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DENÚNCIA

Verba de meio bilhão de reais não detém Covid-19 em aldeias

Em Dourados, mesmo com verba de meio bilhão de reais em convênios, atendimento é precário, faltam insumos e não segura Covid-19 nas aldeias.
15/06/2020 09:00 - Eduardo Miranda


 

Quem vai ao hospital da Missão Evangélica Caiuá, na região norte de Dourados, e dedica um olhar mais atento às instalações da unidade e aos produtos e atendimentos disponíveis para os 17 mil indígenas da cidade, pode se surpreender ao saber que a organização não-governamental, ligada à Igreja Presbiteriana do Brasil, tem R$ 508,1 milhões para receber do governo federal, por meio de nove convênios, todos para o estado de Mato Grosso do Sul, até 2021. Desde 2019, quando todos estes vínculos foram feitos ou renovados, R$ 305,5 milhões já foram repassados para a Missão.  

Os mais de meio bilhão de reais que a Missão Caiuá tem para receber só em Mato Grosso do Sul não são visíveis na unidade dedicada a atender os índios de Dourados. Desde o início deste mês, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MS) denuncia a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) para profissionais de saúde do hospital. A mesma unidade de saúde, porém, chegou a receber milhares de equipamentos do frigorífico JBS. Foi uma funcionária do frigorífico, aliás, a primeira indígena diagnosticada com Covid-19 em Mato Grosso do Sul, há um mês.  

Do primeiro diagnóstico até ontem, a doença causada pelo coronavírus avançou na comunidade indígena. Ontem, o Ministério da Saúde confirmou 112 casos de índios com Covid-19 no Estado, a maioria (95) em Dourados.  

Em janeiro de 2019, um mês depois de ter tomado posse como ministro da Saúde da gestão Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta (que deixou o Ministério da Saúde em abril) questionou o alto volume de recursos que a Missão Caiuá recebia na época. “Dourados é a sede da ONG que leva mais recursos, e eu não posso questionar? E eu tenho de falar: deixa assim porque eu não quero retrocesso? Que retrocesso? Alguém me explica? Se alguém não me convencer, eu vou falar e vou provocar, sim!”, afirmou na ocasião. No mesmo ano, Mandetta, como ministro da Saúde, renovou todos os convênios com a missão até 2021. São os mesmos convênios de agora, orçados em R$ 508,1 milhões.

A Missão Evangélica Caiuá é responsável pela saúde dos indígenas em Mato Grosso do Sul. Ela tem convênios em quase todo o País. Em 2017, estes convênios somavam R$ 2 bilhões. Ontem, havia convênios ativos de Roraima ao Rio Grande do Sul.  

O Correio do Estado procurou a Missão Evangélica e pediu que ela detalhasse a aplicação dos recursos e respondesse às reclamações, mas não obteve resposta oficial da organização não-governamental até o fechamento desta edição. No site da ONG, na página que trata de transparência, quem busca informações detalhadas é redirecionado ao Portal de Transparência do governo federal.

Em Mato Grosso do Sul, a missão atende 83 mil índios de 99 aldeias. O Correio do Estado apurou que a maioria dos recursos vai para pagar salários de mais de 700 funcionários. Também há verbas para serviços de consultoria, despesas com alimentação, combustível, diárias, passagens e materiais didáticos.  

PRECARIEDADE

Na sexta-feira, o hospital da Missão Evangélica tinha três internados com Covid-19. A unidade tem capacidade para abrigar 20 pacientes, sendo 16 adultos e quatro crianças. Não há nenhum leito de unidade de terapia intensiva (UTI), extremamente necessário para casos graves da doença.  

De acordo com o chefe de enfermagem Soren Lima, a unidade deveria ser habilitada com leito de atendimento grave, mas ainda não conseguiu paramentação necessária para o investimento. No hospital há apenas dois médicos para atendimento a contaminados pela Covid-19, que atuam entre 5h e 1h30min do dia seguinte. Líderes da reserva reclamam que, antes, o hospital funcionava em um período de 24 horas, mas Soren justificou a interrupção no início da madrugada em razão da falta de segurança.

Por lá, quem chega com Covid-19 ou qualquer outro tipo de necessidade de atendimento entra pela mesma porta, é atendido na mesma recepção e fica em contato com vários pacientes em corredores comuns. A reportagem apurou que uma tenda de triagem até foi instalada, no entanto, ainda não estava funcionando na sexta-feira. Soren afirmou que o serviço começaria a partir das 16h de sexta-feira, mediando o acesso de populares com sintomas respiratórios por outro lado.

Um funcionário ouvido pela reportagem relatou que, assim que a pandemia chegou na reserva, o fornecimento de EPIs era um grande problema. Somente após pressões sobre a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e sobre o município esses instrumentos passaram a ser fornecidos. No entanto, ele ressaltou que a sociedade organizada tem sido forte aliado no apoio aos profissionais que atuam na comunidade indígena. Empresas e entidades têm doado máscaras e insumos aos agentes.  

Ele ainda relatou que não foi feito nenhum treinamento com os profissionais para capacitação específica no atendimento a pacientes com Covid-19. “Estamos apenas cumprindo os protocolos da Sesai, mas falar que teve treinamento, isso não teve”, afirmou.

O governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, busca habilitar leitos no Hospital Universitário de Dourados para atender exclusivamente pacientes indígenas.

 
 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.