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CRIME

Violência contra mulher não dá trégua neste feriado de Carnaval

De sexta-feira (12) até hoje (17), foram registradas 120 ocorrências de violência na Delegacia para Mulher
17/02/2021 12:04 - Naiara Camargo


A violência contra mulher perdurou por mais um Carnaval. Do primeiro dia de recesso, até hoje (17), foram constatados 120 registros de agressões na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).

Ao todo, são 50 boletins de ameaça, sendo este um crime que consiste no ato de ameaçar alguém por meio de palavras, gestos ou outros meios, e uma infração de estupro de vulnerável, que é a violência sexual contra menores de 14 anos. 

Também houve 14 registros de violência doméstica com lesão corporal; dois atos de importunação sexual, que é quando o criminoso perturba alguém com intuitos sexuais sem a autorização da vítima.

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Foram três prisões em flagrante e cinco cumprimentos de mandados de prisão, oito pessoas foram presas.

Em relação ao Carnaval de 2020, o número diminuiu. Nesta mesma época do ano passado, foram 127 ocorrências.

Casa da Mulher Brasileira

A Casa da Mulher Brasileira (CMB) comemorou este mês seis anos, estando localizada na região do Aeroporto Internacional de Campo Grande, na rua Brasília, Jardim Imá. Seu objetivo é valorizar o público feminino e enfrentar todas as formas de violência contra a mulher.

“É uma conquista para a cidade. É a primeira casa do país e é exemplo após 6 anos, razão porque é não é apenas um trabalho coletivo, mas de toda a sociedade”, diz Marcos Trad, prefeito da capital.

Estatísticas

De 2017 a 2020, 24.898 mulheres foram atendidas em algum dos vários setores da Casa da Mulher. As que apresentaram retorno totalizam em 58.688. As que foram encaminhadas para alguma rede de serviço externa como Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), Secretaria de Assistência Social (SAS), Centro de Referência da Saúde da Mulher (CEAM), Casa Abrigo, Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), entre outros, são 445.404.

A maioria das mulheres atendidas (29%) possuem entre 21 e 30 anos. Em seguida, o percentual de 28,9%, compreende o público feminino de 41 a 60 anos. Percentual de 27,7% são mulheres de 31 a 40 anos.

Idosas acima de 80 anos representam 6%. Meninas de 18 a 20 anos, 3,5%. Menores de idade são 2,9%, e, garotas sem data de nascimento, totalizam em 1,5%.

As que possuem ensino médio completo representam 29%. Já as que não concluíram o ensino fundamental, 23% e as que não concluíram o ensino médio, 16,5%.

O restante terminou ou não a faculdade, possui o fundamental completo ou não possui nenhuma escolaridade. Mais da metade de mulheres atendidas na CMB são da cor parda.

A delegada Fernanda Felix Carvalho Mendes informou ao Correio do Estado que a Lei Maria da Penha está condenando os agressores e também está mudando o comportamento de todo o Brasil. “Com a Lei Maria da Penha as denúncias aumentaram, e por conseguinte as condenações surgem já no Poder Judiciário desde 2016”, afirma.

“Os equipamentos de segurança pública contribuem muito com isso, porque a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher é a principal porta de entrada para a mulher vítima de violência doméstica”, finaliza.

Pandemia X violência contra a mulher

Desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, nunca houve tanta matança de tantas mulheres como ocorreu em 2020. Campo Grande teve um aumento de 120% de mulheres mortas vítimas de feminicídio em 2020 em relação a 2019. No interior do Estado, esse número é de 30%.

Porém, o número de atendimentos na recepção da Casa da Mulher Brasileira caiu consideravelmente e isso se deve ao maior tempo da mulher dentro de casa perto de agressores: consequência da pandemia do novo coronavírus.

Em março de 2020, início da pandemia no Estado, foram registrados 1.270 suportes à mulher. Já no mês seguinte esse número despencou para 775 atendimentos. A partir de maio, esse número manteve-se abaixo de mil atendimentos mensais em praticamente todos os outros meses, até dezembro, bem diferente de outros anos (2017, 2018 e 2019), quando o número de assistências mensais geralmente é acima de 1,2 mil.

Durante os primeiros meses da pandemia, os números de boletins de ocorrência registrados foram decrescendo a cada mês. Em fevereiro, foram 654 denúncias. Já em março, esse número caiu para 603.

Em abril, passou para 549 e maio para 547. No ano de 2019, essas estatísticas eram bem diferentes: se mantinham acima de 589 queixas registradas mensalmente. No ano passado, maio, ainda início da pandemia, foi o período em que menos medidas protetivas foram concedidas ao público feminino.

Já julho, outubro e novembro são os meses em que houve mais medidas protetivas concedidas às vítimas, em relação a 2017, 2018 e 2019. Os dados são da DEAM e Subsecretarias de Políticas para a Mulher (SEMU).

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