Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

INVERNO

Onda de frio em Mato Grosso do Sul: saiba como se formam e como se prevenir

Apesar de serem geralmente passageiras, há registros de geadas tão fortes que fizeram até ministro da agricultura visitar plantações
07/08/2020 14:00 - Gabrielle Tavares


Em uma região em que o calor é predominante, como em Mato Grosso do Sul, as ondas de frio podem causar grande impacto na vida da população. Elas são frequentes nos períodos de outono e inverno, e acompanhadas de tempo muito seco.  

Essa combinação pode ser prejudicial tanto para a saúde, como para a agricultura, uma das principais frentes econômicas do Estado. Mas você sabe exatamente o que é uma onda de frio?  

O clima predominante em Mato Grosso do Sul é o tropical. Ele tem duas variações ao longo do território do Estado, sendo o clima tropical semiúmido presente na região norte, e o clima tropical de altitude, no sul.

 
 

O tropical semiúmido é caracterizado por apresentar verões quentes e chuvosos, nos períodos de novembro a abril, e inverno muito seco com pouco frio, nos meses de maio a outubro.  

De acordo com pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a temperatura média do mês mais frio é superior a 18ºC, e os volumes das chuvas são maiores que 750 mm anuais, atingindo 1800 mm.

Já o tropical de altitude, apresenta temperaturas superiores a 22ºC no verão, com mais de 30 mm de chuva no mês mais seco. Esse clima apresenta temperaturas médias entre 18º C e 22º C.  

Ainda segundo a Embrapa, a amplitude térmica anual, que é a diferença entre a maior temperatura máxima do ano e a menor temperatura mínima, fica entre 7º C e 9º C.  

As chuvas de verão na região sul são mais intensas devido à ação da massa tropical atlântica. No inverno, as frentes frias originárias da massa polar atlântica podem provocar geadas.

Acompanhe a previsão do tempo em Campo Grande; Aqui!

 

O que é uma onda de frio?

A Organização Meteorológica Mundial define que ondas de frio ocorrem quando, num período de seis dias consecutivos, a temperatura mínima do ar é inferior em 5ºC ao valor médio das temperaturas mínimas diárias, em um período de referência.  

Para explicar melhor, o Correio do Estado entrevistou a coordenadora do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS), Franciane Rodrigues.  

Ela explicou que cada município possui sua própria temperatura de referência, e elas mudam todo mês. Franciane ainda acentuou que as ondas de frio são rápidas quedas de temperatura.

“O critério preciso para uma onda de frio é determinado pela velocidade a que cai a temperatura e pelo mínimo ao qual cai. Esta temperatura mínima depende da região geográfica e da época do ano”, relatou.  

Os alongamentos de alta pressão que causam as quedas de temperaturas geralmente são originários do sul do país, de estados como Rio Grande do Sul e até mesmo da Argentina, que trazem para Mato Grosso do Sul ar mais frio e denso.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, quando a massa de ar frio é combinada com alta umidade, pode causar nevoeiro, que é uma suspensão de pequenas partículas de água líquida ou de gelo, capazes de criar uma diminuição considerável da visibilidade.

Para se ter ideia, o nevoeiro causa uma visibilidade horizontal menor que 1km.  “É muito comum no inverno. Em geral é a tendência é maior no sul do Estado, em Campo Grande e demais regiões são raros”, disse Natálio.

 
 

Qual é a diferença de onda de frio e frente fria?

Frente fria é uma zona de transição entre uma massa de ar quente e outra de ar frio, geralmente se forma em regiões de grande contraste térmico.  

“Entre o choque dessas massas, formam-se as áreas de instabilidades, motivo pelo qual normalmente chove quando este fenômeno ocorre”, apontou Franciane.

As frentes frias são acompanhas de chuvas, ventos, nuvens, umidade e trovoadas. Nas ondas de frio, só ocorre as quedas de temperaturas. “Frente fria pode vir acompanhada de onda de frio, o inverso não”, ressaltou o meteorologista Natálio.  

Quanto maior for o choque entre as massas de ar, ou seja, quanto maior a diferença de temperaturas no momento do encontro, mais forte tende ser a chuva.

Uma das nuvens que podem se formar na frente fria a Cumulonimbus, que costuma provocar fortes temporais.  

A Cumulonimbus é considerada como as nuvens mais perigosas da terra. As dimensões horizontais e verticais são tão grandes que sua forma só pode ser vista claramente à longa distância.  

Elas crescem muito verticalmente e chegam a média de 12 km de altitude, podendo alcançar mais de 20 km, e em casos extremos atingindo a estratosfera marcam 23 km.

A frente fria, através da Cumulonimbus, provoca chuva generalizada, de forte intensidade, com ventos, raios e possíveis quedas de granizo. Em casos de choque intenso das massas, como já citado, podem gerar até mesmo neve e tornados.

 
 

Além das frentes frias, que são mais conhecidas, existem mais três tipos de frente.  

Frente quente: zona de transição onde uma massa de ar quente e úmida substitui uma massa de ar fria.

Frente estacionária: fronteira entre ar quente e ar frio, que se forma quando uma frente fria ou quente deixa de se mover. Volta a ser fria ou quente, quando volta a se mover.

Frente oclusa: também é chamada de oclusão. É uma zona de transição onde uma frente fria, se movendo depressa, alcança e ultrapassa parte de uma frente quente. Isso faz elevar todo o ar quente, sobrando um ar mais fresco na superfície.

Quais os danos que uma grande onda de frio pode causar?

Segundo a coordenadora do Cemtec, as ondas de frio podem causar prejuízos tanto no ambiente, como na saúde.  

“Podem provocar geadas intensas, que causam perdas de safra, além do aumento no número de casos de doenças respiratórias. Elas afetam pessoas em maior vulnerabilidade social, podendo levar até mesmo a óbito em casos de hipotermia”, afirmou Franciane.

 
 

Os períodos de frio intenso e as grandes variações de temperaturas em curtos períodos de tempo, aliadas ao clima seco característico de Mato Grosso do Sul, causam grande incidência no aumento de doenças respiratórias, como gripes, resfriados e crises em pessoas com doenças respiratórias crônicas.

Segundo o médico pneumologista, Rodrigo Perches, nos casos das alergias, as crises podem se agravar a ponto de evoluir para pneumonia.  

“Nessa época de outono e inverno temos um aumento natural das doenças respiratórias. Nós dizemos que são doenças sazonais, são o surgimento de gripes e resfriados que são viroses comuns”

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que atendimentos em serviços de urgência e emergência aumentam em até 70% nos períodos de inverno.  

Rodrigo explica que a alta variação de temperaturas no mesmo dia, intercaladas com o frio, “diminui a resistência dos mecanismos de defesa das vias respiratórias e facilita a propagação de vírus e bactérias”.

Quem sofre de rinite, bronquite, asma, entre outras doenças respiratórias crônicas, tende a piorar nos períodos de frio. De acordo com o pneumologista, elas são muito afetadas pela amplitude térmica e podem causar crises mais frequentes e intensas.

 
 

O corpo humano possui temperatura média de 36,5°C. Se esse número passar dos 42°C, em casos de calor extremo, ou for inferior a 30ºC, em ondas de frio muito grandes, os órgãos vitais começam a parar de funcionar gradualmente.  

Para perceber essa variação nas temperaturas existem vários sensores espalhados pelo corpo de uma pessoa. A localização e quantidade desses sensores varia, por isso existem indivíduos mais ‘friorentos’ que outros.

Além disso, os músculos influenciam na preservação da média corporal ideal, dos 36,3ºC: quanto mais músculo, menos frio.  

Em razão disso, a tendência é que mulheres sintam mais frio que os homens, já que um corpo feminino tem em média 25% de músculos, enquanto um masculino chega a 45%.

Pandemia da Covid-19

Em 2020, a pandemia mundial do coronavírus agravou o tratamento das doenças comuns dos períodos de quedas das temperaturas.  

Rodrigo aponta que os sintomas iniciais da Covid-19 são muito parecidos com gripes e resfriados típicos dessa época do ano.  

“A pandemia agrava a situação. Ela também é uma infecção viral, uma gripe, só que uma gripe especial, com consequências muito mais sérias e muito mais graves”, comenta.  

O pneumologista afirmou que se sentir sintomas como dor de cabeça, no corpo, na garganta, febre, tosse seca, coriza e mal-estar, é preciso procurar assistência médica.

“Para receberem orientação correta e evitar que essas viroses evoluam para uma pneumonia, mas especialmente receber um diagnóstico correto”, ressaltou Rodrigo. 

 
 

Como se prevenir?

Para evitar piora na saúde em meio as ondas de frio, é preciso manter uma alimentação saudável, ter hábitos de cuidados básicos de higienização, como lavagem frequente das mãos, e ingerir bastante líquidos.  

“Além de tomar as vacinas contra a gripe todos os anos. Para pacientes idosos ou portadores de doenças respiratórias crônicas, como asma e DPOC (enfisema pulmonar), tomar também as vacinas contra pneumonia”, aconselhou Queiroz.  

Em períodos de pandemia ou epidemias virais, como o do coronavírus, os cuidados devem ser reforçados. Evitar aglomerações, praticar o distanciamento social e fazer uso frequente do álcool em gel devem ser seguidos.  

Queiroz recomenda ainda usar umidificadores de ambiente para amenizar a baixa umidade. “Se não tiver, colocar uma bacia com água embaixo da cama ou uma toalha molhada (úmida) na janela dos quartos”, relata.  

 
 

Além das recomendações médicas já conhecidas, alguns hábitos podem ajudar a manter o corpo saudável em climas desfavoráveis.

Deixe o ar circular: mesmo que a tendência seja de fechar portas e janelas para não deixar o ar frio entrar, é importante deixar o ar circular durante algumas horas do dia para renovar o ambiente. Manter tudo sempre fechado aumenta as chances de propagação de doenças virais transmitidas pelo ar.  

Cuidado com a alimentação: nutrientes são essenciais para manter a saúde durante as ondas de frio. O ideal nessa época é consumir alimentos ricos em Vitamina C, já que ela ajuda na proteção do sistema imunológico. Os exemplos de alimentos mais cotidianos são: laranja, brócolis, goiaba, acerola, mamão, pimentão, morango e abacaxi.

Roupas e cobertores: na maior parte do Mato Grosso do Sul o calor predomina durante a maior parte do ano. Com isso, casacos e cobertores ficam guardados durante muito tempo, podendo acumular poeiras e bactérias. Antes de usá-los, é recomendado higienizar esses itens, principalmente para quem tem alergias respiratórias. Depois de fazer a lavagem, é indicado ainda os deixar secar ao sol, para remover todas as impurezas.

Cuidados com a pele: não é só no verão a atenção com a pele deve ser mantida. Até mesmo nos dias mais frios, os raios solares nocivos conseguem ultrapassar as nuvens do céu nublado. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de filtro solar com, no mínimo FPS 30, até mesmo quando não for sair de casa. Além disso, ingestão de bastante líquidos é fundamental para manter a hidratação da pele.

 
 

Quais as mais potentes ondas de frio que atingiram o MS?

A Superintendência de Arquivo Público, ligada à Secretaria de Estado de Gestão de Mato Grosso (Seges), mantém preservados os registros históricos dos dias mais frios ocorridos no estado antes da divisão entre os dois territórios acontecer, em 1977.

Em julho de 1975, uma forte geada atingiu todo o território de Mato Grosso, incluindo também a área atual de Mato Grosso do Sul. As cidades mais atingidas foram Alto Garças e Alto Araguaia, no sudeste do então estado único.

A geada trouxe consequências negativas para a região. O ministro da Agricultura da época, Alyson Paulinell, visitou as áreas afetadas pela onda de ar frio.  

O presidente da República era o general Ernesto Geisel, que foi informado pelo ministro sobre a crise ocasionada pelo fenômeno climático. Pecuária, cafeicultura e a produção de trigo foram prejudicadas e muitas lavouras tiveram perda total.

Já em agosto de 1955, jornais da época noticiaram sobre a onda de frio que chegou no país em 26 de julho daquele ano.  

Era o inverno de maior amplitude já observada até o momento, uma nova massa de ar que se formava na Antártida iria se espalhar nos dias seguintes atingindo os estados de Mato Grosso e Goiás. Nesse mesmo período, em São Paulo, pessoas morreram devido à baixa temperatura.

Rússia e Estados Unidos avaliavam lançar satélites artificiais no espaço, as notícias da época questionavam se as mudanças climáticas seriam resultados da inovação científica. O primeiro satélite que entraria em órbita seria Sputnik, lançado pelos russos em outubro de 1957.

 
 

Quando se trata das temperaturas após a divisão do Estado, houve forte geada em 17 de julho de 2000 em Mato Grosso do Sul, com valor de -1,9 °C no município de Dourados.  

Foi a menor temperatura que já atingiu o Estado que se tem registro, conforme dados da Guia Clima, que possui um banco de monitoramento desde 1979.

Neste ano, a menor temperatura mínima no Estado foi de 1,1 °C, em Iguatemi no dia 8 de maio, conforme dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

Conclusão

Apesar dos riscos que as ondas de frio apresentam, elas são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema.  

As geadas causadas pelo encontro da umidade com a massa de ar frio ajudam a diminuir doenças e pragas de plantações. Além disso, auxiliam na produção das plantas que precisam do frio para entrar em dormência.  

Os prejuízos só acontecem quando as geadas são muito fortes e duram por um longo período de tempo. Quando isso acontece, há o congelamento dos tecidos vegetais das plantas, que podem provocar sua morte ou partes delas, como as folhas, ramos, frutos, e o caule. 

 
 

Felpuda


Entre sussurros, nos bastidores políticos mais fechados, os comentários são que história apregoada por aí teria sido construída para encobrir o que realmente foi engendrado em conversa que resultou em negociata. 

O script foi na base do “você finge que é assim, e nós fingimos que acreditamos”. 

Batido o martelo, a encenação prosseguiu e, conforme o combinado, deverão ser apresentados novos episódios.

Ah, o poder!