, composição e origem.

Testes realizados pela Pfizer indicaram que as amostras analisadas não continham nenhum princípio ativo farmacêutico.

Além disso, foram identificadas discrepâncias nas embalagens. Alguns produtos falsificados chegaram a utilizar números de lote legítimos, mas apresentavam anomalias na embalagem, na serialização e na impressão das cápsulas.

Riscos e recomendações

De acordo com a OMS, o uso de medicamentos falsificados, como no caso do Ibrance, pode resultar em falha no tratamento, progressão descontrolada do câncer e aumento do risco de morte devido à ausência de efeito terapêutico.

A organização orienta que profissionais de saúde comuniquem quaisquer reações adversas inesperadas, ausência de resposta ao tratamento ou defeitos de qualidade às autoridades regulatórias nacionais ou aos sistemas locais de farmacovigilância. Em caso de identificação de lotes suspeitos ou falsificados, a recomendação é notificar a OMS.
 

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