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VIOLÊNCIA

Sejusp atribui disparada de assassinatos em Campo Grande à pandemia da Covid-19

Secretaria de Justiça e Segurança Pública alega que o aumento de 73% nos homicídios na Capital está relacionado com o isolamento social
14/10/2020 11:00 - Ana Karla Flores


O número de homicídios em Campo Grande teve aumento de 73% durante a pandemia, em comparação com 2019. 

Governo do Estado e sociólogo afirmam que as causas desse aumento estão relacionadas à convivência social contínua na quarentena decorrente do coronavírus.

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o confinamento social durante a pandemia e o crescimento no consumo de álcool e drogas, combinados com as dificuldades financeiras, aumentaram o nível dos conflitos e de estresse.  

A secretaria detalha ainda que muitos autores e vítimas de homicídios mantinham laços de amizade ou familiar e não registravam antecedentes criminais. Além disso, quase metade dos casos ocorreram em residências ou locais privados.  

Neste ano, Campo Grande registrou 92 assassinatos, de acordo com dados da Sejusp. Em comparação com 2019, houve um aumento de 39 casos, ou seja, 42%. 

Já em Mato Grosso do Sul foram 323 assassinatos neste ano e 316 em 2019, durante o mesmo período, com aumento de 2%.

Segundo a secretaria, do total de homicídios registrados de janeiro a outubro deste ano quase 68% já foram esclarecidos e os autores identificados, muitos deles presos em flagrante. 

No interior do Estado os homicídios tiveram queda de 14,8% em comparação com o mesmo período de 2019.  

 
 

CONVIVÊNCIA CONTÍNUA  

O sociólogo Silvino Areco explica que a sociedade está em um momento de crise por causa da pandemia e do isolamento social, que gerou, no imaginário social e na convivência contínua, uma reafirmação das contradições da convivência humana. 

“Esse é um momento em que a sociedade está em um processo, fruto dessa convivência precária resultante da pandemia”.  

Outro fator destacado pelo sociólogo é a banalização da morte decorrente do grande número de óbitos e das regras de sepultamento, que impedem cerimônias comuns em velórios.  

“A vida por meio de uma pandemia se torna banalidade. A pessoa estava viva até semana passada e de um momento para o outro se foi. Ela vai ser sepultada sem acompanhamento, de nenhuma forma. A morte se torna uma coisa comum, não tem mais impacto”, explica Areco.

De acordo com sociólogo, com as crises econômica, social e política que atingem o País, a percepção da violência e da criminalidade são intensificadas na sociedade. 

“A pessoa está sem emprego, não tem seguro, o auxílio está acabando, as pequenas empresas fecham, quem tinha um comércio não consegue mais manter. Com isso, a pessoa vai para outro caminho, se descontrola, gera um atrito e parte para a criminalidade”, ressalta.

FEMINICÍDIO

A falta de controle e o atrito também são refletidos na taxa de feminicídio, que teve um aumento de 23 para 28 casos em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, o número foi de cinco para nove casos. De acordo com o Mapa do Feminicídio, 77% dos casos acontecem em ambiente familiar.  

“Isso acontece quando o homem não aceita a separação e mata a mulher, acaba matando a mãe da ex-companheira, porque não se controla. Esse é um momento que a sociedade está em um processo fruto dessa convivência precária resultante da pandemia”, exemplifica Areco. 

(Colaborou Gabrielle Tavares)

 

Felpuda


Candidato a vereador caiu em desgraça, pelo menos em um dos bairros de Campo Grande, ao promover comício em ginásio de esporte, com direito a ônibus lotados e espoucar de muitos fogos de artifício.

Aí dito-cujo foi alvo de muitas críticas, tanto pela zoeira causada, como por ter mandado às favas quaisquer cuidados na prevenção da Covid-19, ao promover grande aglomeração. Irresponsabilidade é pouco, hein?!