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DEPOIMENTO

Valeixo: Bolsonaro queria na PF alguém que tivesse "afinidade" com ele

Ex-diretor da Polícia Federal negou que tenha pedido demissão do cargo
11/05/2020 17:04 - Da Redação


 

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor da instituição, Maurício Valeixo, disse que não pediu para sair do cargo e afirmou que o presidente Jair Bolsonaro o tirou do comando porque queria um diretor-geral com quem tivesse mais “afinidade”. Oitiva de Valeixo é no inquérito que apura suposta interferência do presidente na PF, denunciada pelo ex-ministro da Justia e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Depoimento de Valeixo começou às 10h (de Brasília) e ainda não terminou, na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR). Determinação para que ele fosse ouvido foi dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, relator da investigação.

Conforme Valeixo, Bolsonaro declarou a ele que não tinha “nada contra a sua pessoa” e o motivo da troca era por querer alguém com mais afinidade.

Acusações de suposta interferência foram feitas por Moro quando anunciou sua demissão do governo, no dia 24 de março. Moro foi o primeiro a prestar depoimento no inquérito, no dia 2 de maio, onde reafirmou a tentativa de intervenção e disse ainda que Bolsonaro tinha como um dos interesses trocar a chefia da PF no Rio de Janeiro, onde há investigação sobre milícias.  

No lugar de Valeixo, tomou posse como diretor-geral da Polícia Federal o delegado Rolando Souza, que, decidiu, como primeiro ato, trocar a chefia da superintendência da PF no Rio de Janeiro.    

Hoje, também prestam depoimento o delegado Ricardo Saadi, ex-chefe da PF no Rio, e do diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem Rodrigues. No inquérito ainda estão previstas depoimentos de outros quatro delegados, três ministros e da deputada Carla Zambelli.

 

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.