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LAMA ASFÁLTICA

Propinoduto do Detran é desmascarado pela Polícia Federal

Vistorias e emissão de CNHs pela ICE Cartões abasteceu propinoduto na década passada
25/11/2020 10:49 - Eduardo Miranda


A Polícia Federal desmantelou ontem um esquema de pagamento de propina e de lavagem de dinheiro que tinha como origem recursos arrecadados na emissão e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e de vistorias veiculares em Mato Grosso do Sul.  

O esquema, que consistia no pagamento de 10% de propina a empresários locais por uma empresa de São Paulo (SP), a ICE Cartões, pode ter persistido até pelo menos 2019, quando foi encerrada a vigência dos contratos entre o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) e a sociedade em participação formada pela ICE e a PSG Informática – velha conhecida da Polícia Federal por herdar o espólio da Itel Informática, do empresário João Baird.

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A renovação suspeita dos contratos, a cinquenta dias do fim do mandato do ex-governador André Puccinelli (MDB), foi denunciada pelo Correio do Estado em 2014.

Agora, a Polícia Federal desencadeou mais uma fase da Operação Lama Asfáltica, que teve entre seus alvos principais os velhos conhecidos da investigação: João Baird (dono da extinta Itel) e Antônio Celso Cortez (seu suposto laranja na substituta PSG), além de João Alberto Krampe Amorim dos Santos, empresário dono da Proteco, que tinha dezenas de contratos com administração pública nas gestões do MDB no governo do Estado e na Prefeitura de Campo Grande.

Além destes três, a Polícia Federal pediu a prisão preventiva também do ex-secretário adjunto de Fazenda da gestão Puccinelli, André Cance, da ex-mulher dele, Ana Cristina Pereira da Silva, do proprietário da ICE Cartões, Antônio Ignácio de Jesus Filho, e do servidor do Detran Dante Carlos Vignoli.

As propinas foram pagas ao longo da vigência do contrato, até 2017 pelo menos, período em que Cance não era mais secretário e os contratos de Amorim, via Proteco, passaram a ser reduzidos, à medida que a Operação Lama Asfáltica, desencadeada em 2015, avançava.

Uma das planilhas encontradas com Cance indicava o pagamento de mais de R$ 968,7 mil em propina somente em março de 2015. No período entre maio de 2014 e janeiro de 2016, PSG e ICE Cartões dividiram nada menos que R$ 16.970.000,00 em lucros.

Não há como afirmar se as propinas integram este montante ou se eram contabilizadas como despesas.