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PANDEMIA

“Presos” pela quarentena, professores precisam se reinventar para dar aulas

Situação também forçou profissionais a se redescobrirem
21/04/2020 21:00 - Fábio Oruê


Desde que o coronavírus passou a se espalhar pelo mundo, os países têm adotado o isolamento social - ou quarentena -, que é, segundo o Ministério da Saúde, o meio mais eficaz de prevenção ao causador da Covid-19. O sistema de educação é um dos setores mais afetados pelos efeitos da pandemia, o que fez com que professores tivessem que se reinventarem para continuar passando conhecimento aos seus alunos. 

Muitas escolas e universidades já estavam introduzidas no mundo tecnológico, mas o cotidiano integralmente digital foi a novidade que se apresentou. A professora Michelle Bonilha nunca imaginou viver um momento de transição tão intenso e novo. “Deixamos de lado o abraço, o toque e passamos a viver longe um do outro. Tem sido um desafio muito grande esse momento de pandemia, mas tenho me adaptado”, destacou a professora que atua na educação infantil.

A maioria dos profissionais passou a contar com as câmeras como companheiras nas aulas. Com Michelle não foi diferente e seu quarto se transformou em sala de aula, onde produz suas videoaulas. Ela conta que teve que sair da sua zona de conforto, onde tinha toda a segurança de atuar pessoalmente, para atuar não só para as crianças, mas para todas as famílias. 

“Passei a gravar uns oito vídeos por dia. Esta quantidade podemos duplicar, pois a cada atividade eu gravo várias vezes para que fique bom. A cada atividade gravada eu assisto duas vezes e fico pensando se meus alunos e as famílias irão entender a minha aula. Passei a analisar através dos vídeos, a minha postura como professora, a minha forma de passar o conteúdo e o amor, a interação com meus alunos, se aquele conteúdo terá um entendimento, se está de uma forma leve. Pesado já basta os dias que estamos vivendo”, comentou. 

ADAPTAÇÃO FORÇADA

“Vi parte do meu castelo desmoronando e me senti desarmado, num verdadeiro ataque surpresa. Literalmente entrincheirado”, descreveu o professor Maurício Santos, sobre a suspensão das aulas presenciais.

O profissional não hesita ao dizer que o momento atual surgiu como maior desafio em 36 anos de magistério. “A duração do confinamento, a mudança de hábitos e comportamento através de uma tela de computador, ter de me aproximar do meu aluno e dar a ele um norte, um senso de continuidade, derrubando minhas próprias dificuldades emocionais e técnicas por um tempo que ainda não sei, seria eu um tolo se dissesse que esse não está sendo o maior desafio da carreira”, avaliou. 

Para Santos, os estudantes estão colaborando muito, se comportando como verdadeiros tutores das aulas, compreendendo o momento, sorrindo e brincando com os furos dos professores. “Adquirimos um senso de equipe fantástico, onde nossos pontos fracos são os que mais nos une. E fazemos questão de expor isso para não perdemos tempo. Depressa socorremos e somos socorridos: professores, coordenadores e alunos. Inteligente e lindo”, destacou ele, citando também seus colegas da Rede Elite de Ensino. 

GERAÇÃO TECNOLÓGICA 

Professora do ensino fundamental, Laurenice Ribeiro, também vê o momento como maior desafio da sua trajetória profissional em função da mudança de rotina. “Saía para trabalhar e agora atuo em casa. O computador que antes era um aliado na produção das provas e atividades corriqueiras, hoje é fundamental para interação com os alunos, pais e também com os colegas de trabalho”, disse. 

Na análise da professora de Língua Portuguesa, os estudantes estão levando bem o novo cenário. “É uma geração muito tecnológica e com facilidade em interagir em ambiente virtuais. A adaptação está acontecendo aos poucos e o esforço tem sido coletivo”, comentou.

 
 

Felpuda


Embora faltem 26 dias para as eleições, a bolsa de apostas nos meios políticos já está em alta.

Dois nomes estão sendo apontados como favoritos para disputarem o segundo turno.

Isso acontecendo, há quem garanta que um deles receberia total apoio de antiga liderança e de todo o seu grupo, que hoje estão em lados opostos.

Vai longe o tempo em que o objetivo era tão somente o bem comum...