Clique aqui e veja as últimas notícias!

SAÚDE

Ocupação de leitos se aproxima do pior momento da pandemia no Estado

Com 638 pessoas internadas por causa da Covid-19, taxa de ocupação dos leitos chega a 94% no Estado
12/12/2020 08:40 - Naiane Mesquita


Com ocupação que beira o pior momento da pandemia em Mato Grosso do Sul, o Estado caminha para um colapso no sistema de saúde, com 638 pessoas internadas, de acordo com dados do boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (11), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Esse número está muito próximo do recorde de pessoas, comprovadamente contaminadas, que ocuparam uma vaga em hospital no mês de setembro deste ano, quando 679 estavam internados.  

De acordo com o secretário de saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, a situação se agravou com o relaxamento da população e das autoridades públicas do Estado. “A população não está entendo que a doença continua, acham que a pandemia já acabou, estão se aglomerando, não usando máscara e com festas clandestinas, o resultado é a média de casos tão alarmante que temos agora”, explica. “Houve relaxamento das autoridades públicas também, uma certa complacência com falta de medidas mais duras. Eles não se preocuparam em ter medidas antes da situação se agravar”, complementa o secretário.  

Até o momento, 14.136 casos estão ativos no Estado, deste total, 13.498 estão em isolamento domiciliar e 638 internados, em que 383 estão em leitos clínicos, divididos em 215 na rede pública e 168 na rede privada.  

Em relação à UTI, de acordo com o sistema Mais Saúde, do governo do Estado, atualmente em Mato Grosso do Sul são 342 leitos de UTI destinados apenas para tratamento de Covid-19. A taxa de ocupação desses leitos chega a 94,15%, com apenas 87 disponíveis em todo o Estado. Portanto, a taxa para leitos de UTI geral já está em 87,42% de ocupação.  

Segundo Resende, o Estado está chegando no momento mais crítico da pandemia, em que não é possível a abertura de mais leitos para a doença por falta de médicos. “Já chegamos a exaustão, já não temos mais o material fundamental para abrir, que são os recursos humanos, temos os insumos e falta os médicos. Os médicos já estão cansados e não querem se expor, mesmo com as ofertas de plantões nos hospitais privados”, frisa.  

 

Campo Grande

A taxa de ocupação global de leitos de UTI da rede pública de saúde atinge níveis alarmantes no Estado, com a macrorregião de Campo Grande registrando 104% de ocupação. Os leitos de UTI destinados para o tratamento da Covid-19 estão com taxa de 108%. Nos dados disponibilizados pelo Mais Saúde, no entanto, não está claro se as taxas foram ou não atualizadas após ampliação de leitos no Estado.  

Os hospitais públicos e privados da Capital estão com pacientes aguardando leitos. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), unidade de referência contra a Covid-19 no Estado, atualmente tem 12 pessoas aguardando vaga em UTIs. Com as taxas, é possível perceber que os hospitais do Estado já se encontram em colapso.  

Segundo o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, o critério para determinar se uma estrutura de saúde está recebendo mais pacientes que a demanda é quando há taxa de 90% ou mais de ocupação.  

Nas últimas 24 horas, o Estado registrou 1.550 novos casos, que já somam 111.335 confirmações de coronavírus desde o início da pandemia.

Segundo o boletim, foram confirmadas nove mortes pela doença em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, foram notificados cinco óbitos e em Coxim, Glória de Dourados, Naviraí, Rio Verde de Mato Grosso e Três Lagoas notificaram uma morte em cada. A idade das vítimas varia de 39 a 83 anos.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul contabiliza 411.358 casos notificados, dos quais 290.721 foram descartados. Há 2.991 testes em análise pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e 6.311 casos sem encerramento pelos municípios no sistema.

Em setembro, foram registrados 2.258 casos positivos da doença em 24 horas, maior número registrado desde o início da pandemia. Também foram confirmadas 11 novas mortes pela doença causada pelo coronavírus.

Medidas restritivas  

Como uma forma de tentar conter os avanços da doença, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) determinou toque de recolher em todo o território de Mato Grosso do Sul a partir de segunda-feira (14), das 22h até as 5h. A medida é válida para os 79 municípios sul-mato-grossenses.

O decreto ainda determina que os municípios devem adotar as recomendações sanitárias definidas pelo Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir) durante a restrição de circulação de pessoas. Os municípios que não seguirem as regras serão encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPMS).

Campo Grande encontra-se em grau de risco elevado de acordo com o Prosseguir e, por isso, deveria seguir diversas outras regras que ainda não foram instituídas pela prefeitura. O Prosseguir orienta que em casos de alto risco sejam adotadas medidas como: suspensão de serviços presenciais não-essenciais da administração pública, obrigação do distanciamento social e uso de máscara em locais públicos e fechados, suspensão de aulas em escolas públicas e particulares e fechamento de parques públicos e transporte coletivo com garantia das medidas de biossegurança.

As medidas recomendadas para o setor socioeconômico são para determinar que apenas os 63 setores classificados como essenciais e de baixo risco continuem funcionando e definir para que todos esses setores façam adesão dos protocolos de biossegurança.