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COLETA SELETIVA

Santo Amaro é bairro onde mais se separa o lixo; Centro só recicla 1,4%

Apenas 19,3% dos domicílios têm acesso à coleta especial; concessionária quer aumentar adesão
09/11/2020 10:00 - Ana Karla Flores


Relatórios da Concessionária CG Solurb revelaram uma distância abissal entre os bairros que mais e os que menos separam lixo para reciclagem em Campo Grande. 

A região central da Capital possui apenas 1,43% de locais que realizam a separação de resíduos sólidos, enquanto na Vila Santo Amaro e bairros da região, 58,83% das pessoas aderiram à coleta seletiva.

Os bairros com maior adesão são Santo Amaro, Vila Manoel Taveira e Coophatrabalho, com 58,83%, seguidos pelo Jardim dos Estados, com 47,64%. 

Os locais com menor taxa de coleta seletiva são o Centro, com 1,43%, e Vila Sobrinho, Vila Alba, Vila Duque de Caxias e Bairro Lar do Trabalhador, com 9,23%.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), abriu no mês passado, inquérito civil para investigar se o plano de coleta seletiva está sendo cumprido pela Solurb.  

CENTRO

O gerente da loja Limão Rosa (localizada no Centro), Rodrigo Barbosa, explica que não faz a separação do lixo produzido no comércio, pois na região não há uma coleta adequada dos resíduos. 

“Aqui próximo não tem nenhum local para colocar. A coleta do Centro não é específica. Tinha antigamente lixeiras específicas para cada material, mas removeram e ficou só lixeiras duplas”, disse.

Barbosa relata que as lixeiras disponíveis ficam muito longe do estabelecimento e por isso não tem condições de descartar o lixo separadamente. Além disso, elas podem ser usadas por qualquer pessoa. 

“A lixeira maior que tem e mais próxima é uma caçamba que colocam na esquina da praça [Ary Coelho] que todo mundo vai e coloca qualquer lixo, e acaba misturando tudo. A gente não faz porque não tem onde descartar aqui perto”, afirmou.

Já o morador do Bairro Jardim dos Estados Luiz Fernando Milani relata que faz a separação todos os dias e percebe que os vizinhos também fazem o procedimento. Para ele, a coleta seletiva é muito importante para cuidar do meio ambiente. 

“É importante para a conscientização, para o desenvolvimento. Eles fazer algo com o produto; isso gera renda, gera novos produtos e trabalho”, declarou Milani.

Milani relata que, muitas vezes antes da coleta seletiva recolher o lixo, catadores pegam o que foi colocado nas lixeiras. Segundo ele, isso não atrapalha, pois o catador também recicla o material com o lixo.

De acordo com a Solurb, de julho de 2018 para julho de 2020, 13 setores registraram queda na adesão da coleta de resíduos sólidos. Na comparação entre janeiro e julho de 2020, a queda das porcentagens é maior, quando 31 setores tiveram baixa na separação seletiva.

Um dos motivos dessa falta de adesão é a pandemia do novo coronavírus, que resultou na suspensão de 40 dias da coleta seletiva. Mesmo com a volta, muitos moradores não estão cientes e deixaram de separar o lixo.

A atual concessão para coleta de resíduos sólidos em Campo Grande foi instaurada em 2012. A coleta é realizado por meio de duas modalidades, a Porta a Porta (PaP) e em Locais de Entrega Voluntária (LEV).  

Os resíduos recolhidos pela Solurb são encaminhados para a Usina de Triagem de Resíduos (UTR), organizada pela Associação Atmaras, e pelas cooperativas Coopermaras, Cata MS e Novo Horizonte. No local, são realizados os seguintes procedimentos: pesagem, recepção, triagem, armazenamento, enfardamento e expedição dos materiais recicláveis.  

De acordo com a Solurb, a coleta seletiva é um instrumento importante para diminuir a remoção de matérias-primas nos recursos naturais, valorizar recicláveis, gerar renda para catadores de materiais e aumentar a vida útil dos aterros sanitários.  

 

 
 

PLANO DE AÇÃO DA SOLURB

De acordo com a Solurb, do total de residências em Campo Grande apenas 19,37% realizaram a coleta seletiva até o período de julho deste ano. 

Com a baixa adesão, a concessionária vai realizar a 2ª edição do Plano de Ação de Educação Ambiental para conscientizar a população e aumentar o índice de adesão da coleta seletiva dos resíduos sólidos recicláveis.  

A equipe vai organizar ações em 12 setores de coleta seletiva na Capital no período de seis meses, divididas em duas etapas. 

Na primeira, serão atendidos seis setores de forma indireta, por conta da pandemia de Covid-19, com divulgação de informações sobre resíduos sólidos em redes sociais, emissoras de TV e rádio.

Na segunda etapa serão atendidos mais seis setores em três meses. 

O objetivo é desenvolver palestras, gincanas e oficinas em escolas públicas, nos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), além dos funcionários do Programa de Inclusão Profissional (Proinc) e das associações de moradores e outros locais de 24 bairros.

Além da Solurb, a equipe contará com a Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg), a Agência Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). 

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) também será responsável pela realização das atividades em 50% dos setores.

 
 

Felpuda


Embora tenha manifestação de que não haverá mudanças na administração municipal que se iniciará dia 1º de janeiro, o que se ouve por aí é que a realidade não seria bem assim.

Alguns setores deverão passar por alterações, como forma de se azeitar engrenagens que estariam deixando a desejar. 

O Diário Oficial, a partir daquela data, deverá ser a publicação mais lida a cada manhã.