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Pouca presença de negros na TV leva a racismo na infância, dizem especialistas

Pouca presença de negros na TV leva a racismo na infância, dizem especialistas

AGÊNCIA BRASIL

12/10/2015 - 14h52
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O estudante Anderson Ramos passou boa parte da 4ª série (hoje 5º ano) sendo chamado de “macaco”, “preto fedido”, “sujo” e ouvindo “piadas” por causa do cabelo crespo. As ofensas vinham de colegas da escola que, assim como ele, tinham 10 anos. O menino relatava os casos para a professora, que nada fez, e para a mãe, que demorou a entender que o filho estava sendo vítima de injúrias raciais.

“Quando comecei a chorar muito para não ir à escola e pedi para raspar o cabelo, minha mãe percebeu que eu estava sofrendo com aquilo, mesmo sem eu saber direito o que era”, afirma Ramos, hoje com 20 anos. “Quando a gente é criança, não tem maturidade para fazer a leitura do que aconteceu, mas sente a dor que o racismo causa. E não é brincadeira de criança, é racismo”, diz o estudante.

Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da instituição, Renísia Garcia Filice acredita que o racismo existe dentro das escolas e ocorre de forma cruel, efetiva e naturalizada. Para ela, essa atitude na infância é fruto do que a criança viu ou vivenciou fora do ambiente escolar.

“A criança pode ter vivenciado isso numa postura dos pais, em algum comentário ou até em algo que os professores fizeram ou deixaram de fazer”, diz Renísia. Segundo ela, alguns professores se omitem em situações de racismo pela falta de informação, por naturalizar os casos ou achar que não é um problema. “Por isso, são necessárias práticas pedagógicas para que as crianças se percebam iguais e com iguais direitos”, acrescenta.

Ildete Batista dá aula para crianças de 5 anos em uma escola no Distrito Federal. Ela afirma que as questões raciais aparecem principalmente no momento de disputa e durante as brincadeiras. Professora há mais de 20 anos, Ildete afirma que faltam referências para as crianças. “O que fica como belo é o que se aparece na TV, nos livros – inclusive nos materiais didáticos. A gente vê muitas propagandas, livros de histórias infantis em que os personagens são brancos.”

A professora desenvolve, na escola, um trabalho contra o racismo e para colocar mais referências africanas na educação. Isso, segundo Ildente, vem dando resultados. “No início do ano, uma menina me disse que não gostava do cabelo dela, por ser crespo. Em um desenho, por exemplo, ela se fez loira do olho azul. Agora, no final do ano, ela se desenha uma criança negra com cabelo enrolado. Isso mostra que o trabalho tem que ser feito e, se ele é feito com respeito, a gente consegue vencer esses problemas”, acredita.

Segundo o professor do curso de direito da UnB Johnatan Razen, quando há ofensas entre crianças, no colégio, os pais devem relatar o caso à escola, para a que a instituição promova ações educativas. “Se o caso envolver um professor ou a ofensa vier da instituição – como obrigar uma aluna a alisar o cabelo –, cabe acionar a Justiça”, orienta. Se tiver conhecimento de atitudes racistas dentro do espaço e se omitir, a escola também pode ser responsabilizada penalmente, de acordo com Razen.

REPRESENTAÇÃO

Para a professora do curso de comunicação social da Universidade Católica de Brasília (UCB) Isabel Clavelin, há uma tendência de aumento na representação de crianças negras nos meios de comunicação, nos últimos anos. "Mas elas figuram em papéis de coadjuvantes, e a representação está aquém da proporção de negros no Brasil", diz a pesquisadora.

“Isso tem um efeito devastador, porque a criança se vê ausente ou não se vê como ela realmente é. Ela está sempre atrás. A interpretação dessas mensagens tem um efeito muito danoso, que é a recusa, de se retirar do espaço da centralidade”, afirma Isabel. “Enfrentar o racismo na infância é crucial e deve mobilizar toda a sociedade brasileira, porque ali estão sendo moldadas todas as possibilidades de identidade das pessoas”, acrescenta.

A escritora Kiussam de Oliviera, que trabalha com a literatura infantil com o objetivo de fortalecer a identidade das crianças negras, afirma que falta representação positiva. “Em um país de maioria negra, não se justifica uma televisão totalmente branca, como nós temos. A partir do momento que as emissoras entenderem que o público negro é grande, nós viveremos uma fase diferente desta que estamos passando, onde há violência por conta da cor da pele, agressões focadas na raça – cada vez mais banalizada."

O estudante João Gabriel, de 11 anos, sente falta de mais crianças negras na televisão. “Nos desenhos e nos programas de TV, quem é gordo e negro está sempre sendo xingado, é sempre tímido e os outros zoam dele. Aí a gente vê isso e acha que é sempre assim. Os colegas acham que todos precisam ser iguais e ser diferente é ruim.”

NOVO PROGRAMA

Com a maioria dos personagens negros, começa hoje a ser exibido na TV Brasil o desenho colombiano Guilhermina e Candelário. Para marcar a passagem do Dia da Criança, a emissora exibirá quatro episódios em sequência, às 9h45 e às 13h. A partir daí, o desenho será transmitido de segunda a sábado, na Hora da Criança, faixa de programação de segunda a sexta das 8h15 às 12h e das 12h30 às 17h; e no sábado, das 8h15 às 12h.

A série mostra o cotidiano dos dois irmãos, cuja capacidade de sonhar transforma cada dia em aventura. A cada dia, eles esperam ansiosamente a chegada do Vô Faustino, a quem contam suas aventuras. O avô desfruta das histórias narradas pelos netos e compartilha sua experiência de vida e sabedoria.

Coproduzida pelo Señal Colombia e pela Fosfenos Media, a animação Guilhermina e Candelário é um dos primeiros desenhos do gênero com protagonistas negros a ser exibido na TV aberta brasileira.

CLIMA

"Alerta Laranja" segue para todo MS com registro de 12% na umidade relativa do ar

Semana ensolarada promete temperaturas mais altas e baixa umidade em todo o território sul-matogrossense

21/07/2024 14h40

Hidratação é essencial para evitar problemas respiratórios e de pele

Hidratação é essencial para evitar problemas respiratórios e de pele Marcelo Victor | Correio do Estado

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Depois de duas semanas com temperaturas mais baixas o calor retorna em grande parte das cidades de Mato Grosso do sul. Conforme o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), os próximos dias devem registrar sol com poucas nuvens e tempo bastante seco, com previsão de umidade mínima em torno de 20%.

Ainda segundo o Inmet, o domingo (21) registrou mínima de 12% na umidade relativa do ar, o que coloca o Estado em situação de "Alerta Laranja". O alerta é uma classificação utilizada por instituições meteorológicas para indicar um nível de alarme significativo de condições meteorológicas adversas ou de risco para a população.

Geralmente, é o segundo nível mais alto em uma escala e pode representar um perigo moderado a alto para as pessoas e propriedades na área afetada. Por conta do tempo seco, há risco de incêndios florestais, além de problemas respiratórios e ressecamento da pele, desconforto nos olhos, boca e nariz.

Hidratação é essencial para evitar problemas respiratórios e de peleMapa mostra várias cidades de MS em alerta laranja - Foto: Divulgação Inmet

Recomendações

A OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que o ideal é que a umidade do ar oscile entre 60% e 80%.

Com os dias mais secos, algumas doenças, principalmente respiratórias, podem se tornar mais frequentes. Recomenda-se:

  • ingerir bastante líquido ao longo do dia, ou seja, de 2,5 a 3 litros;
  • evitar atividades físicas, principalmente aquelas com exposição ao sol e nas horas mais quentes do dia;
  • hidratar a pele constantemente para evitar ressacamento de pele e/ou dermatites;
  • umidificar o ambiente com equipamentos eletrônicos ou, na ausência do mesmo, utilizar baldes, bacias e outros utensílios domésticos;

Para reduzir os impactos da baixa umidade do ar na saúde, a biomédica Patrícia Pacheco afirma que se manter bem hidratado é fundamental. Manter a higiene nasal também é fundamental para driblar a baixa umidade do ar.

“Além da lavagem nasal, é possível usar soluções salinas em formato de spray nasal para manter as vias nasais limpas e úmidas. Evitar o uso excessivo de descongestionantes nasais é importante, pois eles podem levar ao efeito rebote e piorar a congestão a longo prazo”, alerta a biomédica.

Patrícia Pacheco lembra que, se possível, deve-se evitar a exposição a ambientes com poluição excessiva, como fumaça de cigarro, produtos químicos irritantes e poluentes atmosféricos.

Esses fatores podem agravar problemas respiratórios e causar irritação nas vias aéreas. Para obter mais informações, basta entrar em contato com a Defesa Civil  pelo telefone 199 ou através do 193 - Corpo de Bombeiros. 

Hidratação é essencial para evitar problemas respiratórios e de peleTempo seco se reflete também no solo e nas culturas de produção de alimentos - Foto: Marcelo Victor | Correio do Estado 

Campo Grande 

A temperatura mínima prevista para Campo Grande nesta segunda-feira é de 17°C no início da manhã e a máxima pode atingir os 32°C ao longo do dia. 

De acordo com o Inmet, a umidade deve subir um pouco, algo em torno de 30%, porém, na quinta-feira, o tempo volta a ficar mais seco, com umidade mínima de 20% e termômetros marcando os 33ºC. 

Dourados e Sul do Estado 

Em Dourados, a semana inicia com valores que variam entre 14°C pela manhã e 28°C durante o dia. A umidade relativa continua abaixo dos 30% mas deve cair a partir de quarta e quinta-feira, com previsão de 20%.

Em Ponta Porã, na região sul fronteira, a mínima será de 13°C e a máxima de 27°C. Não há previsão de chuvas e o tempo permanece firme.

Bolsão 

O município de Paranaíba pode apresentar mínima de 19°C e máxima de 33°C nesta segunda-feira. Já Três Lagoas registra variação entre 16°C e 31°C e névoa seca nas primeiras horas do dia. Em ambas as cidades, o tempo seco ainda prevalece com mínima de 20% nos próximos dias. 

Norte

Em Coxim, o cenário é bem parecido com o de outros municípios. A segunda-feira terá mínima de 17°C e a máxima pode chegar aos 34°C, enquanto Camapuã varia entre 18°C e 34°C. A região deve continuar com a umidade bem abaixo do ideal, podendo registrar também mínima de 20%. 

Corumbá e Pantanal 

Na região pantaneira, Aquidauana e Corumbá registram máximas de 33°C nos horários mais quentes do dia, com mínimas respectivas de 13°C e 22°C. Apesar da baixa umidade, a mínima na região será de 40%, podendo reduzir para 20% até quinta-feira (25). 

Em Porto Murtinho, na região sudoeste, a mínima é de 19°C e a máxima de 33°C. De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), a atuação de um sistema de alta pressão atmosférica favorece o tempo quente e seco no Estado.

Além disso, as temperaturas mínimas permanecem mais amenas durante a noite e ao amanhecer, subindo ao longo do dia devido a presença de ar seco.

*Com informações da assessoria

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CAMPO GRANDE

Em dois dias, Energisa e Polícia Civil removem 10 mil fiações clandestinas

Empresas de telefonia e internet, que não são cadastradas na Energisa, instalam fios de maneira ilegal em postes espalhados por diversos bairros da Capital, o que é proibido

21/07/2024 11h40

Fiação ilegal retirada pela Energisa e Polícia Civil

Fiação ilegal retirada pela Energisa e Polícia Civil DIVULGAÇÃO/Energisa

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Energisa e Polícia Civil de Mato Grosso do Sul removeram 10,5 mil metros de cabos clandestinos, de sete empresas, em dois dias, em Campo Grande. No mês passado, 4 mil fiações ilegais foram retiradas.

Algumas empresas de telefonia e internet, que não são cadastradas na Energisa, instalam fios de maneira ilegal em postes espalhados por diversos bairros da Capital, fora das regras impostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o que é proibido.

A ação faz parte de uma operação, em conjunto com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), que atua em combate às instalações irregulares e clandestinas de fios em postes. A operação ocorreu na quarta (17) e quinta-feira (18). Vale ressaltar que este tipo de fiação irregular não se trata de “gato de energia”.

Atualmente, a Energisa possui 164 empresas cadastradas em Mato Grosso do Sul, que são detentoras dos fios e responsáveis pela fiação solta.

Para haver a regularização, é necessário compartilhar postes entre a empresa de telefonia/internet e a concessionária. Ou seja, para utilizar a infraestrutura, é necessário firmar contrato com a distribuidora para operar o serviço.

“O foco da ação é a remoção de cabos de empresas que atuam de maneira clandestina e irregular na Capital, ou seja, empresas que não possuem nenhum tipo de projeto aprovado junto a concessionária e não possuem nenhum projeto contratual de compartilhamento de infraestrutura com a Energisa. Após a remoção desses ativos, é de suma importância que as empresas procurem a concessionária para estarem realizando a regularização e poderem fazer o compartilhamento de infraestrutura de maneira correta e com segurança. A região central de Campo Grande é bastante sensível e sofre com esse problema sistêmico de fios soltos”, disse o coordenador Construção e Manutenção da Energisa MS, João Ricardo Nascimento.

“Com essa ação, já tivemos empresas que nos procuraram para regularizar a situação. A Energisa está pronta para atender quem mais tiver interesse em formalizar o contrato com a concessionária", complementou o coordenador.

Para denunciar possíveis fios irregulares, basta entrar em contato com a Energisa pelo número 0800 722 7272.

PROJETO DE LEI

Em março de 2023, foi apresentado o Projeto de Lei 288/23, que determina que as concessionárias prestadoras de serviços de energia elétrica, telefonia, televisão à cabo, internet ou qualquer outro relacionado à rede aérea removam os cabos e a fiação em excesso e sem uso. 

Até então, o texto estava em análise na Câmara dos Deputados. Pela proposta, as prefeituras deverão notificar os responsáveis pela rede aérea existente para removerem o excedente de cabos e fiação sem uso.

As empresas deverão apresentar plano de trabalho em até 30 dias, sob risco de multa de R$ 5 mil. Em caso de novos descumprimentos, a multa será de R$ 20 mil a cada 30 dias.

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