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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

'Papel nenhum mantém agressor longe', diz irmão de professora morta pelo ex

Corpo de Maxelline foi velado e sepultado nesta segunda-feira
02/03/2020 10:28 - Daiany Albuquerque, Ricardo Campos Jr


 

Da professora Maxelline Santos ficaram as recordações e os sonhos deixados pela metade. Morta no fim de semana pelo ex-namorado guarda municipal, ela foi velada e sepultada pela família nesta segunda-feira (2). O episódio de violência doméstica se repetiu mais uma vez em Campo Grande e para o irmão dela, os mecanismos que deveriam protegê-la não passaram de letras impressas em um documento.

“Essa medida protetiva não adiantou de nada. Papel nenhum mantém o agressor longe”, disse o repositor Max Sandro da Silva dos Santos, 32 anos.

Maxelline era a irmã do meio. Max lembra que ela batalhava especialmente para realizar duas metas de vida: dar aulas para crianças e comprar a casa própria. “O primeiro sonho, ela já havia realizado”, contou ao Correio do Estado.

O que causa mais indignação na família é que Valtenir Pereira da Silva, em tese, deveria trabalhar para proteger a vida e não ceifá-la. “Um cara desses não pode colocar uma farda e sair armado por aí”, exclama. “Vamos correr atrás para ele ser preso, evitando que faça outras mães chorarem”.

 
 

RELACIONAMENTO

Segundo o irmão da vítima, o guarda municipal não tinha comportamento anormal durante o namoro e Maxelline tampouco chegou a relatar aos parentes qualquer episódio de violência.

O relacionamento durou dois anos e os dois chegaram a morar juntos para que a professora economizasse dinheiro e mobiliasse a casa. Ao adquirir os bens, voltou a viver de aluguel sem desatar com Valtenir.

Ele participava dos encontros de família. “Era bem na dele, não falava muito e ninguém chegou a ficar próximo a ele”, diz Max.

A separação veio há dois meses, quando ela descobriu que o servidor público havia sido casado e tinha inclusive um filho, mas havia escondido a informação da namorada. Foi então que os problemas começaram.

 
 

REVIRAVOLTA

Certa noite, Maxelline estava em casa se vestindo após o banho quando Valtenir pulou o muro, visivelmente embriagado e armado. Diante das ameaças, a mulher fugiu seminua pela rua e foi acolhida por um casal da vizinhança..

Aquela ocasião a motivou procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), registrar o boletim de ocorrência e pedir restrição. A Justiça proibiu o guarda de se aproximar dela.

“Ele não aceitava o fim”, diz o irmão da vítima. Ele questiona o motivo de Valtenir não ter perdido o porte após o episódio, já que representava, na opinião dele, uma clara ameaça.

 
 

CRIME

Os parentes acreditam que o guarda seguiu Maxelline até a casa de um casal de amigos. Bateu palmas. “Disseram que houve discussão, mas não teve tempo. Quando abriu o portão atirou na cabeça dela sem falar nada”, afirma o repositor.

A amiga, Kamila Tellis, 31 anos, tentou correr, mas foi atingida nas costas. O marido dela,  Steferson Batista de Souza, ao sair para ver o que havia acontecido e foi morto com um tiro no tórax.

Camila, segundo informações da Santa Casa, está internada na ala vermelha com a bala alojada e aguarda cirurgia. Respira sem ajuda de aparelhos e o quadro clínico dela é considerado estável.

“Ela era muito feliz, alegre, inocente e trabalhadora. Gostava muito de fazer amizades e adorava trabalhar com crianças”, completa o irmão sobre as lembranças que ficarão latentes na memória daqueles que eram próximos de Maxelline.

CORPORAÇÃO

A Guarda Municipal instaurou processo administrativo disciplinar contra Valtenir, que continua foragido, pois existe prisão contra ele decretada pela Justiça. Ele foi afastado das funções por 60 dias e teve o porte e posse de arma suspenso.


 

 

Felpuda


Mesmo sem ter, até onde se sabe, combinado com o eleitor, candidato a prefeito começou a apresentar nomes do seu ainda hipotético secretariado, pois parece estar convicto de que conseguirá vencer a disputa.

Os adversários dizem por aí que ele está muito distante de “ser um Jair Bolsonaro”, que, ainda na campanha eleitoral para presidente da República, já falava em Paulo Guedes para ser seu ministro de Economia. Como sonhar é permitido