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EDUCAÇÃO

Pais e mestres vão decidir sobre reprovação de alunos na rede municipal

Pesquisa quer saber se todos os alunos serão aprovados, ou se todos seguem no mesmo ano letivo em 2021
07/10/2020 08:30 - Ana Karla Flores, Daiany Albuquerque


Depois da Rede Estadual de Ensino (REE) confirmar que o retorno das aulas presenciais serão apenas em 2021, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) confirmou que as atividades da Rede Municipal de Ensino (Reme) também só voltam no próximo ano

Com essa decisão, uma consulta entre pais e professores vai decidir sobre como será o processo de reprovação neste ano letivo, já que não foram aplicadas avaliações com notas. 

Segundo o município, cerca de 10% dos 109 mil alunos não foram frequentes nas aulas remoto. Já a Secretaria de Estado de Educação (SED) contabiliza que 2% dos 210 mil estudantes não mantiveram contato durante a pandemia.

Entre as justificativas do município para a suspensão das atividades presenciais estão o curto período de dias letivos, faltam apenas 45 dias para o encerramento e a ocupação de 50% dos leitos hospitalares em Campo Grande.

De acordo com superintendente de gestão das políticas educacionais da Semed, Waldir Leonel, a forma de avaliação dos estudantes este ano foi diferente dos outros anos letivos, quando eram aplicadas provas. 

Em 2020, o distanciamento dos professores e alunos obrigou a secretaria a adotar cadernos de tarefas, de onde são tirados parâmetros para avaliar se a criança está aprendendo o conteúdo e onde é que ela está com dificuldades.

“Tomamos a decisão de trabalhar com avaliação formativa, que acompanha a trajetória do aluno na aprendizagem. Então avaliamos se ele desenvolve o caderno", explicou Leonel. 

"Orientamos para a criação de planilha para acompanhamento dos alunos, para saber quanto desenvolveu e professor avalia a dificuldade que os alunos tiveram, se maioria teve problema na mesma coisa, ele vai desenvolver mais essa parte no próximo caderno”, completou.

Além dos cadernos, a  secretaria conta com aulas enviadas online e por transmissão de canal de televisão. Segundo o superintendente, a desigualdade social é um dos motivos para que não seja administrado nota para essas atividades feitas pelos alunos.  

“Alguns pais têm condições de contratar até professor para ajudar, isso tem acontecido na rede municipal também. Por isso não damos nota, porque quem não tem condições financeiras pode acabar com uma nota menor e que poderia até reprovar", disse o superintendente. 

"Poderíamos reprovar só quem não tem condições aplicando nota, então temos que olhar o aspecto social. A nota pode ser prejudicial nesse momento de pandemia, tem outros aspectos para se avaliar junto”, afirmou Leonel.

REPROVAÇÃO

Por causa disso, a prefeitura discute com os pais e os docentes como será feita a aprovação ou reprovação dos estudantes este ano. Leonel explica que a decisão será tomada com base em consulta pública com a Associação de Pais e Mestres (APM) e o Conselho de Professores. 

No questionário foram apresentadas três opções, a primeira é aprovação de todos os alunos, e estabelecer uma forma de igualar o conteúdo para todos os estudantes em 2021.  

A segunda opção é aprovar parcialmente, o que representa reprovar os alunos que não tiveram rendimento durante o período letivo, como os que não tiveram nenhum contato com a escola.  

E a última alternativa será reprovar todos os alunos da Reme e retomar o conteúdo novamente no próximo ano. A consulta pública entre os grupos segue até quinta-feira (8) e na sexta-feira (9) o resultado deverá ser divulgado. 

Com essa informação a secretaria pretende, na próxima semana, discutir com a comissão montada para finalizar o ano e definir os rumos da educação pública na capital.  

“Vamos traçar as políticas educacionais para 2021, amparada com dados de cada uma e o mais importante é a decisão em conjunto com a comunidade escolar”, explica o superintendente.

A Reme mantém atendimento remoto à 109,1 mil alunos, que mantiveram as aulas através de aplicativos e do canal e rádio Reme, além do material impresso disponibilizado pelas escolas.  

 

 
 

SEM ACESSO

No entanto, de acordo com pesquisa da Semed, 10% desses estudantes não tiveram boa frequência nas aulas online. Segundo a secretária municipal, desse total, 750 alunos não tiveram nenhum contato com as escolas durante o período de pandemia.  

“Estamos fazendo uma busca junto ao Conselho Tutelar para saber o motivo dessa criança não ter comparecido às aulas. Estamos fazendo o levantamento por escola, porque cada uma tem a situação de seus alunos”, explica a secretária de Educação do município, Elza Fernandes Ortelhado.

No caso da Rede Estadual, a secretária de Educação de Mato Grosso do Sul, Maria Cecília da Motta, disse que o adiamento foi recomendação do Programa de Saúde e Segurança de Economia (Prosseguir). 

As escolas estaduais atendem 210 mil estudante, onde 91% dos alunos estão acessando as aulas virtualmente, 7% tem acesso apenas ao material impresso e 2% não mantiveram contato com as escolas.

Para o retorno viável das aulas em Campo Grande a secretaria avalia que será necessário implementar uma série de normas. 

A Semed criou uma Comissão Municipal de Gerenciamento da Pandemia para preparação do retorno das aulas presenciais. A Comissão discute medidas de segurança e define estratégias de biossegurança, cognitivos e socioemocionais. 

Será organizado pelo grupo um modo de recuperação paralela para alunos em 2021, já que neste ano as escolas municipais não oferecerão reforço escolar e vão manter fechadas.  

IMPACTOS

De acordo com a psicopedagoga, Gisele Morilha, os alunos vulneráveis e as crianças em fase de alfabetização serão os mais prejudicados com o ensino remoto. 

Morilha explica que a falta de estrutura física, social, cultural, financeira e emocional influenciam e prejudicam diretamente no processo de aprendizagem.

“Muitas questões influenciam, mas a principal é a desigualdade social. A má distribuição de rendas aflorou com a pandemia da Covid-19 e existem alunos que estão passando fome, que não possuem um lugar para realizarem as atividades, celular e internet, não possuem rotina e nem que os acompanhem nas atividades”.

A psicopedagoga ressalta que as crianças em fase de letramento são prejudicadas também por ser uma fase delicada e podem não consolidarem a aprendizagem de conteúdos mínimos da de escolaridade básica.

TENTATIVA DE RETORNO

As aulas presenciais da Rede Municipal foram suspensas no dia 18 de março e na Rede Estadual o distanciamento iniciou no dia 23 de março. As medidas foram tomadas como uma forma de conter os casos de Covid-19.  

Durante esse período, prorrogações foram feitas em virtude do crescimento de notificações da doença e da falta de leitos hospitalares em Mato Grosso do Sul. 

O último adiamento ocorreu em setembro, quando foi determinado o dia 8 de outubro como novo prazo estabelecido.  

Em reportagem publicada na semana passada, o Correio do Estado já havia antecipado que o retorno das aulas era inviável para 2020 nas escolas municipais.

 

Felpuda


Racha em entidade religiosa teve péssimas consequências eleitorais na disputa por vagas na Câmara Municipal de Campo Grande.

O quiproquó, também, digamos, com nuance familiar, provocou estragos da-que-les.

Aí, como consequências, fez com que quem está não conseguisse votos suficientes para permanecer em 2021-2024 e quem estava fora tentando retornar ficasse à beira do caminho. 

Como se vê...