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DIFICULDADE

Pessoas com Covid-19 têm de circular para conseguir atendimento

Pacientes que deveriam estar em isolamento fazem via-crúcis em vários postos para realizar exames
06/03/2021 08:30 - Ana Karla Flores


Pacientes com Covid-19 são encaminhados para diferentes unidades de saúde por falta de estrutura para realizar os exames necessários. Pessoas contaminadas são obrigadas a circular pela Capital por causa da falta de organização da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau).

A reportagem do Correio do Estado apurou que, para realizar os exames, os médicos pedem para que os próprios pacientes encontrem uma unidade que tenha o equipamento específico. Com isso, as pessoas infectadas são submetidas a se dirigir para diferentes locais, podendo aumentar a circulação do vírus.

Este tipo de atendimento descentralizado feito pelo município também eleva o risco de contágio, pois as pessoas que deveriam estar em isolamento têm de circular pela cidade em busca de atendimento.  

Últimas notícias

Uma paciente com Covid-19, que pediu para manter o nome em sigilo, relata que, para realizar os exames do pai, que também foi confirmado com a doença, teve de fazer uma maratona em diversas regiões da Capital. Ela explica que, inicialmente, o pai foi consultado no Centro Regional de Saúde Dr. João Pereira da Rosa, no Aero Rancho.  

Após a consulta, o médico indicou que o exame RT-PCR fosse feito na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Benjamim Asato, no Bairro Parque do Sol. Além disso, o paciente teve de ir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário para realizar um exame de raios X do pulmão.  

Com todos os exames feitos, o paciente retornou para o Aero Rancho para realizar uma nova consulta. “No caso de [exame de] raios X, os médicos dizem ‘procure uma unidade que tenha [aparelho de] raios X e vá fazer’”, disse a denunciante.

A paciente ainda detalha que para cada exame teve que ficar aguardando na sala de espera por horas para ser atendida, com os demais pacientes do local. “Quando ele voltou para a consulta, foi internado no Aero Rancho, depois saiu a vaga para o Hospital Regional e ficamos mais de nove horas esperando uma ambulância para transferir ele para lá”.

MAIS UM CASO

Outra paciente, que também não quis se identificar, relata que passou por duas unidades de saúde. Ela foi até a UPA Nova Bahia quando sentiu os primeiros sintomas, e o médico passou os medicamentos.  

Entretanto, como não sentiu melhora com os antibióticos, a paciente foi encaminhada para a UPA Coronel Antonino. “Como não melhorei, fui de novo ao posto Coronel Antonino, lá acabei fazendo exame de raios X e fiquei no oxigênio”.

Ela complementa que apenas recebeu um atestado de uma semana, e mesmo ainda com o vírus teve de voltar a trabalhar. “A parte ruim é que, ao contrário do particular, não te passam exames para saber se você realmente ainda está com o vírus, se ainda está contaminando. Te dão sete dias de atestado e pronto, pode voltar. Onde eu trabalho, uma advogada teve [Covid-19] e após uma semana fez o exame e ainda estava com o vírus”.

Questionada pelo Correio do Estado, a prefeitura de Campo Grande respondeu em nota que, em casos de pacientes suspeitos ou com Covid-19, o acompanhamento é feito em Unidades Básicas de Saúde e não em unidades de urgência e emergência.

“Os pacientes notificados devem ser monitorados e orientados sobre onde buscar o atendimento de forma adequada, evitando justamente situações como esta citada, de exposição desnecessária de terceiros, uma vez que as unidades de pronto atendimento recebem um fluxo diário de centenas de pessoas”, afirmou a prefeitura em nota.

Transmissão em alta

Desde dezembro de 2020, Mato Grosso do Sul tem enfrentado altas constantes no número de casos confirmados, de mortes e de internações por Covid-19. Nos últimos dois dias, o Estado registrou recorde de pacientes hospitalizados, com 683 pessoas internadas em leitos clínicos e em unidades de terapia intensiva (UTIs).

MS registrou, no intervalo de 24 horas, entre quinta-feira e sexta-feira, 23 novas mortes e 771 novos casos de infecção pelo coronavírus. Com os novos números, o Estado atinge 185.883 confirmações de Covid-19, 3.416 mortes e 172.910 recuperados.

No mesmo período, Campo Grande registrou 209 novos casos; seguida por Dourados, com 65; Corumbá, com 38; Três Lagoas, com 72; Ponta Porã, com 31; Sidrolândia, com 30; e Eldorado, com 26.

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, alerta para que as pessoas continuem seguindo as normas de biossegurança, principalmente agora, com a possível circulação da variante P.1. Resende afirma que a cepa é mais contagiosa do que o vírus e possui um alto grau de agressividade e transmissibilidade.  

Mais transmissível

No dia 3 de março, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o primeiro caso de infecção pela nova variante do coronavírus (P.1) foi confirmada em Mato Grosso do Sul. A variante do vírus causador da Covid-19 foi registrada em um paciente do sexo masculino de 37 anos, morador de Corumbá.

Além deste caso, o Estado aguarda o resultado de outros dois casos suspeitos, que estão em investigação pelo Instituto Adolfo Lutz, sem data para envio. Os casos foram registrados em Campo Grande e