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Vacinação entra no calendário escolar, mas ainda enfrenta resistência de mães

O Senado aprovou essa semana a imunização em escolas, mas algumas vacinas provocam receio nos responsáveis

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O Projeto de Lei n° 826/2019, que visa instituir o Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas foi aprovado no Senado Federal na última terça-feira (21), e vai à sanção do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

O Correio do Estado ouviu cinco mães de Campo Grande, que são a favor da iniciativa, mas algumas possuem ressalvas a respeito do tema. 

A arquiteta Joice Tiago Campos é mãe da pequena Lorena, de 7 anos, e autorizaria a vacinação da filha no ambiente escolar, no entanto, relata ter receio quanto as reações, já que algumas crianças choram e ficam mais sensíveis, então, gostaria de acompanhar a filha. 

"Os pequenos choram tanto, que teriam que estar acompanhados de nós, pais, alguns tem reações. No dia eu acompanharia, mesmo autorizando", comenta a arquiteta. 

Joice também possui outros receios, em relação a algumas vacinas, como a contra a Covid-19.

"Uma das vacinas que eu sou contra é a da Covid, em crianças, o resto das vacinas, da gripe e as outras, eu sempre corro atrás para vacinar", informa. A arquiteta acredita que falta informações sobre o imunizante nas crianças. 

A dentista e estudante de biologia, Leticia Maciel Pavesi, também é a favor, principalmente porque o índice de vacinação contra doenças como a dengue, está abaixo do esperado, e como alguém da área da saúde e biologia, acredita que são imunizantes importantes de serem incorporados no calendário vacinal. 

"Principalmente contra a dengue, acho que as pessoas não têm noção do quanto faz falta, do quanto é importante essa vacinação. E sobre as outras, tanto gripe quanto Covid, eu acho que são superimportantes e é uma iniciativa do governo que é inexplicável", expõe Pavesi, que é mãe do Lucas, de 10 anos de idade. 

A servidora pública, que não quis se identificar, acredita que a decisão do Senado Federal é importante para que os índices de imunização aumentem.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau), em 2023 a vacina contra a febre amarela obteve apenas 79,19% de cobertura, o menor índice vacinal do ano, enquanto o imunizante BCG teve a maior adesão, com 109,42% de cobertura. 

"É uma política de saúde bem necessária, principalmente devido a várias doenças que já foram erradicadas com vacina, e hoje em dia a gente tem caso de óbito, por exemplo, de criança com meningite, que era uma doença que já tinha sido erradicada no Brasil. Além disso também a gente consegue otimizar bastante o tempo dos pais, que por muitas vezes não tem tempo de levar a criança pra tomar vacina", informa a servidora. 

De acordo com dados da Sesau, a vacina Meningo C, teve apenas 88,27% de adesão em 2023, índice um pouco menor que em 2022, quando teve 88,57% de adesão. De 2018 até o ano passado, o ano que a vacina contra a meningite teve maior cobertura foi em 2019, quanto atingiu 96,51% do público. 

Jordana Vilarins é mãe da Catarina, de 6 anos, e relembra que na sua época de escola a vacinação nos colégios era algo "super normal", e foi devido a essa iniciativa que diversas doenças foram erradicadas. 

"Eu sou a favor, dependendo da vacina, porque antigamente, na minha época do ensino fundamental, tinha vacina nas escolas, na época da minha mãe também, era super normal e foi graças a essa vacinação nas escolas que muitas doenças foram erradicadas, e de um tempo para cá, até a coqueluche voltou", pontua Jordana. 

A mãe comenta ainda que apesar de ter dado a vacina contra a Covid para sua filha, ficou atenta devido ao tempo que o imunizante foi desenvolvido.

"A gente teve que avaliar os prós e os contras de vacinar a Cata, que é asmática, e tinha receio de que a condição dela agravasse caso pegasse Covid, que mesmo com a vacina pegamos quatro vezes aqui em casa", relata Jornada. 

A publicitária e tatuadora, Carla Souza, é mãe de Otto, de um ano e dois meses, e também acha válida a vacinação nas escolas.

"Muitas crianças passam mais tempo na escola do que em casa, além da praticidade, o exemplo com os amigos", diz a publicitária. 

Carla pontua que, devido a necessidade de autorização, se os pais não concordarem com a iniciativa, é "só não autorizar", o que torna a medida algo simples. 

INICIATIVA 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que desde o ano passado possui o programa Aluno Imunizado, que é uma iniciativa da coordenadoria de Imunização e do Programa Saúde na Escola (PSE), voltada para a vacinação de crianças e adolescentes de 0 a 15 anos de idade, com o "objetivo de promover a integração e a comunização entre a Unidade Básica de Saúde (UBS) e escolas, de forma a ampliar o alcance de suas ações". 

A SES informa em nota que o trabalho feito no ano passado obteve bons resultados, mas não repassou um balanço dessas ações. Este ano, a secretaria relata que "a campanha vem acompanhada de incentivo financeiro aos municípios e Estado, para custeio das ações via Ministério da Saúde. 

A Sesau também informou que já realiza vacinação nas escolas, e que todas as unidades de ensino da Rede Municipal de Ensino (Reme), fazem parte da iniciativa, que pode ser feita tanto por busca ativa, que é quando os agentes de saúde vão em locais que a adesão está baixa, quanto em atividades de rotina das unidades de saúde. 

Para o médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, a aprovação da lei no Senado é importante como uma forma de garantir mais acesso a população, principalmente para aqueles que tem dificuldades de ir até as unidades de saúde. 

"Isso acontece em outros países, a checagem do cartão vacinal, a completude e a complementação desse cartão durante a matrícula. Ano a ano, o acompanhamento dessa criança", reforçou Julio.

Croda chamou atenção para a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano, sigla em ingês), que previne contra alguns tipos de câncer, sendo o principal, o de colo do útero, e têm baixa cobertura no Brasil.

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TRANSMITIDA POR MOSQUITO

Mato Grosso do Sul registra primeiro caso de Febre Oropouche

Paciente é uma mulher de 42 anos que viajou à Bahia recentemente e caso está sendo tratado como "importado"; sintomas são semelhantes ao da dengue

12/06/2024 18h27

Febre Oropouche é transmitida por mosquito e tem sintomas parecidos com a dengue

Febre Oropouche é transmitida por mosquito e tem sintomas parecidos com a dengue Foto: Divulgação / Fiocruz

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A Secretaria de Estado da Saúde (SES) confirmou, nesta quarta-feira (12), o primeiro caso de Febre do Oropouche em Mato Grosso do Sul. A paciente é mulher de 42 anos, moradora de Campo Grande. 

A doença é transmitido por mosquito, tem sintomas semelhantes ao da dengue e tem registrado aumento de casos no Brasil.

Conforme a SES, o provável local de infecção é a Bahia. Isto porque a mulher viajou recentemente para este estado.

“O caso registrado em Mato Grosso do Sul está sendo tratado como alóctone, que é quando a doença é importada de outra localidade. A paciente em questão fez uma viagem à Bahia recentemente; o Estado tem mais de 600 casos confirmados neste ano”, explica a gerente técnica estadual de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener Lemos dos Santo.

Conforme Jéssica, uma série de ações complementares serão desenvolvidas pelo Estado em conjunto com os municípios, como sistematizar as informações dos casos suspeitos e confirmados, como deslocamentos, sintomas, quadro clínico, além de coleta de amostras de outros pacientes para testagem pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul (Lacen).

Febre Oropouche

A Febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus, que foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960. 

Desde então, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente, nos estados da região amazônica. Também já foram relatados casos e surtos em outros países das Américas Central e do Sul (Panamá, Argentina, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela).

A transmissão é feita principalmente por mosquitos da espécie 'maruim' ou 'mosquito-pólvora.

Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no sangue do mosquito por alguns dias. Quando esse mosquito pica outra pessoa saudável, pode transmitir o vírus para ela.

Existem dois tipos de ciclos de transmissão da doença:

  • Ciclo Silvestre: Nesse ciclo, os animais como bichos-preguiça e macacos são os hospedeiros do vírus. O mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor nesse ciclo.
  • Ciclo Urbano: Nesse ciclo, os humanos são os principais hospedeiros do vírus. O mosquito Culicoides paraenses também é o vetor principal.

Sintomas

Os sintomas da Febre do Oropouche são parecidos com os da dengue e da chikungunya: dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, náusea e diarreia.

Não existe tratamento específico. Os pacientes devem permanecer em repouso, com tratamento sintomático e acompanhamento da rede de saúde.

Aumento de casos

A incidência de casos tem aumentado no Brasil. De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, neste ano foram confirmados 6.207 casos, enquanto em todo o ano de 2023 foram 835.

A maioria dos casos se concentra na região norte. Atualmente, com exceção do Tocantins, todos os estados da região norte registraram casos autóctones (oriundos do mesmo local onde ocorreu a doença).

Dos estados da região extra-amazônica, 5 já registraram casos autóctones, sendo eles Piauí, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O Brasil ainda não registrou nenhuma morte pela doença.

* Com assessoria

Destino Europa

Militar da reserva é preso com meia tonelada de cocaína avaliada em R$27 milhões

Segundo informações do Denar, os entorpecentes seriam enviados para o centro-sul do país e países da Europa

12/06/2024 18h15

A carga de cloridrato de cocaína seria enviado uma parte para os grandes centros e países da Europa

A carga de cloridrato de cocaína seria enviado uma parte para os grandes centros e países da Europa Fotos: Gerson Oliveira

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Um militar da reserva do Exército Brasileiro, de 52 anos, foi preso em flagrante nesta segunda-feira (12), próximo ao município de Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, com uma carga milionária de cloridrato de cocaína avaliada em R$ 27 milhões. No total, a droga totalizou 540 quilos.

Segundo a polícia, os entorpecentes seriam inicialmente entregues em Campo Grande e posteriormente enviados para os grandes centros e países europeus. 

A carreta foi ultilizada para o transporte dos entorpecentes. Fotos: Gerson Oliveira 

Durante a coletiva de imprensa, o delegado Hoffman D'Ávila relatou que os agentes receberam informações sobre uma carga de cocaína que havia saído de Ponta Porã em um caminhão baú, e que passaria por Campo Grande. Com base nessas informações, os policiais conseguiram abordar o motorista, que conduzia um Mercedes-Benz modelo Arteco 2426, próximo a Sidrolândia.

Os policiais abordaram o motorista, que negou o transporte de entorpecentes e se ofereceu para ir até uma empresa em Campo Grande para uma melhor vistoria no veículo. Utilizando uma máquina de descarregamento, os agentes da Denar encontraram 540 quilos de cloridrato de cocaína escondidos em embalagens agrícolas.

Carga milionária de cocaína tinha destino aos grandes centros e países europeus/ Fotos: Gerson Oliveira 

Durante o interrogatório, o motorista, um ex-militar do exército de 40 anos, manteve-se em silêncio inicialmente, mas logo depois confessou que não sabia dos entorpecentes que estavam escondidos no veículo. Tanto o ex-militar quanto o caminhão foram levados para Campo Grande. 

Segundo o Hoffman D' ávilla, o cloridrato de cocaína apreendido na tarde de hoje é de "modelo exportação", tanto pelas suas características quanto pelo elevado valor pelo qual costuma ser vendido no país. Ainda segundo o delegado, a carga seria dividida em duas partes: uma delas seria enviada para a região centro-sul do país, enquanto a outra seria destinada a países europeus.

Ainda de acordo com o delegado, a espessura dos entorpecentes chamou a atenção dos policiais

“Essa carga de cloridrato de cocaína está avaliada hoje em R$27 milhões e, neste caso, pode-se observar pela espessura das embalagens. Essa embalagem mais avantajada é o tipo droga de exportação, onde seria enviada para São Paulo e depois pelo Porto de Santos, seguiria destino europa. Essa com espessura mais fina, é uma droga mais pulverizada e vendida nas capitais brasileiras”, explicou Hoffman D’avila para o Correio do Estado. 

Diante do flagrante, o militar da reserva do Exército responderá pelos crimes de tráfico de drogas e está a disposição da Justiça Brasileira. 

Fotos: Gerson Oliveira 

 

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