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COVID-19

Estudo aponta que pacientes com câncer podem ter mais variantes do coronavírus

Instituto Nacional do Câncer revela maior potencial de mutação do vírus em pessoas com baixa imunidade e organismo fragilizado
07/03/2021 17:19 - Rafaela Moreira


Pacientes com câncer infectados pela Covid-19 apresentam mais chances de desenvolver o vírus SarsCoV-2 das demais pessoas, conforme revelou o estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A pesquisa foi realizada em 57 pacientes e 14 profissionais de saúde. 

 Ou seja, o vírus da variante tem um maior potencial de mutação no organismo de pacientes com câncer, do que os infectados que não têm câncer, devido a baixa imunidade e organismo fragilizado. O trabalho foi publicado na Virus Evolution da Universidade de Oxford, há duas semanas.

Os pesquisadores descobriram ainda que uma mesma paciente foi infectada por duas variantes do vírus, no primeiro contágio. Esse é o primeiro caso de múltipla infecção pelas variantes do novo coronavírus relatado na literatura médica em pacientes com câncer.

O responsável pelos estudos, Marcelo Soares, explica que a diversidade genética do vírus em pacientes com câncer pode resultar no aparecimento de variantes mais transmissíveis ou mais letais. Por isso, essas descobertas podem ajudar no controle e prevenção da pandemia.

Para o pesquisador, a múltipla infecção pode gerar formas recombinantes mais agressivas do vírus ou que não sejam reconhecidas pelas vacinas existentes. 

“É possível que muitos casos definidos como reinfecção sejam, na verdade, a reativação de uma variante viral pré-existente no indivíduo infectado'', esclarece o pesquisador Marcelo Soares.

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VARIANTE 

Na última semana,  a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou infecção pela nova variante da coronavírus em paciente de Mato Grosso do Sul. Se trata da P1, uma variante de atenção (VOC, sigla em inglês para Variant of Concern), que está em circulação comunitária no estado do Amazonas e oeste do estado do Pará.

De acordo com a assessoria da SES, ele contraiu a doença em Manaus, no estado do Amazonas, por isso é tratado como um caso em isolamento. A infecção, junto a outras três, estava em análise na Fiocruz, mas não existem outras confirmações de casos da P1 no Estado.

Um estudo liderado pelo cientista português Nuno Faria, da Universidade de Oxford, em colaboração com Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da USP, analisou a evolução da P.1 da Covi-19, mesma confirmada pelo paciente sul-mato-grossense.

A pesquisa mostrou que ela é de 1,4 a 2,2 vezes mais infeciosa que a tradicional, e possui muita propensão a causar reinfecção. Num grupo de pessoas que já contraiu a linhagem original do Sars-CoV-2, entre 25% e 61% dos pacientes expostos à nova linhagem do vírus poderiam se reinfectar.

A conclusão foi baseada em estudos que cruzaram dados genômicos do vírus com números da epidemia.

Existem ainda a linhagem P.2, que apresenta a mutação E484K no domínio de ligação com o receptor na Spike e já circula em todas as regiões geográficas do país, mas não foi confirmada no Estado.

Ambas linhagens, P.1 e P.2, são descendentes da linhagem B.1.1.28 (novo coronavírus) em circulação no Brasil desde março de 2020.

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