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SÓ NOS HOSPITAIS

Saiba tudo sobre o tratamento com a cloroquina, autorizado em hospitais

Entenda até onde vão os avanços no uso da cloroquina e da hidroxicloroquina
26/03/2020 10:00 - Natalia Yahn


Com alerta de poder causar mais danos e prejuízos do que realmente auxiliar no tratamento da Covid-19, após muita polêmica o Ministério da Saúde liberou ontem o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina (nome genérico do produto) para pessoas internadas em estado grave com a doença causada pelo novo coronavírus. A medida, porém, foi comunicada com diversos alertas do ministro Luiz Henrique Mandetta. “Vamos deixar esse remédio ao alcance [de quem está internado em estado grave]. O Brasil tem vasta experiência no uso deste remédio por conta da incidência de malária. Mas ele pode causar arritmia cardíaca, deixar o coração fora do ritmo, e aumentar o fígado”, alertou.

O medicamento é usado para tratar doenças como malária, lúpus, artrite e artrite reumatoide e ganhou ainda mais visibilidade após a declaração em rede nacional, na noite de terça-feira, do presidente Jair Bolsonaro. Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado novamente alertaram a respeito do uso, que ainda não apresenta comprovação científica de que funciona para tratar a Covid-19, e falaram também sobre o perigo da automedicação.  

OPINIÃO

A reportagem esteve em quatro farmácias de Campo Grande e não encontrou a medicação. Em três delas, a informação é a de que não há previsão de normalizar o abastecimento. “Não é para usar, nem se automedicar. Os efeitos adversos são piores. Pode fazer muito mais mal do que bem. Se houver necessidade de uso, o médico vai prescrever somente em casos graves e específicos de pacientes graves internados. O uso não é indicado”, afirmou a médica infectologista Priscila Alexandrino.

A farmacêutica clínica Daniely Proença confirma que os medicamentos não devem ser usados para tratar ou prevenir Covid-19. “Precisam ser feitos testes que comprovem a eficácia e a dose utilizada. Para quem tem lúpus e artrite, por exemplo, a dose foi padronizada em 400 miligramas. É complexo chegar a uma dose. O médico tem de avaliar a doença e a condição do paciente. Precisa de tempo para esses testes serem feitos”.

 
 

ALERTA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia se posicionado sobre a questão quando os primeiros casos de Covid-19 foram registrados no Brasil. “Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação. Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde”, afirmou em nota.

“Fizeram testes e descobriram que a azitromicina e a hidroxicloroquina podem ajudar a tratar a doença. Mas há reações, depende de cada indivíduo. Tudo tem de ser considerado, pois interfere no tratamento e pode causar mais danos do que o próprio vírus. É importante não se automedicar nunca”, alerta a farmacêutica.

No dia 20, sexta-feira, na tentativa de frear a aquisição indiscriminada – que deixaria pacientes que realmente precisam sem os medicamentos–, a Agência decidiu enquadrar a cloroquina e a hidroxicloroquina como medicamentos de controle especial, alegando que não há comprovação sobre o benefício da substância no tratamento do novo coronavírus.

Ao tornar a cloroquina um medicamento de controle especial, a Anvisa também justifica que a medicação tem muitos efeitos colaterais. “Ambos são usados para tratar doenças como malária e lúpus. E os eventos adversos em outros casos podem ocorrer. Pode matar. As pessoas que usam sem prescrição correm risco. É loucura”, afirma a médica Priscila Alexandrino.

O remédio não imuniza quem faz uso dele. Ou seja, a pessoa continua suscetível ao vírus. “O medicamento não é vacina, não previne e pode causar um mal maior”, revela Daniely.

 

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!