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COVID-19

Contra Covid-19, vacina BCG começa a ser aplicada em voluntários em Campo Grande

Capital de Mato Grosso do Sul e cidade do Rio de Janeiro são as únicas a realizar pesquisa no Brasil
20/10/2020 10:22 - Carol Alencar Cozzatti


Uma das principais vacinas do mundo, Bacillus Calmette-Guérin, conhecida como BCG, que tomamos ao nascer para prevenir a tuberculose, está sendo testada para uma possível prevenção ao coronavírus. Campo Grande foi uma das capitais escolhidas para aplicar o estudo clínico, chamado de Brace Trial Brasil (BTB), em profissionais da saúde. A aplicação da vacina começou nesta segunda-feira (19) na sede da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Ao todo, dois mil profissionais da saúde, que incluem não apenas os médicos e enfermeiros, mas motoristas de ambulância, recepcionistas de instituições, trabalhadores da limpeza e manutenção diária, poderão ser voluntários do estudo clínico. Segundo informações, todos passarão por uma entrevista e testagem sorológica antes de revacinarem a BCG e os voluntários serão acompanhados semanalmente por até 12 meses após a revacinação.

“É uma vacina antiga, ela tem atuação direta ao combate à infecção de vírus respiratório, tanto em crianças como idosos, estamos em estudo clínico para que ela possa garantir algum benefício no combate à Covid-19”, explicou o médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Júlio Croda.

Ainda segundo o infectologista, o objetivo inicial do projeto que envolve diversos países como Austrália, Espanha, Reino Unido, Holanda e agora o Brasil, é testar diretamente nos profissionais que tem o maior risco de contágio do coronavírus, que são os profissionais da saúde. “A pesquisa irá recrutar mais de 10 mil trabalhadores do mundo todo para podermos acompanhar, neste um ano, reações e/ou sintomas de Covid-19 e possíveis evoluções com a vacina da BCG”, explicou.

Voluntário n.º 1

Enfermeiro há nove anos e professor substituto da UFMS há um ano, Everton Ferreira, 32 anos, que também acumula o título de doutor em Doenças Infecciosas foi o primeiro voluntário para tentar ajudar a encontrar uma possível vacina da doença que assolou o mundo. “Estou me sentindo um cidadão consciente porque a gente entende que é uma pesquisa importante para o fomento de políticas públicas conscientes, pautadas na ciência e como profissional da saúde, pesquisador me sinto orgulhoso em acreditar nesse estudo e em ter essa oportunidade de colaborar com a sociedade”, enfatizou o voluntário.

Quanto às expectativas positivas, obviamente, da possível vacina da BCG atuar diretamente ao combate do coronavírus, o primeiro voluntário diz: “vários estudos já tem sido publicado mostrando um impacto positivo em relação ao que a BCG traz, em termos de proteção de doenças respiratórias, então estamos com todas as expectativas positivas possíveis com esse estudo clínico”.