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SOLIDARIEDADE

Projeto distribui máscaras para famílias carentes da Região do Grande Lageado

Já foram produzidas duas mil máscaras que começaram a ser entregues na manhã deste sábado (23)
23/05/2020 12:42 - Gabrielle Tavares


As medidas de biossegurança que protegem do coronavírus, como uso de máscaras, higienização das mãos e isolamento social podem ser um desafio para realidade das famílias em bairros carentes de Campo Grande. Em algumas residências se tirar dinheiro da renda para comprar máscaras para todos os integrantes da família, falta para comprar o alimento do mês. Diante desse cenário, um projeto da Escolinha da Misericórdia em conjunto com colaboradores, tem ajudado os habitantes da região do Grande Lageado.

A ação social doa alimentos e máscaras, auxilia no transporte de e atendimentos de doentes, e treina lideranças, chamadas de sentinelas, que fazem cadastro da população para que os habitantes sejam acompanhados pelo projeto. O atendimento acontece nos bairros Dom Antônio Barbosa, Parque do Sol, Parque do Lageado, Jardim Colorado, Parque dos Sabias e Residencial Teruel Filho, antiga Cidade de Deus.  

Desempregada, Vera Lúcia, de 69 anos, mora com o filho e com a nora no Residencial Teruel Filho e se emocionou ao ganhar as máscaras para toda a família. Ela disse que está grata com as ajudas que recebeu. “Ontem também ganhei um sacolão de outro projeto, esse apoio vai ajudar muito a passar por esse período da quarentena. Estou desempregada, não posso trabalhar porque tenho hipertensão e problemas no coração”, declarou.  

Outra moradora do Residencial Teruel Filho, Letícia de Paula, de 34 anos, também recebeu a ajuda dos voluntários. Ela tem ao todo sete filhos, mas somente quatro deles, que ainda são crianças, moram e estão cumprindo o isolamento social com ela e seu marido. “Não estamos saindo para nada. Minha filha mais nova tem bronquite, então o cuidado tem que ser redobrado”, relatou. Letícia comentou que não sabia onde comprar as máscaras no bairro onde vive e que todas às vezes quando saiu na rua não via ninguém utilizando o equipamento. “Gostei muito do projeto, nosso bairro está precisando”, concluiu.

 
 

Um dos idealizadores da iniciativa, o padre Agenor Martins da Silva explicou que lá não tem incidência do coronavírus, mas como a maioria da população da região se desloca para outros bairros da cidade, ele se preocupa que os habitantes sejam atingidos. “Por ser periferia a comunidade fica ‘esquecida’ pelo Estado, depois da pandemia a situação piorou ainda mais com o desemprego. Então percebemos que precisávamos nós mesmo nos organizarmos”, relatou.  

Marilene Magalhães Siqueira, de 39 anos, atua como sentinela em um dos bairros do Grande Lageado. Ela é uma das responsáveis por efetuar o cadastro das famílias, distribuir as máscaras e alimentos e orientar sobre como fazer o uso correto do equipamento de biossegurança, como fez com a dona Vera e a Letícia. Ela relatou que a maioria das casas da antiga Cidade de Deus possui muitas crianças e agora que estão afastadas da escola ficam todas brincando na rua. “As casas são pequenas e as crianças não têm com o que se entreter”, explicou.

ESCOLINHA DA MISERICÓRDIA

O “Plano de contingência para o atendimento emergencial durante a pandemia do Coronavírus – Grande Lageado”, possui dois polos de atendimento estabelecidos. O primeiro tem como unidade central a Escolinha da Misericórdia S. J. Neumann, na Cidade de Deus, e o segundo no bairro Dom Antônio Barbosa, onde vivem 3.500 moradores.  

Um dos colaboradores da iniciativa e mestrando da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Wilson Bellincanta informou que está sendo estudado a implementação de mais um núcleo, no Bairro Nova Lima. Nesses polos é onde ficam concentradas as doações de alimentos, tem os treinamentos dos sentinelas e os ateliês de confecções de máscaras.  

Voluntárias da Escolinha da Misericórdia já confeccionaram duas mil máscaras para doação. Antes da pandemia da Covid-19, elas faziam atividades para as crianças da região do Grande Lageado no contra turno das aulas escolares. Quando surgiu o Comitê, todas elas aprenderam a costurar e produziram as máscaras com lençóis usados que foram doados pela comunidade e colaboradores. “Resolvemos pegar essa empreitada e a assim nasceu o projeto Mães que Criam”, comentou a freira Delair Purias Coelho, uma das líderes da Escolinha.  

Mais mil máscaras foram doadas, o que as fez atingir 3 mil equipamentos. A meta é conseguir 50 mil, para que todos os 15 mil habitantes da Região sejam contemplados, já que cada pessoa precisa de, pelo menos, duas. Para que isso aconteça, o projeto precisa receber doações para confecções, que podem ser entregues na Escolinha Misericórdia, localizada à rua Emiliana Arruda de Araújo, 311-497 – Parque do Lageado. Também pode ser doados alimentos e roupas de frio. 

 
 

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!