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AMOR DE VÓ

Durante a pandemia, vale a pena fazer ligações por vídeos e aprender a usar o celular para diminuir a saudade dos netos

Do grupo de risco, idosos precisam se resguardar durante anormalidade imposta pelo vírus
26/03/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Aos 97 anos, Ema Fiorenza esbanja lucidez nas chamadas de vídeo com a neta Mariana. Unidas e com muita saudade durante o período de isolamento, as duas conseguem trocar palavras de conforto em ligações que ocorrem até mais de uma vez por dia.  

Mantendo o isolamento indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde para diminuir as chances de contaminação pelo novo coronavírus, a família precisou se adequar e utilizar a tecnologia para aproximar as distâncias. “Minha avó mora com a minha mãe, só as duas em casa. Meu irmão saiu recentemente para morar com a namorada e eu sou casada. Tanto minha mãe quanto minha avó estão no grupo de risco. Minha mãe faz um tratamento de imunoterapia devido a um câncer de mama que ela teve no passado e minha avó tem quase 98 anos”, conta Mariana Fiorenza Breve, 31 anos.  

Apesar da idade, segundo Mariana, dona Ema tem saúde de sobra. “Ela é saudável, só tem pressão alta, mas é controlada. Lúcida, anda sozinha, cozinha, faz tricô, crochê, palavra cruzada, é muito esclarecida e totalmente sem preconceito. Sou suspeita, mas ela é incrível”, se derrete. A relação de cumplicidade foi construída desde que Mariana deu o primeiro suspiro na terra. “Minha mãe tem oito irmãos, mas todos moram fora porque não somos de Campo Grande. Minha família é de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e quando meus pais se mudaram, minha avó veio junto. Sempre moramos todos juntos, em harmonia e eu sou realmente muito próxima dela e da minha mãe”, explica.  

 

 
 

Acostumada a almoçar ao menos três vezes por semana na casa da mãe e da avó, Mariana se emociona ao relembrar os momentos de alegria e cumplicidade ao lado das mulheres da família. “Esse final de semana eu achei que fosse surtar. Todo dia eu almoçava lá após o casamento, depois consegui manter essa rotina pelo menos três vezes por semana, mas sempre conversando por telefone, ligando para saber como minha avó estava, principalmente durante o dia porque minha mãe trabalha. Agora tive que encerrar as visitas, quarta-feira foi o último dia que eu entrei na casa. Sábado ainda levei algumas compras, mas fiquei no portão e distante”, relembra.

Mesmo psicóloga, ela confessa que nenhuma teoria a fez evitar os pensamentos alarmistas. “Quando essa história surgiu, pensei logo na minha avó, que tem quase 100 anos. O medo de perdê-la para uma pneumonia, por exemplo, foi muito difícil. No início tive que brigar com minha mãe para convencê-la a fazer o isolamento. Ela sempre foi muito rueira”, ri.

ISOLAMENTO  

Mãe de Mariana, a professora Mara Catarina Fiorenza Bianchi, 60 anos, também está se acostumando ao isolamento.  

“Sempre tinha movimento em casa, da Mariana com o marido, do meu filho com a esposa e agora ninguém está vindo aqui. A Mariana ainda liga bastante pelo vídeo e meu filho esses dias passou no portão para conversar mesmo à distância e matar a saudade. Tem sido desgastante”, explica.  

Para superar os desafios, Mara tem praticado exercícios físicos em casa e até auxiliado na fisioterapia de Ema. “Estou fazendo os exercícios de acordo com o que a professora manda e minha mãe sabe como fazer a fisioterapia, lembra de tudo. Estamos tocando para não ficarmos tristes. Ela ainda vê muita televisão, está por dentro de tudo”, conta Mara.  

 

 

 
 

SUPERANDO BARREIRAS

Bisavó de dois meninos, Maura de Jesus Bernardino, 72 anos, precisou se adaptar a saudade. Em pleno isolamento social, a relação com o celular ficou mais próxima e ela aprende todos os dias uma nova forma de diminuir a distância. “Estou com saudade, ficar em casa causa muita ansiedade, a gente se sente só, isolada e eu me preocupo com esse vírus”, explica.

Para proteger a saúde dela e do marido, Maura precisou abdicar dos encontros duas vezes na semana com os bisnetos. “As vezes falo por telefone e recebo os vídeos e as fotos deles, acho que dá ainda mais saudade”, acredita. Além de aproximar da família, o celular acaba sendo uma distração. “Eu saio pelo quintal, aqui é um pouco grande, as vezes vejo televisão, olho o celular. Ainda estou aprendendo, mas ele é bom para ficar passando o tempo, me ocupo bastante”, afirma.    

 

 

 

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!