Cidades

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O livro de couro

O livro de couro

Redação

21/05/2010 - 08h31
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Quando li o livro de Wilson Barbosa Martins “  MEMÓRIA Janela da História, publicado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, cuja presidência está a cargo do professor Hildebrando Campestrini, para mim, o mais completo e importante agente cultural no mapeamento da recuperação e registro da história de nosso Estado, ele me comoveu.

Tive a impressão de recuperar algo que havia perdido, neste campo onde julgava não haver mais prosa e segredo que valesse a pena.
Diante das folhas que apoiaram a sua mão Wilson selou sua vida com o que escreveu.
Folheando o livro, ouvi a voz distante dos Barbosa da Vacaria e como escreveu certa vez Nelly Martins, quando estes se instalaram em nossos sertões  “o lamento do urutau, o martelar do caburé, o aviso do curiango e o pio da coruja”.

Mallarmé tinha razão quando disse que a vida acontece para se converter em livro, de preferência, diria eu, num livro de couro, de capa dura e ressecada como essa relíquia de família que Wilson doou ao Instituto Histórico e Geográfico de MS.
A história advocatícia e pública de Wilson Barbosa Martins sempre esteve no fundo do meu olhar. Ele é sério e profundo, reconheço inclusive ser ele o homem público mais culto de nosso Estado. A leitura do livro dá a dimensão desta opinião.
Somos letras desse livro.
Na noite de seu lançamento que se deu no salão nobre do Rádio Clube Cidade, vi nos olhos e na voz firme de Wilson Barbosa Martins, a nossa profunda identidade perdida.

  Vi Wilson caminhar até a “Janela da História”, aspirar o ar fresco do amanhecer com olhar fixo num pé de baunilha que curiosamente tem cheiro de L’Heure Bleue, a enfeitar o pequeno jardim de sua residência ajudando-o a levar o encanto da vida e o desengano de viver após a partida de Nelly Martins. Porém, sem sentir solidão, pois, como me confessara certa feita durante uma cerimônia religiosa na Igreja São José, ele costuma superar a solidão através dos livros, da música e dos amigos, que nunca lhe faltaram, de sorte que, nada o detém, pois é juntando as forças que o menino  dos Campos da Vacaria vai além.

O passado estava presente naquela noite de lançamento do livro, ele surgia das profundezas de Wilson Barbosa Martins. Não sei se todos os presentes perceberam, mas eu senti naquela noite, durante o discurso de improviso de Wilson, silêncios que não eram amparados por nenhuma palavra ou sons, mas que me diziam fundo de Vespasiano Barbosa Martins, empunhando a bandeira do Estado de Maracaju, por 82 dias, na Revolução Constitucionalista de 32, até que chegou o dia em que Wilson Barbosa Martins, tornou-se o primeiro Governador eleito de Mato Grosso do Sul, antigo Estado de Maracaju.
Tocando fundo a minha alma a força de uma Senhorinha; o culto a amizade de Plínio que foi Rocha, quando sozinho foi para a televisão protestar duramente até as últimas consequências contra a cassação dos direitos políticos de Wilson Barbosa Martins; do Voto histórico de Plínio Barbosa Martins, no caso do Padre Jentel, que eternizou a imagem de um verdadeiro Juiz; a honestidade de Plínio Barbosa Martins, que desde  menino ouço falar que vendeu uma fazenda para pagar contas da Prefeitura; o caminhar franco de Bernardo Baís, quando rumava em direção a Igreja de Santo Antonio, para a qual ele doou o terreno e ofertou uma estátua do Santo Padroeiro da cidade, vinda da Itália em mármore carrara, quando foi colhido pela locomotiva em 19 de agosto de 1938; a tristeza do exílio de Vespasiano e sua família na cidade de Pero Juan Caballero, a fidelidade de Wilson Barbosa Martins, a Rua 15 de Novembro, assim como a Ordem dos Advogados de MS, da qual foi o Primeiro Presidente; do Cemitério da fazenda Passatempo onde estão enterrados seus antepassados, como o trisavô Ignácio Barbosa; as obras de Lydia Baís, sobretudo a Ceia de Leonardo da Vinci e de uma Santa montada a cavalo vestida de armadura e segurando uma lança, nas paredes da morada dos Baís que tanto me impressionam, além da arquitetura da mansão empoeirada de Gato Preto em Rio Brilhante, que desde o dia que vi nunca mais saiu do meu olhar.

Bastava a Wilson, a glória do berço, mais ele foi além, foi leal com seu destino sabendo estar à altura da história de seus antepassados, que se encontrava contada em parte num velho livro de couro.
Repetindo Jorge Luis Borges, eu diria que o tempo agora começa a pertencer a Wilson Barbosa Martins.
Que a Academia de Letras Sul-Mato-Grossense acenda suas luzes e inscreva em seu “Livro de Couro”, a sigla WBM, para formalizar o registro de quem já é imortal na alma de nosso povo.

Carlos Magno Couto, advogado

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Radialista Sidney Assis morre aos 57 anos

O comunicador que viralizou com um vídeo ao lado da sucuri em 2009, morreu nesta terça-feira (13), em Coxim

13/01/2026 17h24

Reprodução Redes Sociais

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O radialista e ex-vereador Sidney Assis morreu na manhã desta terça-feira (13), em Coxim, município que fica a 253 quilômetros de Campo Grande.

Os socorristas chegaram a ser acionados; no entanto, Sidney não resistiu.

Ele ficou conhecido do público em todo o Estado como repórter correspondente em Coxim no programa apresentado por Maurício Picarelli, na TV Guanandi, afiliada da Rede Bandeirantes.

Nesse período, em 2009, Sidney ganhou projeção com um vídeo feito na nascente do Rio Coxim, em São Gabriel do Oeste, no qual chega a deitar ao lado de uma sucuri que havia acabado de se alimentar.

O vídeo é reproduzido em vários locais da internet, como na página do Facebook Mídia Ninja, o que mantém viva a memória de seu trabalho e o registro da curiosidade sobre a vida selvagem em Mato Grosso do Sul.

 

 

 

O tamanho da sucuri chamou atenção também fora do país, projetando o flagrante e a forma de atuação de Sidney internacionalmente.

Natural de Três Lagoas, o repórter policial, que atualmente atuava como radialista no programa de rádio “Coxim Precisa Saber”, estava em tratamento de uma doença no fígado.

Com sua morte, Coxim parou e prestou homenagem em um grande cortejo de veículos.

“O nome que se confunde com a notícia do rádio” e a ligação estabelecida com o ouvinte, levou a prefeitura a decretar três dias de luto.

“A Prefeitura Municipal de Coxim decretou luto oficial pelo falecimento do radialista e ex-vereador Sidney Assis, ocorrido na manhã desta data. A medida é uma forma de reconhecimento à trajetória e aos serviços prestados por ele ao município.

Sidney Assis teve atuação marcante na comunicação local. Paralelamente, construiu uma trajetória política relevante, tendo exercido dois mandatos como vereador, ambos pelo PSDB, período em que participou ativamente das discussões e decisões do Legislativo Municipal.

Nas últimas eleições, Sidney Assis obteve expressiva votação, sendo o quarto mais votado, resultado que o colocou na condição de primeiro suplente, demonstrando o reconhecimento da população ao seu trabalho e à sua história pública.

A Prefeitura de Coxim manifesta solidariedade aos familiares, amigos e a todos que acompanharam sua trajetória, reafirmando respeito e reconhecimento à contribuição deixada por Sidney Assis para a comunicação e a vida pública do município.”

No município, foi o vereador mais votado em 2008 e reeleito em 2012 pelo PSDB. No pleito de 2024, voltou a disputar uma cadeira na Casa de Leis e foi o quarto mais votado.

Por meio das redes sociais, o governador Eduardo Riedel (PP) manifestou pesar pela partida do comunicador.

“Recebi com tristeza a notícia do falecimento de Sidney Assis, uma das vozes mais relevantes da comunicação de Mato Grosso do Sul, com décadas de atuação no jornalismo e na política da região norte. Deixo minha solidariedade à família, amigos e a toda a população coxinense neste momento de luto.”

A Federação de Bandas e Fanfarras do Estado de Mato Grosso do Sul também expressou pesar com o falecimento do maestro Sidney Assis.

“Sidney Assis foi um nome de grande relevância para a música instrumental de fanfarras sul-mato-grossense. Nas décadas de 1990 e 2000, desenvolveu trabalhos musicais à frente das fanfarras dos municípios de Água Clara, Rio Negro, Corguinho e Coxim, contribuindo de forma decisiva para a formação musical, disciplinar e cidadã de inúmeros jovens.

Seu talento, dedicação e compromisso com a arte elevaram o nível das fanfarras na época, fortalecendo o movimento e levando o nome dessas cidades a importantes apresentações e competições.

Além de maestro, Sidney Assis também se destacou no jornalismo, atuando como repórter policial com ética, coragem e responsabilidade, sempre a serviço da informação e da sociedade. Sua atuação firme e respeitada deixou marcas na história da comunicação regional, assim como seu trabalho incansável em prol da cultura musical.

Neste momento de dor, a Federação de Bandas e Fanfarras do Estado de Mato Grosso do Sul se solidariza com os familiares, amigos, ex-alunos, músicos e toda a comunidade de Coxim e região, rogando a Deus que conforte os corações e conceda descanso eterno a este grande maestro e servidor da cultura.

Sidney Assis deixa um legado que jamais será esquecido pela música instrumental de fanfarras, pelo jornalismo e pela história das fanfarras sul-mato-grossenses”, lamentou a entidade.
 

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POLÍCIA

PM apreende três carros que contrabandeavam mais de R$ 400 mil em mercadorias

Os veículos estavam carregados com cigarros, pneus, perfumes e aparelhos eletrônicos

13/01/2026 17h20

Os policiais localizaram os três veículos abandonados e nenhum suspeito foi preso

Os policiais localizaram os três veículos abandonados e nenhum suspeito foi preso Divulgação

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Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam, nesta segunda-feira (12), no município de Ponta Porã, três carros que contrabandeavam cigarros, pneus, perfumes e aparelhos eletrônicos.

Os militares receberam a informação de que os veículos estariam transportando ilícitos pela região do Passo Kau, em Laguna Carapã, município que fica a 280 quilômetros de distância de Campo Grande. As equipes localizaram os três veículos abandonados e nenhum suspeito foi preso.

No interior do Volkswagen Gol foram encontrados 1.250 pacotes de cigarros, mesma quantidade transportada no Fiat Siena. Já o Space Fox estava carregado com cigarros eletrônicos, perfumes e pneus. 

Os materiais apreendidos, avaliados em aproximadamente R$ 410 mil, foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Ponta Porã.

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