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CHEFÃO DO TRÁFICO

Minotauro é condenado a 40 anos de prisão pela Justiça Federal em Ponta Porã

Sua esposa e braço direito, Maria Alciris Cabral Jara, recebeu pena de 20 anos
10/09/2020 15:33 - Gabrielle Tavares


Traficante Minotauro, uma das lideranças do tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai, foi condenado a 40 anos de prisão pela Justiça Federal em Ponta Porã.

Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, como é batizado, foi julgado por chefiar organização criminosa, praticar corrupção ativa junto autoridades paraguaias e ainda por falsidade ideológica, com base na emissão e utilização de documentos em nome de terceiros.

Sua esposa, Maria Alciris Cabral Jara, também foi condenada a 20 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa. Além do piloto Emerson da Silva Lima, que recebeu pena de 8 anos por integrar a equipe do tráfico.

O casal vivia que vivia uma vida luxosa morando em mansões e andando em carros importados, hoje cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília e na Penitenciária Feminina de Sant'Ana, em São Paulo, desde fevereiro de 2019.  

O conjunto de provas presentado pelo Ministério Público Federal (MPF) à época da denúncia, se baseia em informações retiradas de celulares e notebook apreendidos com os traficantes.

A organização criminosa funcionava como uma empresa, possuía planilhas de pagamentos e transportes, relação de funcionários e bens. Toda a receita era proveniente do tráfico internacional de drogas, vindos da Bolívia ou do Peru e distribuídas por inúmeros destinos, incluindo a Europa.

Além disso, a empresa criminosa paga propina a autoridades paraguaias para conseguir informações privilegiadas, comprovadas pela perícia no computador de Maria Alciris. 

 
 

Entenda o caso

Um dos celulares do chefe da organização apreendido, continha diversas fotos de contêineres lotados de barris recheados com cocaína. Ele tinha preocupação especial em registrar os códigos de barra, para posterior localização dos barris com entorpecente.  

Continha também georreferenciamentos indicando portos brasileiros e estrangeiros, como Bélgica, Holanda, Alemanha, além de cotações para o envio das cargas, planilhas com informações sobre os contêineres, registros contábeis referentes ao tráfico com anotações sobre tipo da droga, quantidades, pessoas e destino.

Somente entre novembro de 2018 e janeiro de 2019, Minotauro conduziu a exportação de mais de 600 quilos de cocaína para a Europa, quantidade cotada em aproximadamente € 15 milhões, mais de R$ 93 milhões no câmbio atual.  

A perícia foi capaz de identificar também que o transporte inicial das drogas era feito através de aeronaves pela rota Bolívia > Paraguai > Brasil.

 
 

Coleção de crimes  

Em relação à condenação de corrupção ativa, a equipe gastava milhares de dólares em pagamentos de subornos mensais para forças policiais paraguaias do Estado de Amambay.  

Maria Alciris advogada no país vizinho, então tinha fácil acesso às autoridades. Ela negociava e efetuava os pagamentos a diversos setores da Polícia Nacional Paraguaia e da Secretaria Nacional Antidrogas, havendo inclusive registros de pagamentos a policiais específicos.

Já sobre a falsidade ideológica, Minotauro foi condenado pelo crime por sete vezes. Quando estava foragido da justiça brasileira, utilizou certidão de nascimento em nome de Mario Cesar Medina, para emitir documentos como RG, CPF, passaporte, certidão de reservista, título eleitoral e até número de inscrição fraudulento na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Antes da criação do personagem Mario Cesar, Minotauro usava o conjunto de documentos em nome de Celso de Matos Espindola.

Além da denúncia que resultou na presente condenação, o MPF em Ponta Porã também denunciou Minotauro e Maria Alciris outras duas vezes por corrupção ativa. A primeira delas referente ao suborno de policiais paraguaios, crime pelo qual eles também já foram condenados.  

A segunda pelo pagamento de propina a membros do Ministério Público paraguaio, visando o arquivamento de investigações relacionadas a Minotauro. Esta denúncia ainda não foi recebida pela Justiça Federal.

A organização criminosa chefiada por Minotauro é um dos focos da Operação Além Mar, deflagrada pela Polícia Federal em agosto, com o objetivo de investigar esquemas de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!