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VACINA PARA A COVID-19

Eduardo Pazuello: desrespeitar a Anvisa coloca a saúde da população em risco

Ministro da Saúde disse que governo vai disponibilizar vacinas, que não serão obrigatórias
08/12/2020 17:22 - Eduardo Miranda


Em pronunciamento na tarde desta terça-feira (8), o ministro da Saúde, general da reserva Eduardo Pazuello, afirmou, ao falar sobre as vacinas contra a Covid-19 que estão sendo negociadas pelo governo brasileiro, que qualquer descumprimento aos requisitos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode colocar em risco toda a saúde da população.  

Ele também disse no pronunciamento que há cerca de 300 milhões de doses disponíveis (nenhuma delas ainda aprovada pela Anvisa), e que não existe nenhuma discussão sobre preferências ou preterimentos às vacinas que estão em desenvolvimento. A declaração ocorreu horas depois de ele ter se reunido com os governadores dos estados brasileiros, e ter protagonizado uma discussão com João Dória (PSDB), governador de São Paulo, aonde o Instituto Butantan testa a vacina chinesa Coronavac.  

“Essa é uma discussão criada. Temos todos os memorandos assinados e continuamos fiéis a eles”, afirmou o ministro da Saúde. 

Na reunião pela manhã, Dória fez o seguinte questionamento ao ministro: “Por que excluir a Coronavac já que o procedimento junto à Anvisa é igual ao Covax e AstraZeneca?”.  

 

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Discussão

Em outubro, conforme o governador de São Paulo, Pazuello prometeu a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, mas teve de recuar após ser desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Infelizmente o presidente desautorizou o senhor, foi deselegante. Em menos de 24h, impediu que a sua palavra fosse impedida perante os governadores”, disse Doria em outro momento da reunião.

No pronunciamento do fim da tarde desta quinta-feira Pazuello não citou a Coronavac, ao falar dos planos do Ministério da Saúde. Lembrou do acordo entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Oxford e Laboratório Astrazeneca, que prevê mais de 200 milhões de doses, 142 milhões delas produzidas pela Fiocruz.

A vacina de Oxford, conforme artigo publicado nesta terça-feira (8) na revista científica Lancet, atingiu 70% de eficácia, mas ainda não conseguiu comprovar seus efeitos imunizantes na população idosa, indica o mesmo estudo. 

O ministro da Saúde em pronunciamento também lembrou que o Brasil integra o consórcio Covax Facility, aliança global, chancelada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para facilitar a aquisição de imunizantes - ainda que em doses mínimas.  

Neste consórcio, o Brasil teria acesso inicial a 42 milhões de doses, informou o ministro da Saúde.  

Pazuello também citou o memorando de entendimento entre o Ministério da Saúde e a Pfizer, farmacêutica norte-americana que desenvolveu com a alemã Biontech, a primeira vacina a ser aplicada no Ocidente à população. A distribuição desta vacina começou nesta terça-feira (8), no Reino Unido.  

 

Disponíveis, mas não obrigatórias

Pazuello também frisou que todos os brasileiros terão acesso à vacina, mas reforçou que ela não será obrigatória. “Vacinaremos aqueles que desejarem”, afirmou.