Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

REFLEXOS DA PANDEMIA

Patrimônio da cidade, Feira Central perde 70% do movimento e tenta sobreviver

Comerciantes oferecem petiscos, ampliam horário de funcionamento e pressionam a prefeitura
01/08/2020 11:00 - Marcos Pierry


“Seja bem-vindo, freguês! A batata frita é por conta da casa. Vamos entrar?” 

É assim que o visitante passou a ser recebido no corredor de restaurantes da Feira Central depois que o movimento no local sofreu uma drástica redução em decorrência da pandemia. 

Feira Central

O tradicional ponto de encontro da cidade morena, que costumava registrar uma movimentação mensal superior a 40 mil pessoas, chega às vésperas do seu centenário com uma queda de público de, no mínimo, 70%.

Dos 300 negócios cadastrados pela Associação da Feira Central e Turística de Campo Grande (Afecetur), que organiza as atividades e administra a área através de concessão municipal, apenas 35% estão em funcionamento. O clima de cidade fantasma causa nostalgia e um aperto no coração de quem já pôde aproveitar o lugar cheio de gente e animação. 

São restaurantes, bancas de frutas e legumes, estandes de sobremesas, laticínios artesanais e tereré conectados, através de um calçadão central, aos boxes com lojinhas de roupas, eletrônicos, objetos de decoração, brinquedos e souvenirs amargando prejuízo desde março. 

Um centro de compras e convivência que, além de atender a população local e turistas, gera, em tempos normais, trabalho e renda para 800 carteiras de trabalho assinadas e mais de 500 famílias.

Os números são calculados pela fabricante de doces cristalizados Alvira Appel, que há 20 anos expõe suas guloseimas na Feira Central e atualmente, na condição de presidente da Afecetur, lidera o plano de reação dos comerciantes para vencer a crise e retomar o sucesso do empreendimento. 

“Dos três espaços de comércio popular sob concessão da prefeitura, fomos o mais atingido por restrições como o confinamento e lockdown, porque nosso horário é, na maior parte, noturno e, logo em março passamos 30 dias fechados”, conta Alvira, fazendo uma comparação com o Camelódromo e o Mercadão Municipal.

“Não somos contra nenhuma medida de proteção, ao contrário, perdi até um familiar, mas, se a Feira não for abraçada, vamos entrar em colapso total”, diz Alvira, que esteve em reunião com representantes da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo) e da Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Gestão Urbana), na quarta-feira, em busca de soluções para estimular os negócios durante a pandemia. 

Apoio

“Precisamos de apoio para uma divulgação da Feira como um lugar seguro que pode ser visitado, estamos tomando todas as medidas necessárias conforme as recomendações médicas e sanitárias.”

Entre as solicitações encaminhadas pela Afecetur, está ainda o pedido de apoio para a segurança patrimonial e dos comerciantes, especialmente no horário de fechamento, e, a médio prazo, a elaboração de um projeto de revitalização para requalificar o espaço, que está sob avaliação desde 2019 para ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Quando a temperatura cai ou se eleva, rapidamente o visitante sente frio ou calor no ambiente. E a área de carga e descarga requer mais estrutura. A Feira possui 24 banheiros, incluindo os de acessibilidade e os de uso dos funcionários. A brigada de incêndio conta com 22 profissionais treinados.  

Festival do Sobá

A Prefeitura ainda não tem uma proposta concreta, mas comprometeu-se em desenvolver um mecanismo de apoio que ofereça segurança e qualidade no funcionamento para comerciantes e frequentadores. Uma das metas para as próximas semanas é tentar realizar uma versão sustentável do Festival do Sobá, ponto alto do calendário, que em 2020 chega à sua 15ª. edição. 

“Chegamos a ter 70 mil pessoas nos anos mais concorridos do festival, como 2014 e 2016”, relembra Elvira, que se orgulha de momentos marcantes dos 95 anos de história da Feira, como os tombamentos municipais em reconhecimento ao sobá (2006) e ao espaço como ponto turístico (2017). 

Mas antes de sonhar alto, o objetivo é mobilizar todos os comerciantes para que estejam abertos mais cedo, desde o meio-dia, de quarta-feira a domingo.

A ideia é, com isso, garantir recursos para os custos mensais de manutenção, que giram em torno de R$ 50 mil reais e são rateados conforme o tamanho do negócio. Uma banca de 5 metros quadrados, por exemplo, arca com uma contribuição de pouco mais R$ 100 reais. 

Mas esse é um custo bem variável, de acordo com o consumo de água, energia elétrica, material de limpeza e outros itens.

Local passou por limpeza e descontaminação

Nas ações de descontaminação de locais de grande circulação, realizadas pela prefeitura a Feira Central passou por descontaminação. 

Na limpeza, para reforçar o combate ao novo coronavírus, foram utilizados cerca de mil litros de hipoclorito de sódio por entre corredores, lojas, banheiros e balcões do ponto turístico.

 
 

Felpuda


A lista do Tribunal  de Contas de MS,  com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros  de quando exerceram cargos públicos,  está deixando  muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto  pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!