O papa Bento 16 celebrou hoje seu último Angelus, abraçado pela mesma frase com que assumiu o papado, faz quase oito anos: a família Alanno trouxe de Pescara, nos Abrúzios, à praça de São Pedro uma cartolina branca em que se lia "Obrigado, humilde trabalhador na vinha do Senhor".
Foi assim que Joseph Ratzinger, que acabava de ser eleito papa, se apresentou à massa concentrada na praça.
Hoje, a massa não era tão compacta. Nem chegava perto das 250 mil pessoas anunciadas na véspera pelos telejornais italianos. Havia pouco mais de 50 mil pessoas, como, de resto, no Angelus do domingo anterior, o primeiro desde que Bento 16 anunciou a renúncia.
A fala durou curtos 12 minutos e foi toda ela lida, com apenas um trechinho improvisado, para "agradecer aos céus por um pouquinho de sol". De fato, o domingo amanheceu iluminado pelo sol, depois da chuva intensa de sábado. Sol de todo modo insuficiente para quebrar o friozinho de Roma, embora nada parecido com o gelo e a neve que caíam no Norte da Itália.
Foi uma fala puramente eclesiástica, que girou toda ela em torno da transfiguração de Cristo, ocorrida no alto de uma montanha e que, segundo a doutrina cristã, representa o encontro do temporal com o eterno.
Bento 16, como se fosse uma explicação para sua renúncia, disse que Deus o chamara ao monte para que se dedicasse à pregação e à oração. Mas - acrescentou - isso "não significa que abandonarei a igreja. Se Deus me pede isso, é para que possa continuar a servi-Lo com o mesmo amor".
A massa explode em aplausos. Ao pé dos 25,5 metros do Obelisco do Vaticano, que enfeita o centro da praça desde 1586, o grupo mais ruidoso é formado por seminaristas brasileiros, a maioria paraibanos.
Agitam seis bandeiras brasileiras, de longe as mais numerosas, derrotando as da Polônia, do México, da Romênia, até da Itália, da Espanha, da Alemanha do papa, do Chile e uma da Índia, de pouca tradição católica.

