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NATALIDADE

Pré-natais aumentam 40% durante a pandemia em Campo Grande

Mais de 7 mil consultas foram realizadas em grávidas no ano passado
20/02/2021 08:45 - Beatriz Magalhães


O registro de pré-natais em Campo Grande, durante o ano de 2020, aumentou 40% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da plataforma e-SUS, do Sistema Único de Saúde. Enquanto em 2019 foram realizadas 5.031 primeiras consultas de mulheres gestantes, de janeiro a novembro do ano passado o número chegou a 7.023, um crescimento de 1.992 atendimentos.

A secretária administrativa Amanda Carneiro Bastos, de 37 anos, engravidou durante a pandemia da Covid-19. A gravidez não foi planejada e, em razão da doença, a nova mãe precisou redobrar todos os cuidados e a atenção, já que as gestantes fazem parte do grupo de risco. “Só saía de casa quando era extremamente necessário”, afirma.

Além dos cuidados, Amanda frisa que a gravidez na pandemia é diferente em muitos aspectos, até mesmo em relação à celebração. “Com essa doença, deixamos de compartilhar a chegada de uma nova vida. Muitas vezes não comemoramos, porque em alguns casos houve a morte de um ente querido, por exemplo”, comenta Amanda.

De acordo com a psicóloga Mariana Bianchi, o que pode resultar no aumento de gestações é a convivência mais próxima entre os casais. “Muitos casais no início da pandemia, e até hoje, estão trabalhando de casa e isso talvez possa ter trazido à tona algumas questões, novas conversas, novos desejos, ou até mesmo colocar em prática a vontade de ter um filho. Isso eu tenho visto acontecer com pacientes e também amigos”, explica a psicóloga.

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O medo da morte, que a pandemia evidencia, também pode influenciar. “Muitas pessoas, por medo da morte, estão tentando ter mais vida de alguma forma, e nada tem mais vida que o nascimento de uma criança”, argumenta Mariana.

INTEGRAÇÃO 

De acordo com a gerente técnica da Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Thays Cruz, a razão do aumento significativo pode ter sido a integração total dos dados em uma única plataforma.

“Em 2019, eram apenas 29 unidades de atenção primária que registravam as consultas no sistema e-SUS/PEC. No ano de 2020, todas as 71 unidades passaram a realizar esse registro. Como o Sisab [Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica] é uma base de dados alimentada pelo e-SUS/PEC, o aumento pode estar relacionado a este fator”, argumenta a gerente.