Cidades

AVALIAÇÕES EDUCACIONAIS

Resultados ainda são subutilizados por escolas

Resultados ainda são subutilizados por escolas

Agência Brasil

04/06/2011 - 14h00
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No segundo semestre de 2011, alunos do 5° e 9° ano do ensino fundamental participam da Prova Brasil, uma das principais avaliações do Ministério da Educação (MEC). É a partir dos resultados do exame que é calculado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que aponta em uma escala de 0 a 10 qual é a qualidade de cada escola, rede municipal ou estadual.

Apesar de servir de parâmetro para que as escolas possam detectar problemas e modificar sua atuação, muitas ainda não sabem como utilizar esses resultados. Pesquisa da Fundação Carlos Chagas com 400 coordenadores pedagógicos de 13 capitais apontou que muitos desconheciam o índice.

Quase metade (47%) deles, ao ser perguntado qual era o Ideb da sua escola, citava um número superior a 10. “Sabendo que o índice pode servir para o planejamento e ações de todos educadores da escola e que há metas governamentais a cumprir, esse desconhecimento é preocupante”, revela o estudo.

Para Amaury Gremaud, professor da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Conselho Consultivo da Avalia Educacional [empresa de avaliação de escolas e sistemas de ensino do grupo Santilla], as avaliações ainda são subutilizadas pelas escolas. “Isso melhorou muito, as secretarias de educação estão bem próximas dos dados, eles não vão só para a gaveta de quem produz. Mas do ponto de vista do planejamento das escolas, ainda há muito espaço para trabalhar essas informações”, afirma.

Na opinião do especialista, que foi diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), as escolas precisam aprender a analisar os resultados da avaliações para alterar suas práticas. Comparar o Ideb da escola com a média nacional, por exemplo, pode não ser um bom parâmetro. “Quando a escola ou rede vai analisar os resultados é preciso olhar criticamente e levar em consideração coisas que os indicadores escondem”, aponta o especialista.

O índice, por exemplo, não leva em conta o contexto social e econômico dos alunos – fator que pode influenciar o processo de aprendizagem e o desempenho final do estudante. Ele mede o "ponto de chegada", mas não o "ponto de partida" da escola, explica Gremaud. Por isso uma estratégia interessante é comparar os resultados da escola com outras unidades da mesma rede de ensino que atendam um público semelhante.

“Se você procura uma escola que tem condições próximas, mas um desempenho melhor, é sinal de que é preciso avaliar alguns processos. A direção pode comparar, por exemplo, se a equipe da outra escola passou por algum processo de treinamento diferenciado ou se o currículo é organizado de uma forma diferente. É olhar um pouco o que está dando certo em outros lugares”, recomenda Gremaud.

O especialista aponta que os índices educacionais não são “perfeitos”, mas são um bom parâmetro. “Indicadores são limitados, a Prova Brasil é uma prova de português e matemática, ela não leva em conta que as condições socioeconômicas dos alunos são diferentes. Por isso as escolas têm que ler os indicadores com uma certa calma”, explica.

A consulta ao Ideb de uma escola da rede municipal ou estadual e as metas que devem ser atingidas a cada dois anos estão disponíveis para consulta na internet.

Entrevista

"Esperamos investir R$ 7,5 bilhões na pavimentação e reestruturação de rodovias"

Secretário de Infraestrutura e Logística de MS, Helio Peluffo fala sobre projetos da Seilog, que incluem a melhoria da malha viária do Estado até o fim da gestão de Eduardo Riedel

18/05/2024 09h30

Helio Peluffo

Helio Peluffo Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Helio Peluffo Filho

Secretário de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul

Formou-se em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula (1986), no Rio de Janeiro (RJ). Foi um dos prefeitos mais bem avaliados de Mato Grosso do Sul no período em que comandou a prefeitura de Ponta Porã (2017-2022) e já atuou como secretário municipal nas prefeituras de Ponta Porã e Maracaju. Também atuou como vereador pela cidade fronteiriça e como professor universitário.

A melhoria de estradas e rodovias de Mato Grosso do Sul, assim como de ruas e avenidas dos municípios do Estado, está entre os projetos apresentados pelo governo estadual para os próximos anos de mandato do governador Eduardo Riedel (PSDB).

Em entrevista ao Correio do Estado, o titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), Helio Peluffo Filho, falou sobre as demandas que estão entre as prioridades para os próximos anos. 

Segundo o secretário, entre os projetos está o investimento de R$ 7,5 bilhões em rodovias do Estado até 2026. O recurso será investido em pavimentação, reestruturação e construção de pontes, entre outros.

“Estamos investindo R$ 6,64 bilhões em obras nas rodovias de Mato Grosso do Sul. Esses recursos estão sendo direcionados para recuperação, implantação e cascalhamento das estradas, abrangendo todos os municípios do Estado. Além disso, estamos construindo e recuperando mais de 13.697 metros quadrados de pontes de concreto, assegurando uma infraestrutura de transporte mais segura e eficiente para todos”, comentou.

Quais são os principais projetos em andamento no Estado?

Estamos executando um plano estadual de pavimentação robusto, com o objetivo de alcançar a universalização da pavimentação asfáltica em ruas e avenidas dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Essa meta foi definida pelo governador Eduardo Riedel e visa promover um desenvolvimento integral em todas as cidades do Estado. Nossa meta é pavimentar mais de 3,7 mil quilômetros de novas vias, visando garantir que todos os municípios tenham 100% de suas ruas e avenidas pavimentadas.

Executamos em 2023 mais de R$ 2,393 bilhões em contratos e convênios com as prefeituras. Em 2024, esses investimentos devem chegar a R$ 2,826 bilhões em obras de infraestrutura urbana, construção civil, estradas, pontes e vias vicinais, bem como melhorias em energia e logística nos aeroportos e aeródromos municipais. 

Com investimentos diretos nos municípios, o governo projeta destinar mais de R$ 5 bilhões para obras de infraestrutura em 2025 e 2026, totalizando cerca de R$ 10 bilhões ao longo dos quatro anos da atual gestão.

Mato Grosso do Sul está em pleno desenvolvimento, avançando em todas as frentes. Estamos estendendo a mão aos municípios para que todas as cidades cresçam na mesma proporção que o Estado. Temos investimentos significativos em obras nas cidades, distritos, áreas urbanas e rurais. Estamos focados no sistema rodoviário, construindo novas rodovias e recuperando estradas essenciais para o progresso dos 79 municípios.

Até 2026, esperamos investir R$ 7,5 bilhões em rodovias, abrangendo pavimentação, reestruturação, construção de pontes e projetos diversos. Além disso, estamos executando um ambicioso plano aeroviário, que destinará R$ 250 milhões ao longo dos quatro anos da gestão do governador Eduardo Riedel para promover melhorias nos aeroportos e aeródromos do Estado. Para se ter uma ideia, no primeiro quadrimestre de 2024, já asseguramos mais de R$ 65 milhões para essa finalidade em sete municípios, com mais investimentos por vir.

Quais os impactos esperados dessas obras?

A pavimentação e outras melhorias na infraestrutura urbana não apenas facilitam a mobilidade e o acesso, mas também impulsionam o desenvolvimento econômico, a qualidade de vida das pessoas e a geração de empregos, tanto na construção civil, com as obras que chegam nas cidades, quanto com o aquecimento do comércio em cada localidade. Com esses investimentos, esperamos criar um ambiente mais favorável para o crescimento das cidades, atrair novos investimentos e melhorar significativamente o bem-estar dos cidadãos de Mato Grosso do Sul.

Como o Estado tem investido para melhorar rodovias e estradas vicinais?

Estamos investindo R$ 6,64 bilhões em obras nas rodovias do Mato Grosso do Sul. Esses recursos estão sendo direcionados para recuperação, implantação e cascalhamento das estradas, abrangendo todos os municípios do Estado. Nosso objetivo é melhorar as condições das rodovias e promover o desenvolvimento socioeconômico regional. 

Além disso, estamos construindo e recuperando mais de 13.697 m² de pontes de concreto, assegurando uma infraestrutura de transporte mais segura e eficiente para todos.

Outros investimentos significativos estão garantidos para 2024 e 2025. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES] destinou R$ 2,3 bilhões para implantação, pavimentação e restauração de rodovias. 

Cerca de US$ 200 milhões [aproximadamente R$ 1,1 bilhão na cotação atual] estão assegurados pelo Banco Mundial para a restauração de rodovias.

Rodovias estratégicas estão recebendo importantes obras de restauração e pavimentação. Entre elas, destacam-se a restauração completa da MS-436, que liga Camapuã a Figueirão, e da MS-320, na região de Três Lagoas, que conecta o município a Inocência. 

Outras obras incluem a MS-338, que vai de Camapuã a Ribas do Rio Pardo, e a MS-276, que conecta Dourados a Deodápolis. Além disso, a pavimentação da MS-040 vai ligar Santa Rita do Pardo a Brasilândia, enquanto a MS-345, de Bonito a Anastácio, está sendo desenvolvida para impulsionar o turismo. 

Esses são apenas alguns exemplos das obras em andamento, que estão em processo acelerado sob a coordenação da Seilog e da Agesul [Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos]. Essas iniciativas visam atender às necessidades dos municípios, facilitar o escoamento da produção pela iniciativa privada e promover o desenvolvimento em todas as regiões do Estado, de norte a sul e de leste a oeste.

Sobre a BR-262, a previsão do governador era de que neste mês o governo federal responderia sobre a delegação de trechos da rodovia e da BR-267 ao governo do Estado. Já há uma resposta?

Estamos avançando nos estudos para a concessão de rodovias prioritárias no Estado, conduzidos pelo Escritório de Parcerias Estratégicas, sob a liderança da Eliane Detoni. Esses estudos, autorizados pelo Conselho Gestor de Parcerias, abrangem a adequação de capacidade, reabilitação, operação, manutenção e conservação de trechos das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, bem como das rodovias federais BR-267 e BR-262.

Este ano, o Escritório de Parcerias Estratégicas terá um posicionamento claro e detalhado para que o governador possa apresentar ao governo federal e formalizar a delegação dessas rodovias a Mato Grosso do Sul, possibilitando que o Estado assuma a concessão e melhore a infraestrutura viária.

Como está o andamento da discussão com o governo federal sobre a Malha Oeste?

Desde 1996, a Malha Oeste é administrada pela iniciativa privada. Em 2020, a empresa concessionária solicitou ao governo federal a devolução e relicitação da ferrovia, em um processo amparado pela lei. Em abril, os governadores Eduardo Riedel, de Mato Grosso do Sul, e Tarcísio de Freitas, de São Paulo, discutiram com o ministro dos Transportes, Renan Filho, sobre este projeto de relicitação.

Além disso, estamos em conversas constantes com as empresas Suzano e Eldorado, do setor de celulose, sobre projetos para a construção de novos trechos de ferrovia. Esses novos trechos visam proporcionar uma opção de transporte ferroviário de Três Lagoas até Aparecida do Taboado, conectando as Malhas Oeste e Paulista, e, eventualmente, ao Porto de Santos.

O investimento estimado para este projeto é de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões e está atualmente em fase de licenciamento pelo Estado. Esse projeto visa melhorar a viabilidade econômica, facilitar o escoamento da produção e aprimorar a logística em Mato Grosso do Sul. O governador tem ido a Brasília frequentemente para defender esta pauta e avançar na retomada da operação da Malha Oeste.

Além disso, a empresa Arauco, de celulose, solicitou autorização para o Estado, por meio da Seilog, para a a construção de um ramal de 47 km, que vai ligar a planta da fábrica à Malha Norte. Esse projeto está sendo dialogado com a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] e o governo do Estado. O governador Eduardo Riedel tem avançado nas tratativas para viabilizar detalhes dessa autorização, que deve acontecer em breve.

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Megafábrica de celulose

Terceirizadas da Suzano aplicam calote de R$ 9,2 milhões em Ribas do Rio Pardo

Empresas não pagaram pelo aluguel de máquinas usadas no canteiro nem mesmo os pintores alpinistas da indústria

18/05/2024 08h00

Projeto Cerrado, que será a maior planta processadora de celulose do mundo, tem inauguração programada para o mês que vem

Projeto Cerrado, que será a maior planta processadora de celulose do mundo, tem inauguração programada para o mês que vem Reprodução

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As empresas terceirizadas pela Suzano para construir o Projeto Cerrado, uma megafábrica de celulose em Ribas do Rio Pardo que será a maior do mundo quando inaugurada, aplicaram um calote de pelo menos R$ 9,2 milhões em seus fornecedores.


A quantia tem origem nos processos de cobrança ou reparação de danos ajuizados pelos fornecedores que não receberam das terceirizadas da Suzano para construir a fábrica, a qual está praticamente pronta e que deve ser inaugurada no mês que vem.


Os contratados da Suzano começaram a aplicar os calotes no fim do ano passado, conforme apurou o Correio do Estado. Após contatos, atrasos em pagamentos e negociações malsucedidas entre terceirizados e fornecedores, os processos judiciais começaram.


As ações se concentram basicamente em duas contratadas da gigante mundial da celulose: a Enesa S.A., que é apontada pela GD Fabricação e Montagem de Equipamentos Industriais Ltda. como devedora de R$ 7 milhões em danos materiais, lucros cessantes em contrato e mais indenização por dano moral; e a VBX Transportes, que já acumula uma dívida judicializada de pelo menos R$ 3 milhões referente ao aluguel de máquinas, equipamentos e caminhões para uso no canteiro de obras.


O Correio do Estado investigou que a dívida da VBX deve passar dos R$ 3 milhões, pois há débitos ainda não ajuizados, sobretudo com pequenos comerciantes de Ribas do Rio Pardo, envolvendo a compra de combustível, alimentação e hospedagem de seus funcionários.


A Suzano já temia um calote da VBX, tanto é que, no ano passado, a empresa efetivou o pagamento do salário dos contratados de sua terceirizada. Os proprietários das máquinas, contudo, ainda não conseguiram receber.


Até o momento, na comarca de Ribas do Rio Pardo, três empresas foram à Justiça contra a VBX: a Locatruck alega ter R$ 132,2 mil para receber da fornecedora; a LOB Terraplanagem, outros R$ 120 mil; e Sérgio Claudemir Papa, cujo dono é empresário do interior de São Paulo, mais R$ 452,4 mil. 


Há também o caso de uma empresa de Minas Gerais que ajuizou contra a VBX na Justiça mineira pedindo o bloqueio de R$ 1,5 milhão para o pagamento da dívida.


A VBX chegou a abrir uma pessoa jurídica em Mato Grosso do Sul para se beneficiar dos incentivos fiscais. Na verdade, ela é do interior de MG e já atuou em vários empreendimentos da Suzano Brasil afora.


“Trabalho com eles [VBX] há pelo menos cinco anos, e é a primeira vez que ficaram devendo, não pagaram. Está tudo muito estranho ainda,” disse um empresário que preferiu não se identificar, porque ainda tem a esperança de receber os R$ 1,5 milhão por ter colocado 10 máquinas no canteiro de obras do Projeto Cerrado.

Pintura com alpinistas


A GD foi contratada em 24 de novembro de 2022 para executar o serviço de jateamento e pintura, inclusive com a mão de obra de pintores alpinistas. Eles eram necessários em função das dimensões colossais da fábrica, que exigiu da Suzano mais de R$ 22,5 bilhões em investimentos e foi o maior canteiro de obras do Brasil de 2021 para cá.


Empresa que atuou na construção da fábrica da Suzano e recebeu o calote de uma das terceirizadas, a Enesa assumiu o compromisso de executar os serviços de tubulação e suporte de tubulação, compreendendo a fabricação, o jateamento e a pintura de suportes primários e secundários, suporte de tubulação em aço inox, fabricação de trechos de spool de tubulação e prestação de serviços de jateamento e pintura de tubulação.


Na Justiça, a GD cobra a reparação de R$ 1,357 milhão em danos materiais da Enesa, da Andritz Brasil e da Suzano. Também postula por R$ 400 mil em danos morais.A subcontratada para a construção da megafábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo ainda reivindica R$ 5,34 milhões em lucros cessantes, elevando o valor total da ação para R$ 7,09 milhões.


Outro lado


O Correio do Estado tentou contato com a VBX, a Enesa e a Andritz Brasil. Nenhuma das empresas atendeu às ligações da equipe de reportagem. A Suzano informou que “honra todos seus compromissos com prestadores de serviços”. 


A empresa ainda afirmou que não tem visibilidade, tampouco obrigação legal, quanto a supostos débitos de empresas terceirizadas e quarteirizadas.

“Além disso, não tem como acompanhar e controlar as negociações comerciais ou concessão de crédito para tais empresas prestadoras de serviço, bem como fiscalizar, participar de negociações comerciais ou se responsabilizar por tais pagamentos”, ponderou. 


A Suzano ainda disse que tem realizado campanhas voltadas às empresas locais, para conscientizar comerciantes e prestadores de serviços sobre os cuidados em negociações, e que não autoriza que empresas utilizem o nome dela para tal fim.

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