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CRISE

Pandemia afeta pesquisas e prende intercambistas de MS no exterior

Alguns ficaram presos no exterior e outros abandonaram pesquisas para voltar
12/04/2020 07:00 - Ricardo Campos Jr


 

O impacto da Covid-19 para sul-mato-grossenses que estudavam ou pesquisavam no exterior foi inevitável. Em meio ao caos no qual o mundo foi aos poucos mergulhando, alguns ficaram presos fora do Brasil, enquanto outros não tiveram escolha senão abandonar os projetos e retornar antes que fosse tarde demais.

Em março de 2020, havia 39 pesquisadores intercambistas (servidores e acadêmicos) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em missão. Desses, dez retornaram, metade em razão do novo coronavírus.

Os que ficaram estão nos seguintes países: África do Sul, Alemanha, Canadá, Colômbia, Escócia, Espanha, Estados Unidos da América, Inglaterra, México, Paraguai, Peru, Portugal e Rússia.

Já a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) tem três acadêmicos fora do país que não conseguiram retornar. Todos os intercâmbios previstos para o começo do ano foram adiados por conta da Covid-19.

 
 

FIM DA LINHA

“Não quero que você fique presa quando as coisas começarem a ficar loucas”. Foi com essa frase que o parceiro de pesquisas da veterinária doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo Iandara Schettert a aconselhou a deixar os Estados Unidos o mais rápido possível, antes que o novo coronavírus impedisse os deslocamentos.

Ela é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e estava no hemisfério norte como visitante sênior de um projeto da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O objetivo dela era firmar parcerias para a instituição e desenvolver um estudo em sua área de atuação.

“Buscava novas técnicas e métodos para trazer inovação para nosso laboratório de Modelos Experimentais de Doenças da Faculdade de Medicina (Famed) da UFMS. Nós trabalhamos com doenças crônicas, mas estava trazendo algo que poderia até ser usado no estudo da Covid, que são ensaios desenvolvidos em um nanobore, um equipamento de sequenciamento genético super simplificado. Você pode preparar amostras, pegar uma gota de sangue e ele vai analisar os genomas disso tudo”, conta.

 
 

Iandara estava em Ohio, na Walsh University. “Dia 9 de março os alunos não foram mais para a aula. No dia 13, os professores foram convidados a pegar tudo o que precisassem para instalar em suas casas aulas remotas. Parou tudo. Inclusive tinha, no laboratório. células de cultivo clonadas para continuar o desenvolvimento da análise do gene que estava trabalhando de uma doença rara que tem implicação em várias outras doenças, como câncer. Perdi tudo”, lembra.

A pesquisadora conta que a compra de passagens via Capes foi bastante ágil. “Embarquei em um voo de Cleveland para Washington que decolou com apenas três passageiros. Em Washington estava tudo uma bagunça. Como não havia mais máscaras, coloquei uma balaclava dentro do aeroporto e não era a única”, relata.

Depois de desembarcar no Brasil, Iandara cumpriu período de quarentena. Sobre a estadia nos EUA, de fato não foi perdida. Ela conseguiu uma parceria para aplicar por aqui uma metodologia de estudo que está sendo desenvolvida por um americano na África.

 
 

CRISE

O relato da estudante de Publicidade e Propaganda Penélope Herradon parece roteiro de filme. Aluna da Universidade Católica Dom Bosco, ela está em Salamanca, na Espanha, atualmente confinada em seu apartamento tendo aulas à distância. O país ibérico já ultrapassou a Itália em número de casos, com 124.736 infectados.

“Não cheguei a tentar voltar porque não deu tempo. Quando me dei conta da gravidade da situação, aeroportos e fronteiras estavam fechados e já não havia mais ônibus rodando”, relata a campo-grandense.

Embora a imprensa local anunciasse que não havia risco de desabastecimento, a população ficou tão desesperada que esvaziou as prateleiras. “Fui ao mercado fazer a compra da semana e estava uma loucura, não entendia o que estava acontecendo. Não tinha papel higiênico, não tinha leite, não tinha carne. As pessoas estocavam alimentos em casa”, conta Penélope.

Para evitar o avanço da Covid-19, autoridades locais implementaram medidas de controle social, que são levadas a sério por lá.

“Só posso sair de casa para ir à farmácia, ao mercado ou para descer o lixo. E não pode sair de duas em duas pessoas. A polícia faz um monitoramento muito forte: abordam na rua, perguntam para onde vai, por que está indo ao mercado, questionam se tinha algum estabelecimento mais perto de casa. Eles usam drones para ver se todos estão cumprindo o isolamento”, conta a universitária.

As aulas têm sido online. Para a estudante, embora a parte dos conteúdos esteja garantida, o fato de ter deixado o país para estudar fora tinha como objetivo justamente o contato com outras pessoas e com uma cultura diferente.

“Queria minhas aulas presenciais, queria ter contato com os professores, com a sala de aula e colegas. Agora está sendo tudo virtual. Nessa experiência afeta muito”, diz.

 
 
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