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MUDANÇA

Capital vai perder duas unidades de saúde 24h

Promessa é a de que locais tenham mais médicos somente até as 22h
06/03/2020 09:15 - Daiany Albuquerque


 

Duas das dez unidades que funcionam 24 horas em Campo Grande vão passar a atender apenas até as 22h. Os Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Coophavilla 2 e do Tiradentes devem passar por obras ainda este ano. O projeto de reforma é elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

A licitação deve sair até junho e a reestruturação tem por objetivo a mudança na forma de atendimento do local. O secretário municipal de Saúde, José Mauro de Castro Filho, informou que as unidades devem aderir ao programa Saúde na Hora do Ministério da Saúde.  

Com a mudança, os locais não teriam médicos plantonistas, entretanto, funcionariam com quantidade maior de profissionais.

Castro afirma que, conforme avaliação da Sesau, seria necessário implantar até oito equipes multidisciplinares nessas unidades, dependendo da demanda.

“Existem poucas unidades no País com estrutura técnica para ter oito equipes e o Ministério da Saúde ainda está implementando padrão para a gente conseguir fazer essas oito equipes no local. Aqui nós vamos ter duas, o Tiradentes com oito equipes e o Coophavilla com seis”, explicou o secretário.

Cada equipe dessas tem um médico, enfermeiros e fisioterapeuta, além de outros profissionais. “A estratégia é primeiro abrir um diálogo para ver se a gente consegue fazer essa mudança, até porque é uma recomendação do Ministério Público [de Mato Grosso do Sul] e isso foi aprovado no Conselho Municipal de Saúde. Nós estamos agora em fase de projeto para que a gente possa aumentar para oito ou seis equipes. Ela vai sair de plantonistas para equipes de saúde, então nós vamos aumentar a cobertura dela”, garantiu Castro.

A quantidade exata de equipes que devem atuar nessas unidades dependerá da demanda que ela atende. “A gente tem de estudar o dimensionamento da necessidade. Quem vai definir se são oito ou seis equipes é o volume de atendimento da unidade. A gente quer aumentar a cobertura na região do Coophavilla e a estratégia mais adequada é essa, porque a gente vai ter um financiamento desta unidade que a gente não tem hoje”.

Atualmente, Campo Grande já tem 16 unidades de saúde que fizeram a adesão ao programa Saúde na Hora. Muitas delas funcionam em horário estendido, por 12 horas, e outras estão em fase de estruturação para conseguir aumentar sua capacidade.

“Cada equipe cadastra, em média, 4 mil pessoas, então você tem um limite por bairro. Tem de colocar uma proporção de funcionários para atender essa população que está cadastrada”, explicou o secretário.

SEM ESPECIALISTAS

Outra mudança, conforme Castro, será a de que os médicos não serão mais separados por especialidades. Eles serão “profissionais da atenção primária”. “O profissional não é ginecologista, não é pediatra – ele é um profissional especializado em atenção primária. Ele vai atender ginecologia, pediatra, clínica. O profissional tem de ter essa noção de atendimento, essa é a política que o governo está implementando, não somos nós. Médicos de atenção primária são médicos que vão ter esse conhecimento”.

Para isso, a secretaria tem um programa de residência médica aprovado pelo Ministério da Saúde. Até o ano passado, a pasta formava dois médicos da família a cada dois anos, entretanto, para este ano, foram oferecidas 30 vagas.

Os profissionais aprovados na seletiva iniciaram o período de aprendizagem esta semana e estão divididos em nove unidades de saúde da Capital, em que farão residência por dois anos.

“Nós não estamos falando em acabar com nada. Estamos falando em estruturar e aumentar onde tem um número maior e que precise. Por isso nós estamos fazendo a residência, essa é a orientação do Ministério da Saúde”, afirmou o titular da pasta.

OPINIÃO

Apesar da promessa de atendimento com mais profissionais, muitos moradores da região do Coophavilla 2 não gostaram da ideia de perder a unidade 24 horas. “Tinha de continuar 24 horas. Ampliar os médicos e diminuir o horário é trocar seis por meia dúzia. Tem tanta gente que precisa de madrugada e, às vezes, não tem condições de ir até outra unidade”, declarou a secretária Elizandra Vidica, 36 anos.

Já o aposentado Francisco Corrêa, 61 anos, afirmou que, na sexta-feira, após as 15h, o CRS do bairro é a única opção de atendimento da região, já que, conforme relato, as Unidades Básicas de Saúde do Coophavila, do Tarumã e do Batistão sempre fecham mais cedo neste dia.

“Se precisa de um remédio tem de vir aqui, porque essas unidades fecham cedo. Então acaba que todo mundo só vem aqui e, às vezes, nem médico tem nas UBSs”, reclamou o aposentado.

Mesmo assim, nem todos os moradores estão contra a ideia. A dona de casa Jandira Rosa Costa Duarte, 42 anos, relatou: “Aqui demora muito o atendimento. Então, se aumentar o número de médicos é bom porque aí as pessoas não vão ficar esperando por muito tempo. Ainda mais se tiver fisioterapeuta – tem tanta gente precisando fazer fisioterapia e não acha aqui por perto pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Temos de pensar positivo”.

Mais tempo aberta, mais recursos

O Programa Saúde na Hora, lançado em maio do ano passado pelo Ministério da Saúde, amplia os recursos mensais a municípios que estenderem o horário de funcionamento das unidades de saúde, que devem permanecer de portas abertas durante o horário de almoço e, opcionalmente, aos fins de semana. Para incentivar a ampliação, os repasses mensais do Ministério da Saúde podem dobrar de valor dependendo da disponibilidade de equipes de Saúde da Família e de Saúde Bucal, além da carga horária de atendimento das unidades, que pode variar entre 60 horas e 75 horas semanais. 

 

Felpuda


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