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MEIO AMBIENTE

Solurb projeta novo lixão da Capital em área proibida

Para arquiteto que atuou na elaboração do Plano Diretor, como se não bastasse a localização do aterro ser ao lado de áreas de proteção, novo lixão está na zona rural
02/07/2020 10:00 - Eduardo Miranda


Além de estar localizado entre as duas maiores captações de água de Campo Grande, a Fazenda Santa Paz, propriedade onde a Solurb pretende construir o novo aterro sanitário Ereguaçu, tem outro “erro” que poderá inviabilizar os planos da concessionária: fica em uma área rural e fora da zona de expansão econômica prevista no Plano Diretor.

“Essa informação de que o aterro sanitário está em uma área rural é pior ainda. A zona rural não admite atividades urbanas, ela precisa de uma regulamentação específica para ela”, comenta o arquiteto, urbanista e professor universitário Ângelo Arruda, que participou da elaboração do Plano Diretor de Campo Grande.  

E a situação só piora, ao se aplicar a legislação vigente, o Zoneamento Econômico-Ecológico e as restrições do Plano Diretor para a zona rural. Fica inviável totalmente, ainda mais se juntar tudo isso às Áreas de Proteção Ambiental (APAs).

Arruda menciona as áreas de proteção permanente e de preservação ambiental dos córregos Guariroba e Lajeado, as duas maiores captações de água de Campo Grande, distantes menos de 5 quilômetros da Fazenda Santa Paz, local para onde a Solurb, concessionária de coleta e destinação do lixo, quer levar todos os resíduos de Campo Grande. 

Conforme o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) apresentado pela Solurb, a Fazenda Santa Paz seria a melhor área para o novo aterro sanitário. A vida útil do aterro atual, o Dom Antônio Barbosa II, na saída para Sidrolândia, está perto do fim, e este novo aterro teria de ser ativado já em 2022, para atender Campo Grande e mais sete cidades da região por pelo menos duas décadas, conforme os planos da Solurb.  

Arruda considerou tardia a iniciativa da Solurb, que teve desde 2012, quando assumiu o serviço de coleta e limpeza de Campo Grande, para se planejar sobre o novo aterro. 

 
 

RESISTÊNCIA

Além dos vícios apontados pelo arquiteto, o plano da Solurb de construir o novo aterro perto dos mananciais de Campo Grande também enfrenta resistência na comunidade da região leste de Campo Grande. Proprietários de áreas e moradores de bairros como Maria Aparecida Pedrossian e também de condomínios de luxo, como Shalom, Terras do Golfe e Damha, se organizam para promover estudos para confrontar os argumentos da Solurb.  

Na Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), já existe um estudo contra o plano da Solurb. O Correio do Estado apurou que os técnicos da agência, órgão de planejamento da Prefeitura de Campo Grande, apontaram várias inconsistências no projeto oferecido pela Solurb. A primeira delas é a ausência de pesquisas primárias e outros dados que provam, de fato, que não haverá impacto nas Áreas de Proteção Permanente (APPs) e de Preservação Ambiental (APAs) do Guariroba e do Lajeado, cursos d’água responsáveis por mais da metade do abastecimento de Campo Grande.  

No Relatório de Impacto Ambiental, a Solurb também não apresenta nenhum possível impacto imediato no entorno, os problemas gerados e tampouco o que a empresa fará para mitigar esses impactos. O documento não informa, por exemplo, como o aumento no tráfego da BR-262 será mitigado e não afere as consequências do aumento de circulação de pessoas e de caminhões no entorno do aterro, perto das áreas de preservação ambiental.  

OUTRO LADO

A Solurb, por sua vez, fala em interesses obscuros para que o empreendimento não seja viabilizado e frisa que ele ainda deve passar por audiências públicas e pela aprovação da Secretaria de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur).  

“Resta evidente que a não viabilização deste empreendimento, em razão de interesses obscuros, inclusive com a mobilização de moradores de condomínios de luxo como massa de manobra por meio da disseminação da desinformação, pode ocasionar severos danos ao meio ambiente em razão do atraso na sua implementação, ficando o município de Campo Grande sem local adequado para dispor seus resíduos”.

 

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.