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PANDEMIA

Vacinação contra Covid-19 avança nas aldeias de Mato Grosso do Sul

Corumbá, Sidrolândia e Brasilândia estão com 79% a 80% de vacinados
05/02/2021 08:12 - Ana Karla Flores


Formada por grupo prioritário de vacinação, aldeias indígenas de Mato Grosso do Sul avançam na imunização contra a Covid-19.

Dados levantados dos 14 polos bases de assistência às comunidades indígenas, coordenados pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), apontam que Corumbá, Sidrolândia e Brasilândia são os municípios com maior número de imunização, chegando a mais de 80% da população alvo.

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Ontem, lideranças indígenas do Estado estiveram no Dsei para uma reunião.

Segundo o levantamento do Distrito do Estado, Corumbá e Brasilândia já somam 80,6% da população imunizada, e em seguida está Sidrolândia, com 79,6% de cobertura vacinal.

As imunizações nas demais comunidades indígenas do Estado variam de 26%, no município de Iguatemi, e 61,8%, em Antônio João.

Dourados é o município que vacinou o maior número de pessoas, pois possui cerca de 18 mil indígenas em aldeias em torno da cidade, destes, cerca de 9.727 devem ser vacinados no período de prioridades.

Ao todo, cerca de 4.532 indígenas já receberam a vacina, ou seja, 46,6% de imunizações. Na sequência vem Miranda, com 2.809 imunizados, onde possui um grupo prioritário composto por 5.687 pessoas.

A cacique Ana Batista, da aldeia Tereré, localizada em Sidrolândia, explica que praticamente toda a comunidade já foi vacinada, faltando apenas quatro ou cinco indígenas.

“Nós fechamos a comunidade, só entrava quem morava lá, e aqueles que trabalhavam a gente sempre media a temperatura, passava sempre álcool nas mãos, obrigando usar a máscara. Mesmo assim, tiveram muitos contaminados, inclusive uma perda de uma anciã e foi muito duro. Mas agora já estão quase todos vacinados e logo vem a segunda dose”.

O cacique Jasiel Gabriel Marciliano, da aldeia Lagoinha, também em Sidrolândia, relata que todos da comunidade já estão vacinados. Ele detalha que no início, alguns moradores ficaram com receio da vacina, mas logo aceitaram, por conta do trabalho das lideranças da comunidade.

“Alguns ficaram meio com receio, porque tinha muitas publicações contrárias à vacina e dizendo fazer mal, mas depois de dois ou três vacinados eles foram aceitando e tomando. Minha comunidade tem cerca de 480 pessoas e hoje já temos 100% das pessoas vacinadas”.

Marciliano explica que ficou muito feliz e satisfeito com a chegada da vacina em sua comunidade, mesmo com as críticas feitas em redes sociais a respeito da priorização dos indígenas.

“A gente fica muito satisfeito que a vacina chegou para a gente, nas nossas comunidades. Ficamos um pouco tristes também, porque fomos muito criticados na internet, muito criticados pela questão de prioridade do indígena. Por ser um povo que tem prioridade para tomar a vacina primeiro”.  

Jair Augusto Nimbu, da aldeia Moreira, em Miranda, explica que a comunidade foi muito afetada com a pandemia, onde 476 pessoas foram infectadas pela Covid-19 e três morreram.

“Nós viemos de uma pandemia muito difícil, fechamos a comunidade por seis meses com barreiras sanitárias e cada trabalhador da saúde da cidade ajudou muito, trabalhamos juntos para informar e conscientizar a comunidade para se cuidar. Mesmo assim, foi a primeira comunidade que teve infectados no Estado”.

Nimbu detalha que atualmente mais de 700 pessoas já receberam a vacina na aldeia, e que buscou sempre conscientizar as pessoas para se vacinarem sem medo.

“Agora, sábado já vem a segunda dose e eu já estou conscientizando para que todos tomem de novo, acredito que logo vou ver todos vacinados. Temos aproximadamente 1.500 pessoas, então já foi muito bom”.